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domingo, 24 de novembro de 2013

Refazer a política em Cascais


Tenho dado alguma atenção ao estado caótico a que chegou a nossa sociedade no que respeita ao exercício do poder.
E vou continuar a chamar os bichos pelos nomes, doa a quem doer!
Passadas as eleições, em Cascais vamos ter mais do mesmo.
Um conjunto assinalável de militantes do PSD e do PP ocuparam literalmente as cadeiras do poder, seja na qualidade de eleitos nos vários órgãos autárquicos, Freguesias, Assembleia Municipal e Câmara Municipal, seja nas várias empresas municipais ou como assessores bem pagos.
A promiscuidade é maior do que o que o comum dos mortais imagina.
A ocupação da estrutura do poder é feita sem regras, sem fiscalização e sem responsabilidade.
Passo a explicar.
Penso que o legislador que criou este modelo de organização do poder local fê-lo com a preocupação de garantir as condições de que os órgãos de cariz executivo fossem devidamente fiscalizados pelos órgãos de cariz deliberativo.
As falhas da Lei e o “engenho” dos políticos trataram de baralhar o conceito de que resultou a situação actual.
Hoje vemos as mesmas pessoas a fiscalizar e a serem fiscalizadas conforme o chapéu que decidem trazer na cabeça.
Convido o caro leitor a fazer o seguinte exercício:
Quantos nomes aparecem repetidos nas listas da coligação Viva Cascais para os vários órgãos autárquicos, quando comparados com os restantes órgãos, com as administrações das empresas municipais, com os lugares de assessores ou mesmo de funcionários municipais?
São muitos não são?
Esta teia serve a quem e para quê?
Não há segredos, o poder está na mão de um grupo confinado de pessoas que por, razões não do interesse geral ou da comunidade mas antes pelo interesse pessoal ou o da sua carteira, controlam as decisões ou pior, cumprem as decisões de um reduzido directório que tomou conta de Cascais e fazem-no sem espírito crítico ou discussão!
Alguém mais tarde ou mais cedo vai ter que colocar um redondo ponto final nesta forma hermética e pouco democrática do exercício do poder.
Não vejo que sejam os Partidos do arco da governação, PSD, PS e PP a tomar a iniciativa de mudar a lei neste particular e também não vejo nos restantes Partidos grande apetência por resolver esta situação. Talvez a salvação acabe por resultar da acção dos movimentos independentes. Talvez…
Mas há medidas urgentes que poderão trazer um pouco mais de dignidade, verdade e verticalidade à actuação dos eleitos.
Atrevo-me a deixar algumas sugestões em modo de iniciador de discussão.
1 - Um autarca de um órgão executivo, seja presidente ou vereador de uma Câmara Municipal ou Presidente ou vogal de uma Junta de Freguesia não deveria poder ser eleito mais de 3 vezes consecutivas nem transitar de um órgão executivo para outro.
2 – Um autarca de um órgão deliberativo, seja Assembleia Municipal ou de Freguesia não pode ter qualquer vínculo com a autarquia a que se candidata ou seja, não deveria ser possível ser ao mesmo tempo membro da Assembleia Municipal e funcionário, assessor ou mesmo administrador de qualquer das empresas ou associações da Câmara ou mesmo funcionário municipal. Quem é funcionário deve ser fiscalizado pelos órgãos deliberativos. Ser fiscal da sua própria actividade parece pouco sério, não é?...
3 – Também parece pouco saudável a dança de cadeiras a que assistimos. Esta tendência para o “trata de mim que a seguir trato eu de ti” tem de acabar! Não deveria ser permitido que ao fim de 3 mandatos consecutivos um autarca possa de seguida ser nomeado para uma qualquer administração de empresa municipal ou estabelecer contrato de trabalho ou de assessoria com a Câmara ou com qualquer das suas estruturas empresariais. O inverso também me parece inaceitável. Quem por nomeação tenha feito três mandatos consecutivos numa administração de uma empresa municipal não deve poder ser candidato a qualquer cargo numa autarquia.
4 – Julgo que deverá ser discutido a possibilidade de tornar obrigatório o voto. É inaceitável que menos de 50% dos eleitores se pronunciem nas eleições e o poder com maioria absoluta seja alcançado com o voto de pouco mais de 16,2% dos eleitores como aconteceu em Cascais!

