DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?
Na sessão de 28 de setembro da
Assembleia Municipal de Cascais o Presidente Nuno Piteira teve o desnorte de
ameaçar os vários movimentos que contestam a Urbanização da Quinta dos Ingleses
de exigir responsabilidades financeiras a quem “prejudicar o desenvolvimento de
Carcavelos”.
Esta história, como outras que
atravessam o nosso quotidiano, demonstram que existe um deficiente entendimento
do que são as responsabilidades de cada um dos protagonistas na tomada de
decisões em órgãos de gestão públicas, como é o caso de uma Câmara Municipal, e
as responsabilidades da instituição propriamente dita.
Foi a Câmara que fez o primeiro
ato administrativo ainda no início dos anos oitenta do século passado, foram os
sucessivos executivos da Câmara desde então que, não se sentindo confortáveis
com a aprovação deste desmando, foram adiando uma decisão pedindo uma e mais outra
solução alternativa.
Mas quando o assunto chega às
mãos de Carlos Carreiras, o todo poderoso Carreiras achou que era o momento de
enfrentar os “detratores” desta estupidez urbanística e enfrentar tudo e todos
com o mais despudorado espírito antidemocrático.
Foi elaborado um Plano de Pormenor,
que a CCDR deixou passar com algumas incongruências com alterações à posteriori
de Reserva Ecológica Nacional.
A Assembleia de Freguesia de
Carcavelos Parede, que eu integrava como representante de um movimento
independente, aprovou uma moção no sentido que a Presidente da Junta de Freguesia
de Carcavelos Parede assumisse o voto contra de Carcavelos na votação na
Assembleia Municipal de Cascais.
No entanto, a Presidente Zilda
Silva, decidiu ignorar o mandato que trazia da sua Assembleia de Freguesia e
foi o seu voto a favor que viabilizou a aprovação em Assembleia Municipal.
Estará aqui, porventura, a
responsável por haver, ou não, responsabilidades financeiras no caso de a razão
de muitos Carcavelenses que estão contra este atentado urbanístico acabarem por
conseguir atingir o seu desiderato e a urbanização acabar por ser
inviabilizada.
Outro caso também em discussão é
o Autódromo do Estoril e o desconforto que representa para as populações
circundantes o ruído provocado pelos motores dos carros e motas quando da
utilização da pista do autódromo.
Dizem os defensores do Autódromo
que a pista já lá estava quando a maioria das pessoas foi viver para as suas
imediações, pelo que não faz sentido queixarem-se agora.
Permitam-me acrescentar mais
alguns argumentos. Quem autorizou as construções nas imediações do autódromo?
Foi a Câmara Municipal de Cascais estamos todos certos. A Câmara já sabia da
existência do Autódromo quando licenciou aquelas urbanizações. De quem será
então a culpa?
Existe uma Lei do Ruído. Porque
não se faz cumprir a Lei? Porque não se obriga a entidade gestora do Autódromo
a tomar as medidas necessárias para garantir o cumprimento da Lei do Ruído?
O Presidente da Junta de
Freguesia de Alcabideche, a respeito do barulho das Festas Realizadas no
recinto do Conjunto Desportivo de Alcabideche no Verão, e perante a reclamação apresentada
pelos moradores e verbalizada por um elemento da Assembleia de Freguesia de
Alcabideche, teve o desplante de referir que conhece bem a Lei mas também temos
que ser tolerantes em casos especiais como este. Arraial até às duas da manhã
junto a prédios de habitação, com moradores a terem que se levantar bem cedo
para irem trabalhar? Percebe-se logo que, com tanta tolerância, um dos
moradores não será o Presidente da Junta, de certeza!


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