quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A ERA DO PAPAGAIO


Aviso: Se faz parte das pessoas que não tem por hábito pensar antes de formular uma opinião, não deve ler esta reflexão. Como reflexão que é, o autor pretende apenas expor um estado de alma e não tem qualquer objetivo de agredir ou ofender o leitor, muito menos de transformar este escrito num ato de sobranceria inusitada. Se vive nestas condições não leia isto, POR FAVOR!

Hoje vivemos numa sociedade imediatista, e perdemos, a maioria de nós perdeu, a capacidade de pensar, refletir sobre os assuntos antes de emitir uma opinião.
Perdemos também a capacidade crítica de análise do que nos rodeia e de agir para transformar o mundo.
Perdemos a iniciativa. Hoje flutuamos ao longo dos dias nos fatos que nos rodeiam sem a mínima vontade de influir no nosso destino. Viajamos na maionese diária, no corrupio que se agita à nossa volta mas sempre na condição de espetador e não de ator principal.
Perdemos a capacidade crítica de julgar os nossos representantes e de ajustar contas com eles nos atos eleitorais. Os que votam, votam numa lógica de grupo a que pertencem, os que não votam desistiram de fazer valer a sua vontade e pior do que isso, deixaram de acreditar que outros possam fazer diferente e melhor.
Vivemos na era do “Papagaio”.
As redes sociais hoje são uma clara demonstração disso.
A maioria dos intervenientes repetem ideias já expressas, muitas vezes pouco ou nada refletidas, e que demonstram formas apressadas de ver um determinado problema ou apenas uma faceta desse problema.
Hoje falamos e escrevemos sem pensar. Copiamos ideias feitas ou escritas sem uma análise crítica que a transforme numa ideia também nossa.
Tal como os papagaios, repetimos palavras, ideias, mas não sentimos o seu significado.
Defendemos, por vezes até de forma agressiva e abnegada, as ideias e os atos do nosso Partido, as cores e os atos do nosso clube, o ambiente, a defesa dos animais, mas não perdemos 1 minuto que seja a refletir sobre a justeza desses princípios nem a forma como acabamos por julgar e condenar os que não estejam muito sintonizados com eles.
Há sinais de regressão clara sobre a teoria de que o homem é um ser inteligente capaz de desenvolver raciocínios autónomos.
Cada vez mais uns poucos que nos apanharam o fraco se transformam em “líderes de opinião” e o resto, qual manada, lá segue de forma ordeira o caminho que nos indicam e que, se ousássemos parar para pensar um pouco, veríamos o quanto errado é o caminho que somos levados a trilhar.
Não sei se vamos conseguir ultrapassar este torpor.
O sucesso de tantos canais televisivos de análise de “futebolês”, a participação histriónica de tanta gente nas campanhas de defesa do gatinho ou dos plásticos no mar, indicam-nos que a nossa sociedade está gravemente contaminada com o efeito papagaio.
E o smile ou a afirmação inflamada de condenação nas redes sociais resume a capacidade de atuação e participação da esmagadora maioria dos cidadãos.
É muito pobre!
Os que contrariaram o aviso inicial e estão a ler esta reflexão poderão então perguntar: e que solução propõe o autor?
Sem uma mudança de mentalidades, sem voltarmos a encontrar o prazer de pensar, de formular uma opinião refletida, não vejo grande forma de contrariar este estado de coisas.
Mas é urgente.
Esta revolução tem que ser promovida nas escolas, nos agentes que de alguma forma lideram processos na sociedade.
Esta revolução tem que acontecer em cada um de nós.
A manter-se esta apatia o mundo será dos espertos. Os espertos da política, os espertos da finança.
O resto, serão apenas vistosos e coloridos…papagaios!

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