E sobre isto nem vale a pena o argumento do respeito do direito democrático de cada um decidir se vota ou não. Há maior atentado à democracia que permitir que uma minoria possa impor a sua vontade à maioria?
Não somos inocentes ao ponto de acharmos que os políticos se comportariam da maneira que hoje o fazem se suspeitassem que todos os eleitores, nomeadamente os que se cansaram das suas tropelias e primam hoje pelo abandono ou o desprezo pela classe política, tivessem eles, todos, que ir participar no ato eleitoral…
Outro galo cantaria!...
Temos que nos consciencializar que viver a democracia não é apenas falar dela.
Chamar toda a gente a participar não se faz com o logro do orçamento participativo! Democracia participativa não é o resultado do voto telefónico de algumas centenas de pessoas que se congratula com a grande obra que possa ser a construção de um parque infantil para cães!
Sei que a maioria das pessoas está desencantada, farta de mentira e de oportunistas.
Sei que isso é mau para a democracia.
Mas também sei que chamar as pessoas a participar activamente nas decisões da gestão da coisa pública tem que partir da vontade dos políticos de trazer transparência a essa gestão, ter uma relação de verdade com o eleitor.
Isso não está ao alcance de todos!
Isso, não está ao alcance da actual classe política que dirige os destinos do nosso concelho.

Verdade e transparência? O que é isso para eles?

domingo, 28 de julho de 2013

PARTIDOS, DEPENDENTES E… INDEPENDENTES …

Os Partidos há muito tempo que deixaram de ser os representantes dos eleitores na gestão da coisa pública nacional e local.
Como num filme de ficção científica em que a máquina ganha vida e vontade própria, também os Partidos passaram apenas a representar-se a si próprios, que é como quem diz, passaram apenas a representar o conjunto de pessoas que tomaram conta das estruturas partidárias, agilizando-se de lugar em lugar, ora nos governos e nas empresas públicas ora nas assessorias nas câmaras e nas empresas municipais.
O papel dos Partidos enquanto representantes da população deixou de fazer sentido.
Mas, sendo a democracia o sistema menos mau de governo, convém não perder de vista a necessidade de, em cada momento, encontrarmos a melhor forma de lhe dar saúde, frescura, vida. Este objectivo tem norteado os meus actos mais recentes.
Não pretendo afirmar-me como um exemplo, um fora de série, um iluminado, porque tal tenho a certeza de não ser. Mas todos os dias me esforço por ser coerente com as ideias que defendo, sempre com a preocupação de agir e pensar com a ética, com verdade e com seriedade.
Por isso optei por me juntar ao Movimento SerCascais.
Carlos Carreiras defendeu em artigo publicado no Jornal i que os movimentos independentes mais não são do que um conjunto de ressabiados da política que, por não terem lugares se decidiram por se encostarem a outras soluções.
Vale a pena discutir esta tese e ver até que ponto é que é verdadeira ou não passa de uma falácia.
Pode até ser verdade que em alguns casos isso se tenha verificado. Como há muitos casos, entre os quais me incluo, dos que se fartaram de ver o Partido em que militavam demonstrar um total desrespeito pelos seus militantes porque a “máquina directiva” demonstrava uma total incapacidade de perceber a opinião da maioria dos que constituem o Partido.
Afinal onde está o mal? Está nos que, sentindo que o Partido não os representa e respeita condignamente, decidiram procurar uma alternativa de afirmar os seus pontos de vista ou o problema reside efectivamente nas “pessoas” que invadiram os centros de poder partidários e apenas orientam a sua acção para ver perpetuados os seus lugares e as suas influências?
Olhemos para o caso da vizinha Sintra.
Marco Almeida é vice presidente de Fernando Seara em Sintra. A concelhia do PSD decidiu aprovar a sua candidatura à Câmara Municipal de Sintra. A Distrital, porque Marco Almeida não fez parte da facção de Miguel Pinto Luz e de Carreiras na Distrital do PSD, e porque não apoiou Pedro Passos Coelho para a presidência do PSD, foi vetado, e no seu lugar inventam Pedro Pinto que de Sintra só se deve lembrar do mítico “Maria Bolachas”. Por outro lado a mesma Distrital pretende candidatar a Lisboa Fernando Seara, o candidato que por lei já não o pode ser (mas o PSD insiste que o problema só existe se for em Sintra…) e que tem ainda como vice presidente o Dr. Marco Almeida.
Ora se o trabalho de Seara é defensável para, mesmo contra a lei, pretenderem que volte a ser candidato agora a Lisboa, Marco Almeida não serve para ser candidato a Sintra?...
Marco Almeida decide avançar com uma candidatura independente. É ele que está errado? É dele a responsabilidade de “contrariar” a vontade do Partido ou foi o Partido, a máquina partidária, o poder cego e autocrático do PSD que decidiu excluir os militantes de base desta decisão?
Carlos Carreiras, coloca um forte azedume contra os movimentos independentes porque começam a ter uma expressão que põem claramente em causa o exercício autocrático do poder após as próximas eleições e, cúmulo dos cúmulos, não são por si controláveis.
Ter um Partido em que uma boa parte dos seus militantes são neste momento dependentes da folha de ordenados da CMC ou das suas empresas municipais é fácil de controlar. Ter uma composição do executivo camarário dividido entre PSD e PS não é difícil controlar. Carreiras, nos dois últimos mandatos, colocou no bolso quer o Vereador do PCP quer parte dos vereadores do PS pelo que não lhe faltará arte e engenho para o voltar a fazer.
Mas, se se confirmar que a onda independente de Sintra (dizem as sondagens que Marco Almeida lidera as intenções de voto) se está a propagar a Cascais e Isabel Magalhães conseguir aquilo que há um ano só podia ser entendido como uma surpresa impossível em Cascais?
Os militantes do PSD mais “dependentes” estão claramente nervosos. Desconfiam que o provérbio popular “Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta” possa mesmo querer dizer que o fim do bem bom se aproxima!
Sente-se um ar libertador.
Mas o sucesso ou o insucesso de Cascais está muito dependente de a sua população acordar, perceber o que está em causa, e não deixar de ir votar, conscientemente, no próximo dia 29 de Setembro. 
O nível de abstenção vai determinar se Cascais consegue renascer das cinzas ou se vai continuar a atolar-se em Festas e em dívidas!

