Pensar grande, pensar pequeno ou não pensar!

 


O planeamento urbanístico em Cascais sempre foi algo deficiente e sempre esteve mais dependente da vontade dos promotores imobiliários do que propriamente de uma classe política tecnicamente consciente e com visão de futuro.

Cascais, e as suas várias localidades, foram crescendo por impulso e nunca com base numa ideia de território pensado a 10 ou 15 anos.

Se o negócio imobiliário estava de feição, a pressão dos promotores foi sempre mais do que suficiente para que as aprovações acontecessem.

Hoje temos zonas residenciais com elevado deficit de estacionamento, zonas de circulação viária com limitações de tráfego, zonas com deficientes passeios e zonas pedonais ou mesmo sem passeios, zonas comerciais, ou o que restam delas, sem estacionamento adequado e suficiente para responder à procura.

Alcabideche ou Rebelva eram, entre muitos outros locais, sítios procurados para se almoçar ou jantar porque até existia muita oferta. Hoje se calhar optamos por uma grande superfície porque em Alcabideche ou na Rebelva temos que contar sempre com mais meia hora para estacionar o carro.

É verdade que nos últimos 10 ou 15 anos houve um boom no que respeita à opção de mobilidade assente no automóvel, se calhar porque as soluções de mobilidade pública, autocarros, continuam a ter uma oferta muito insuficiente e com horários desajustados para responder às necessidades dos cidadãos.

E qual é a atitude dos nossos autarcas perante estas situações?

Absolutamente nada. Não podemos colocar passeios porque não há espaço, não há estacionamento porque não há espaço, não há espaços verdes porque não há espaço, ou então há espaço verde mas assim não há estacionamento, enfim, uma pescadinha de rabo na boca.

Como se em planeamento urbano não houvesse a possibilidade de encontrar respostas criativas!

Há essa possibilidade, mas isso obriga a estudar, a pensar em alternativas, em discutir com os cidadãos as várias hipóteses de soluções, soluções estas que raramente são consensuais, e portanto estamos a falar de demasiado trabalho para pouco rendimento.

A Junta de Freguesia ou a Câmara organiza umas festas, umas sardinhadas, umas viagens com idosos e uns bailaricos e ficamos todos mais ou menos felizes.

Os promotores imobiliários conseguem mais uns milagres do licenciamento para uns fogos que se vendem por 2 ou 3 milhões de euros para outros tantos “investidores nacionais ou estrangeiros” poderem lavar algum dinheiro e a Câmara remata com uns cartazes com um slogan “Cascais para toda a vida”…

Já todos vimos no que dá não pensar ou pensar pouco. O que temos em Cascais não desejo a ninguém nem que seja por algum tempo, quanto mais para toda a vida!

Quem ama Cascais, não se pode resignar com tão poucochinho!

Para grandes problemas temos que pensar grande. Eu tenho dúvidas que o atual executivo da Câmara de Cascais com pelouros tenha essa capacidade. Mas todos nós munícipes e filhos de Cascais temos a obrigação de o exigir.

Pensar grande em Cascais para conseguir reganhar a qualidade de vida perdida em Cascais!



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