O SIGNIFICADO DE PITEIRADA
Em 2000, José Luís Judas,
Presidente da Câmara de Cascais eleito nas listas do PS, resolveu concessionar
o abastecimento de água e saneamento através de concurso público. Se a opção em
si não me merece reparos à partida, o contrato de concessão proposto pela CMC
tinha mais buracos que uma flauta e ainda hoje estamos a sofrer em Cascais a ausência
de rigor na defesa dos interesses de Cascais e dos seus munícipes nesse
contrato.
Não foi o único da autoria deste
Presidente de má memória.
O contrato de recolha e limpeza
urbana que uma comissão de análise definiu numa sexta feira que a empresa
ganhadora era a empresa X, durante o fim de semana José Luís Judas cria uma
nova comissão de análise, integrada pelo seu irmão, que ditou que a empresa
vencedora seria a SUMA e a anterior empresa vencedora era arredada para o
terceiro lugar da classificação. Dizem que a nova decisão foi boa para a SUMA e
para o PS…
O famoso contrato PER, celebrado
com Américo Santo nos terrenos a norte da prisão de Tires e que tanto deu que
fazer a António Capucho para anular tão ruinoso negócio foi outro exemplo.
Fica mais ou menos provado o jeito
que Judas tinha para fazer negócios “proveitosos” para a autarquia…
Regressando à Águas de Cascais,
convirá dizer que também em relação a este negócio António Capucho torceu o
nariz, e através da Comissão de fiscalização das empresas concessionadas tentou
endireitar este processo mas sem sucesso.
Deitar por terra um contrato de
concessão de 25 anos seria extraordinariamente oneroso para os cofres do
município de Cascais. Mas nesse mandato, 2002-2006 ficaram claramente
identificadas a quantidade de lacunas a desfavor do município que o contrato
tinha.
Mas com Carlos Carreiras há uma
primeira prorrogação do contrato de 25 anos para 30 anos e agora com Nuno
Piteira acontece uma nova prorrogação até 2042, mais 12 anos!
Eu não sei que nome se pode dar a
quem prorroga um mau contrato, unanimemente reconhecido como mau e incompleto,
mas vou pedir ajuda a um bom dicionário…
Um contrato mau, em que a
obrigatoriedade de recuperação das redes de abastecimento não estão bem
definidas, demonstra todos os dias os danos a que os munícipes estão sujeitos
com sistemáticas interrupções de abastecimento de água. O norte de Carcavelos,
S. Domingos de Rana, Murches e outros tantos exemplos demonstram à exaustão o
péssimo serviço prestado pela “Águas de Cascais”.
Mas este mau serviço é agora
premiado com um prolongamento da concessão de mais 12 anos com uma habilidade
que o futuro próximo irá pôr a nu: uma diminuição da tarifa aplicada ao
munícipe, tão amplamente divulgada na comunicação social, e a promessa de
construção de uma central de dessalinização para reforço do abastecimento de
água!
Aumentar em doze anos a concessão
que tão mal funcionou nos primeiros 26 anos de existência, é uma demonstração
de “inteligência” aplicada à gestão.
Enquanto isso, nas zonas em que o
abastecimento de água já é intermitente, e nas outras zonas onde as
envelhecidas e não remodeladas condutas vão ter problemas, aconselhamos os
munícipes a fazer um pé de meia com a poupança de 25% na tarifa para comprarem
reservatórios de água para remediar as crónicas falhas no abastecimento.
Daqui a vinte anos o sinónimo de
uma aldrabice poderá ser a palavra “piteirada”!
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