domingo, 19 de maio de 2013

SE ASSIM FOSSE, VOTAVA EM CARLOS CARREIRAS…



Carlos Carreiras tem demonstrado que tem um plano muito bem delineado para ser o próximo Presidente de Câmara de Cascais. 

É um processo que foi pensado há anos, que paulatinamente tem vindo a ser implementado e que tem origem na sua fase menos feliz em termos profissionais quando foi despedido do grupo Sousa Cintra. 

Envolveu-se com a “máquina” de António Capucho e, pé ante pé, foi afastando do caminho tudo o que poderia a curto ou a médio prazo ser um potencial impedimento aos objectivos traçados. 

Em 2002 defendeu que um Presidente de Comissão Política Concelhia não poderia nunca ser candidato à Câmara porque eticamente punha em causa a relação entre Comissão Política Concelhia fiscalizadora da actividade da Câmara e o executivo camarário. 

Desta forma afastou das listas da Câmara o então Presidente da Concelhia Fernando Mesquita. 

Hoje, com a desfaçatez que se lhe conhece, é Presidente da Concelhia do PSD e candidato à Câmara de Cascais! 

Rodeou-se de um conjunto de jovens oriundos das lides da JSD na sua fase mais recente do “vale tudo para ficar por cima”. 

Miguel Luz foi quem apurou o processo de controlar a máquina de votos em que a JSD se tornou e teve um excelente seguidor em Nuno Piteira. Esta máquina foi capaz de ganhar eleições partidárias em Cascais mas foi determinante nas vitórias de Carreiras e de Luz na distrital do PSD! 

Em recentes eleições partidárias em que estive como delegado na mesa eleitoral em Cascais assisti a um jovem que só tinha o cartão de militante para votar e, quando perguntado qual o seu último apelido, não foi capaz de se lembrar… Sintomático!... 

Com o avançar deste projecto de poder, Carlos Carreiras manteve um núcleo mais ou menos restrito de seguidores jovens locais e foi afastando a quase totalidade dos militantes que estiveram na origem da candidatura de António Capucho. 

Como pagamento dos “milagres distritais” inundou a Câmara e as Empresas Municipais de profissionais do voto partidário de todas as secções do PSD do Distrito de Lisboa. 

Hoje, embora se intitule de candidatura Viva Cascais, não existe nada, nem mesmo de uma forma residual, do ADN da candidatura de António Capucho, nem nas práticas, nem nos conceitos e objectivos programáticos. 

