CASCAIS PARA TODA A VIDA?
Cascais para toda a vida…
Para
um medíocre pode ser um lema, Cascais para toda a vida.
Para
o atual Presidente da Câmara de Cascais é.
Para
quem ame Cascais, não pode ser!
Assumir
que o que temos em Cascais é bom e recomendável só pode ser um ato de distração
ou de alguém que tenha acabado de chegar de um qualquer país asiático, africano
ou da américa do sul.
Cascais
e Estoril perderam o ambiente cosmopolita que tinham nos anos sessenta.
Perdeu-se também a ruralidade de Alcabideche e de S. Domingos de Rana.
Com
o 25 de abril de 1974, muitas famílias vieram para Cascais, em busca de
trabalho mais bem remunerado na região de Lisboa e a pressão urbana começou,
nomeadamente com a proliferação de bairros de génese ilegal.
Os
“patos bravos” tomaram de assalto a região e apoderaram-se dos centros de
decisão municipais e a “festa” da construção civil tornou-se imparável.
O
crescimento urbano e populacional desde os anos setenta do século passado até à
atualidade é um susto!
Este
crescimento urbano aconteceu sem critério, sem planeamento e com total ausência
de assunção das responsabilidades autárquicas nos dias de hoje!
Eu
fui autarca em Cascais entre oitenta e seis e noventa e três. Nesses tempos, os
números usados em planeamento para estacionamento era 1,5 lugares de
estacionamento por fogo. Veja-se como, à luz dos nossos dias e do que
conhecemos das famílias, estes valores estão profundamente desatualizados!
Mas
o passado fica lá atrás, e os atuais autarcas, da Câmara e das Juntas têm a
obrigação maior de criar as melhores condições de vida possíveis para os
munícipes e fregueses e trabalhar para corrigir e melhorar as condições que o
território oferece a quem habita este território ou o utiliza para aqui
trabalhar.
Cascais
sofre de múltiplos problemas, mas quero hoje realçar um: a mobilidade.
Para
esta equação temos que analisar a rede viária, o estacionamento, os transportes
públicos, quer na sua eficiência quer na sua facilidade de utilização.
O
desinvestimento na rede viária estruturante é assustador e incompreensível. O
último troço da longitudinal norte foi construído no 1º mandato de António
Capucho (2002-2006) e depois disso zero!
E
esta asfixia que atormenta diariamente quem cá vive ou trabalha com filas
intermináveis de carros para entrar e sair de Cascais, para entrar e sair da A5
em Carcavelos ou em Cascais, para passar no Largo da Igreja de S. Domingos de
Rana, para passar no Largo do cemitério de S. Domingos de Rana, para circular
nos dois sentidos da estrada de Trajouce, para passar no cruzamento do Arneiro
– Lage, e em muitos outros exemplos que poderíamos aqui desfilar.
De
carro não nos conseguimos mexer aqui dentro de Cascais.
E
o que dizer dos transportes? Mesmo a tentativa de Carlos Carreiras deitar a mão
ao transporte rodoviário no município, com os episódios rocambolescos de más
decisões na Mobicascais que custaram milhões aos cofres da Câmara, portanto aos
contribuintes, mesmo assim, a melhoria é insignificante e, mesmo com
transportes gratuitos, as pessoas não optaram por esta solução porque os
horários não são cumpridos, a oferta não se ajusta às necessidades, o conforto
é inexistente (muitas das paragens de autocarro sem abrigos) e as ligações com
Lisboa e com Sintra são muito insatisfatórias! Resta, pois, o carro, quando uma
gestão assertiva das opções autocarro + comboio podiam ser uma solução
ganhadora em todas as frentes. Conforto para os utentes, poupança nos custos de
transporte, melhoria das condições ambientais com menos emissão de gases com
efeito de estufa.
Empurrados
para a utilização do carro, as condições e a oferta de estacionamento é
confrangedora. A escassez criou um negócio de estacionamento pago, mas a
inexistência de estacionamento em número suficiente para o número de carros
existente é um assunto muito grave que tem sido ignorado e que continua a não
fazer parte das prioridades. A falta de estacionamento nas zonas residenciais,
nas zonas comerciais nos centros das diversas localidades e nos interfaces dos
transportes (terminais rodoviários, estações de comboio) são um problema grave
sem trabalho nenhum com vista à sua solução. Em rigor, apenas as grandes
superfícies, CascaisShoping e Auchan, se preocuparam com soluções de
estacionamento para os seus utentes!
E
da atuação da Câmara de Cascais nem sinal de inversão destas situações. A
promoção de mais e mais urbanização, logo mais utentes da rede viária e do
estacionamento que não chega, está a levar-nos para a antítese do slogan criado
por Nuno Piteira no dia das eleições. Já falta pouco para que a maioria entenda
que “Cascais, tal como está, já chega, não queremos mais!”
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