As campanhas de Capucho eram focadas em Cascais, nas pessoas, nas suas necessidades e nos seus anseios. A governação de Capucho não se afastou um milímetro das suas promessas eleitorais! 

Carreiras reorientou tudo apenas com o objectivo final de detenção do poder em Cascais e tudo o mais, Cascais e as pessoas, passaram de principal a acessório! 

É triste mas é também muito perigoso! 

Os recursos da CMC têm sido utilizados de uma forma despudorada para construir a imagem de Carlos Carreiras, com uma gestão que trará uma factura enorme aos próximos executivos municipais. 

Atente-se num dos últimos exemplos: As Conferências do Estoril! 

Estas conferências terão custado 3 milhões de euros! Contaram com uma assistência de 250 convidados do Senhor Presidente Carlos Carreiras ou seja, tiveram um custo de 12.000 € por pessoa assistente! 

Mesmo que fossem todos munícipes de Cascais, o que deveriam pensar os outros 200.000 que não receberam convite? 

Terá Carlos Carreiras a intenção de tratar os outros munícipes de forma equitativa? Mas com que dinheiro? 

Para cada criança que nem uma refeição decente tem por dia, uns míseros 1825 € garantem essa refeição por um ano! 

A comparação destes dois valores diz tudo o que há para saber sobre a prática de Carreiras a gerir os recursos dos munícipes! 

Se o nível de exigência dos planos que Carreiras tem para Cascais e para os seus munícipes fossem do mesmo rigor com que planeou todo o marketing político com que pretende perpetuar-se no poder em Cascais, esta terra tinha futuro! 

Certamente estaria desenhado e aprovado um novo Plano Director Municipal, com ideias claras de desenvolvimento urbanístico, de desenvolvimento económico e desenvolvimento social dos habitantes de Cascais. Saberíamos já qual a estratégia para redinamizar a economia de Cascais, a criação de emprego, a fixação de riqueza, a valorização turística do território, na sua frente de mar de Cascais até Carcavelos e na sua relação com o Parque Natural. Existiria um plano de minimizar as assimetrias entre o litoral e o interior do concelho, o espaço público das Freguesias do interior estaria ao mesmo nível da preocupação e de investimento que as do litoral, nesta época de “vacas magras” estaria previsto um plano de sustentabilidade das associações e colectvidades do concelho que tão bom trabalho desenvolvem nas áreas da cultura, do desporto e do apoio social. Estava definida uma política ambiental sustentável, com um plano de resíduos assente na promoção do reaproveitamento e na reciclagem, e com a implementação de uma estratégia clara em políticas energéticas para o Concelho. Estaria ainda em curso um plano arrojado de dotar este concelho com uma rede viária estruturante, que não só permita uma correcta mobilidade dentro do concelho e nas ligações com os vizinhos e com Lisboa como também seja o suporte, o sinal de que as industrias, as actividades produtivas, podem regressar a Cascais porque o caos já era! 

Mas não é isso que se passa, não é isso que nos espera! 

Se Carreiras estivesse tão interessado no futuro de Cascais e dos seus munícipes como está com o seu futuro, eu era homem para apoiar e aconselhar o voto na Coligação Viva Cascais. 

Mas o que se passa na realidade é a demonstração clara de que o PSD enquanto Partido, em Cascais está subjugado aos interesses de Carlos Carreiras e a defesa de Cascais e das gentes que lá vivem e trabalham deixaram de ser prioridade. 

Os outros Partidos, uns mais e outros menos, não conseguem ajustar-se à prioridade que Cascais deveria sempre representar. Há sempre um conjunto maldito de outros interesses que se levantam com mais força e que deixam Cascais e os Cascalenses para segundo plano. 

Resta pois apoiar uma candidatura que seja independente, que esteja livre dos jogos e das obediências partidárias, cuja única preocupação seja Cascais e as suas gentes. 

Chegou a hora de mostrar aos Partidos que a palavra e a vontade têm que ser devolvidas aos representados! 

Chegou a hora de voltar a SER CASCAIS! 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

VIVA CASCAIS, MAS… CUIDADO COM AS IMITAÇÕES!


Viver Cascais foi o nome da coligação encabeçada por António Capucho, com PSD CDS e alguns representantes de movimentos cívicos, que em 2002 ganhou inequivocamente as eleições autárquicas em Cascais e trouxe a seriedade, a verticalidade e um projecto a pensar no futuro de Cascais e das pessoas que ali vivem e trabalham.
Eu tive a honra de fazer parte do grupo que ajudou a tornar realidade este virar de página em Cascais.
Foram 4 anos de mandato a sério, com obras municipais, escolas, infra-estruturas desportivas, culturais e sociais, uma revolução ao nível da política ambiental do município.
António Capucho foi e será uma referência para todos os que acreditaram no projecto e de alguma forma tiveram a oportunidade de apoiar a sua execução.
Que saudades!
Em 2006 a Coligação mudou de nome: Viva Cascais.
A revolução estava iniciada e ficava o convite para viver Cascais. Mas, o novo executivo enfermava de um problema grave: como numa capoeira, despontava um segundo galo sempre a querer usurpar o poleiro…
A chegada de Carlos Carreiras ao executivo de Cascais veio a mostrar-se fatídico para o projecto, para o PSD e para Cascais. Pior do que isso, foram tantas as tropelias, tantos os boys, tantas as decisões enviesadas, tantas perseguições e ajustes de contas que uma boa parte dos militantes do PSD e apoiantes da coligação deixaram de se rever neste projecto.
Até António Capucho se fartou e saiu batendo a porta.
O PSD Cascais é hoje dominado a partir dos militantes que são funcionários ou assessores da Câmara ou das Empresas Municipais o que, como se compreende, faz com que a carteira fale mais alto que a lógica, a política ou os interesses dos munícipes!
Para as próximas eleições Carlos Carreiras prepara uma espécie de passe de mágica que é profundamente grotesco.
A coligação, ao que parece passa a chamar-se de “Movimento”! Não passa de uma coligação, suportada por dois partidos, mas chama-se Movimento…
Porquê?
Porque Carlos Carreiras continua a acreditar que é manifestamente mais esperto que os restantes mortais que votam em Cascais.
Não é segredo que um vasto conjunto de pessoas, eleitores em Cascais, se fartaram das respostas dadas pelos Partidos Políticos.
Também a situação a nível nacional não ajuda, e é expectável que os Partidos da Coligação Viva Cascais venham a pagar nas urnas o efeito desse desgaste.
Mas os exemplos que nos chegam todos os dias da Câmara de Cascais, com as diatribes de Carlos Carreiras, qual Berlusconi de Cascais, os seus acessos de esperteza saloia polvilhada de má criação, com as patetices que os seus vereadores de mão, Miguel Luz e Nuno Piteira e a horda de assalariados do PSD  vão fazendo, têm empurrado um número crescente de cidadãos para fora da lógica partidária.
Essa a principal razão do aparecimento de vários movimentos em Cascais, que se afirmam numa lógica anti-partidária.
Ora como se combate a deserção do voto dos Partidos para os movimentos que se preparam para ir também a votos?
Carlos Carreiras inventou a solução – transformar a Coligação Viva Cascais num “movimento”, fingindo que a adesão “espontânea” de munícipes pode branquear ou escamotear o apoio partidário que dirige a sua candidatura.
Ou seja, Carlos Carreiras assume que a solução é fazer aquilo que melhor sabe executar – a trapaça!
Os “Manueis de Oliveira” da Coligação Viva Cascais (ou como agora é chamada Movimento…) bem se podem esmerar em editar filmes atrás de filmes com os contributos dos cidadãos mais ou menos desconhecidos a gritar apoios ao Movimento.
Por mais que seja apelidado de Movimento, a Coligação Viva Cascais não é mais do que uma coligação do PSD de Carlos Carreiras e do CDS.
Embora Carlos Carreiras e os seus mais próximos colaboradores achem que sim, o eleitor comum já não vai assim em cantigas…
A verdade é um conceito tão dificil para Carlos Carreiras!...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AINDA HÁ ESPERANÇA?


Muito se tem escrito sobre as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro Ministro na passada sexta-feira, mesmo antes do jogo da selecção nacional de futebol.
Na qualidade de militante do PSD confesso-me desapontado. Muito desapontado!
Eu tenho consciência que o país andou demasiado tempo a viver acima das suas possibilidades.
Eu sei que as prioridades do país foram mais ditadas pelas necessidades de obras a executar pelos grandes empreiteiros portugueses do que com as reais necessidades de infra-estruturas. Um bom exemplo do que acabo de afirmar, por ser tão caricato, foi a anunciada 3ª auto-estrada Lisboa Porto, ideia lançada ainda por Sócrates e que foi abandonada já pelo actual governo.
Mas, como em qualquer empresa, em qualquer família, quando aparece um deficit entre o que se gasta e o que se recebe, duas medidas podem e devem ser tomadas: analisar de que forma se podem aumentar as receitas ou verificar o que se pode cortar nas despesas.
Portugal, neste particular não pode ser excepção.
Sabemos todos que o Estado é hoje muito maior do que devia, comprometeu-se a fazer e a construir infra-estruturas que em rigor o país não tem dinheiro para sustentar, criou direitos e justas expectativas ao nível da educação e da saúde que custam muito dinheiro, o número de contribuintes activos é cada vez menor em comparação com o crescente número de pensionistas, enfim o panorama não é nada animador.
Quem estava mais atento ao que se passou, especialmente nos últimos anos de governo Sócrates, (mas não só!), poderá ter pensado, como eu, que Passos Coelho poderia ser o sinal de que este país precisava para corrigir a mão e colocar-nos num caminho de progresso.
Com um discurso inicial de encolher o Estado, assumir com frontalidade que era preciso fazer sacrifícios para recuperar a economia de Portugal e uma ideia inicial de que os sacrifícios era para todos sem excepção.
As primeiras medidas da troika vieram negar este princípio, caindo em cima do trabalhador por conta de outrem, especialmente os trabalhadores do Estado.
Os Partidos da oposição, o Presidente da República e o Tribunal Constitucional insistiram na necessidade da equidade, da distribuição dos sacrifícios por todos e com especial ênfase nos que melhor podem ajudar nesta altura de dificuldades.
Mas não!
Assistimos a mais um brutal aumento de impostos nos desgraçados do costume: os trabalhadores por conta de outrem!
Enquanto militante social democrata deveria estar a usar estas linhas para convencer os meus leitores de que estas são as únicas medidas possíveis mas, porque antes de ser militante sou um homem, português, com consciência e com alguma noção do que deve ser o serviço público, só consigo dizer que estou desapontado e que o Governo actual é afinal mais do mesmo que criticámos ao Governo anterior.
Ao fim de alguns meses, onde pára a fúria reformista, as medidas de redução do Estado, as privatizações?
Baixar os custos do Estado significa despedimentos em empresas públicas, na administração pública, nas empresas municipais, nas câmaras municipais. Não o fazendo, todos vamos continuar a ser sacrificados nos nossos impostos para pagar uma máquina que funcionava melhor com menos 20 ou 25% do pessoal que tem.
São clientelas, especialmente as que vivem penduradas nos municípios. Valem votos. Tenha-se a coragem de pensar primeiro no todo, de mostrar uma ponta de respeito pelos sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses!
Mas há um tique irritante na nossa classe política actual que me provoca um profundo desprezo. Esta gentinha, depois de se apanhar no poleiro, parece que passou a fazer parte de uma casta que não está obrigada aos mesmos deveres de cidadão e que os sacrifícios exigidos aos outros não lhes devem ser aplicados.
Exemplos?
Tenho muitos.
O escândalo das pensões vitalícias dos senhores deputados. Não se percebe como homens e mulheres com quarenta anos podem ter direito a uma pensão vitalícia após 8 anos como deputados, a maioria das vezes sem terem desempenhado essas funções em exclusividade sequer. É vergonhoso que a classe política no seu todo, da esquerda à direita, não tenha ainda colocado um ponto final neste roubo autorizado!
Ex Presidentes da República com direito a pensão vitalícia, escritório, secretariado, viatura… porquê? Corta-se a eito nos rendimentos dos pensionistas, alguns deixando-os no limiar da subsistência e cria-se uma classe de pensionistas especiais de corrida? Alguns, como Mário Soares ou Jorge Sampaio, sempre a distribuir lições de democracia, não percebem o ridículo em que caiem cada vez que abrem a boca?
A vergonha a que temos assistido nos últimos meses em Cascais à forma desbragada como se utilizam os dinheiros dos nossos impostos em Festas e mais Festas e ainda mais Festas é, na conjuntura em que vivemos, um caso claro de polícia!
Os portugueses em geral e os que pagam os seus impostos em Cascais, não acham estranho que numa conjuntura de grande sacrifício, se desbarate dinheiro em espectáculos de hora e meia que custam o suficiente para alimentar muitas famílias em dificuldades?
A conclusão que consigo tirar é que afinal a classe política é a mesma, muda de rótulo mas é a mesma, indiferentemente seja do partido A, B ou C, com os mesmos tiques, com o mesmo desrespeito pelo cidadão que os elege.
A ética, a justiça, a equidade, são conceitos que fazem parte da história da democracia mas que não estão a ser praticados.
Antigamente tentava-se levar para a política os cidadãos que eram exemplo.
Hoje, tiramos dos políticos, o exemplo do que não queremos que os nossos filhos sejam!
Chamem-me tolo, mas eu ainda acredito na integridade de Passos Coelho. Temo é que se não se livrar urgentemente dos Relvas, dos Carreiras, dos Luzes que o acompanham, vai ficar na história como mais um de muitos que só se serviram, mas não serviram para nada!

domingo, 2 de setembro de 2012

EU ACREDITO...



Há uns anos, o PSD de Cascais lançou um slogan que tinha alguma piada e tinha a capacidade de ser motor de uma certa dinâmica de vitória, envolvendo a acção de António Capucho à frente dos destinos da Câmara de Cascais – EU ACREDITO!
Ricardo Leite, então Presidente da concelhia do PSD de Cascais, não sei se foi o autor do slogan, mas é dele que guardo recordação do seu uso em todas as situações em que fazia lógica o seu uso.
Ricardo Leite é hoje deputado da nação, reconheço que na essência um bom deputado, alguém que se mostra muito interessado, especialmente na temática da saúde, que domina, mas que sente a necessidade de dar contas a quem o elegeu sobre o trabalho que desenvolve no Parlamento, a sua preocupação em contactar os eleitores e marcar presença nos mais variados locais, em suma, um deputado à maneira antiga e de que se vê muito pouco hoje em dia!
EU ACREDITO que a maneira de fazer política é só uma, com total dedicação ao interesse público, disponibilidade total para prestar contas da acção política aos eleitores, servir a comunidade sem cair na tentação de se servir!
Sem ter pretensões de conhecer de forma rigorosa a totalidade dos governantes ou dos deputados, EU ACREDITO que outros saberão ser, em funções de serviço público, merecedores de idêntico reconhecimento ao que acabo de fazer a Ricardo Leite.
Mas, infelizmente, conheço muitos deputados, governantes e autarcas que não se encaixam nesta definição, antes exibem uma despudorada utilização abusiva da sua condição de eleito, com um total desprezo por quem o elegeu!
Miguel Relvas é um caso que merece que utilizemos “dois ou três” parágrafos para analisar.
Acredito que apenas tenha aproveitado uma frincha legal para a sua licenciatura relâmpago e que na essência a legalidade não tenha saído beliscada.
Já a legitimidade, essa desvaneceu-se à velocidade da luz…
Lembro-me muito bem o quanto me custou fazer 53 cadeiras semestrais para concluir a minha licenciatura em Engenharia no Instituto Superior Técnico e por isso tenho muita dificuldade em conviver com o conceito das “Novas Oportunidades”…
Mas há um aspecto que não entendo, e esse prende-se com a moral e a ética política, que nos dias de hoje parece ser uma ciência da antiguidade grega…
Miguel Relvas ainda não percebeu o mal que está a fazer ao PSD, ao Governo e ao Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, agarrando-se ao poder e transportando para ele uma infindável fonte de anedotas e piadas?
De que espera para apresentar a demissão?
A dança de cadeiras nas próximas eleições autárquicas é outro exemplo do quanto urge o regresso da ética e da moral à política nacional.
É ver os autarcas “pseudo” vencedores chegados ao limite legal de se candidatarem no município onde foram eleitos pelo menos três mandatos a mudarem de armas e bagagens para outro, contrariando, com o beneplácito do PSD e do PS, o espírito da lei que pretendeu delimitar o número de mandatos dos Presidentes de Câmara.
É uma farsa, uma trapaça eleitoral que se prepara com o maior dos despudores!
Aborrece-me solenemente verificar que o pensamento ético que parece ter abandonando o PSD apenas se mantém ainda no CDS – PP, único Partido que demonstra sérias dúvidas à dança das cadeiras…
Daqui a minha homenagem para os Homens como Rui Rio, que chega ao fim do seu terceiro mandato de cabeça erguida e com trabalho feito sem colocar qualquer hipótese de se transferir para outro município.
Em Cascais, a ética e a moral são miragens que não se vê forma de fazer renascer sem desconstruir o actual modelo de poder.
Todos os representantes dos partidos com assento na Câmara Municipal de Cascais estão envolvidos nas teias das benesses e interesses criados por Carlos Carreiras e não se vê forma nem vontade de aparecer um movimento interno num dos Partidos que permita contrariar o caminho, perigoso, que o poder em Cascais está a trilhar.
O divórcio existente entre o poder e os eleitores é manifesto.
A existência de “filhos” e “enteados” em Cascais é tão evidente que se torna chocante!
EU ACREDITO na democracia.
Quem acredita como eu, só pode estar preocupado com os momentos que vivemos no País e em Cascais! 

terça-feira, 15 de maio de 2012

COMEÇAR DO ZERO


A política Nacional em geral tem-me deixado algo céptico em relação ao nosso futuro como País.
Os grandes e bons políticos foram ao longo dos tempos afastando-se ou sendo afastados pelos seus pares e hoje, de uma maneira muito transversal a todos os Partidos sem excepção, há uma mediania confrangedora nos nossos políticos com uma ou outra excepção que só serve para confirmar a regra.
Se me causa preocupação e desânimo o que se passa a nível nacional, a nível local considero que a situação que se vive é não só muito preocupante como pode deixar sequelas graves na terra onde nasci – Cascais!
O facto de já ter sido autarca (embora no século passado…) e de ter assumido funções de gestão e administração em empresas municipais e intermunicipais criou em mim, embora racionalmente tente convencer-me que não sou o salvador do mundo e que não vale a pena lutar contra moinhos de vento, um sentimento muito forte que nutro por este cantinho à beira do mar, entalado entre a Sintra e Oeiras, e de que não consigo alhear-me, ou simplesmente ficar quieto, perante o que lá se passa.
Cascais, salvo a imodéstia que esta afirmação possa transparecer, também tem um bocadinho de mim e sinto, como desígnio pessoal, que tenho que, na exacta medida das minhas forças e capacidades, lutar por devolver a dignidade que Cascais e as suas gentes merecem.
Os actuais protagonistas políticos locais deixam, no campo dos princípios, muito a desejar.
Nos primórdios eram os “homens-bons” que eram chamados a desempenhar funções de gestão autárquica.
Os outros homens-bons eram muitas vezes chamados a pronunciar-se sobre temas de interesse local e regional e parecia existir uma gestão democrática ou pelo menos participada pelos líderes de opinião. O enfoque estava sempre colocado no interesse da comunidade, o interesse público.
Hoje o sistema é gerido nos antípodas desta realidade.
Actualmente a gestão em Cascais é feita não seguindo o primado do interesse da comunidade mas antes sobre a “ditadura” do marketing político eleitoral com um principal e destacado objectivo: a eleição do actual Presidente de Câmara num novo mandato de 4 anos.
Ora o interesse público não pode passar pela subjugação aos interesses individuais de uma pessoa ou de um grupo!
Os dinheiros que se estão a gastar de forma desbragada para promover o Dr. Carlos Carreiras fazem falta para resolver problemas graves na comunidade cascalense. Em tempos de parcos recursos temos que ser parcimoniosos e contidos nos gastos. Acrescento eu, seja em tempos de vacas gordas ou de vacas magras, não é aceitável que os recursos que são de todos não sejam aplicados para benefício de todos!
Esta forma de gestão em Cascais tem criado coisas manifestamente reprováveis.
A gestão hoje não espera contributos de ninguém. Os líderes de opinião locais são calados e por vezes até incomodados quando se atrevem a opinar.
Preparam-se algumas simulações de democracia, como é o triste exemplo do Orçamento Participativo, mas em que se garante sempre o controlo das opiniões.
Em muitas situações, está-se ao nível do que de pior aconteceu nos tempos da ditadura!
Não acredito, nem aceito, que a gestão da minha terra possa ser feita com base em verdades absolutas, o poder decide e os cidadãos obedecem, a opinião das pessoas não interesse!
A democracia tem que ser reinventada.
Os Partidos que souberem ler estes sinais terão a vantagem de poder continuar a participar no poder e na gestão da coisa pública.
As pessoas, os munícipes, fartos de tanto desmando e de más decisões em seu nome, estão a ficar fartas!
As associações cívicas vão ser chamadas a ter um papel preponderante na reinvenção da democracia e da participação dos munícipes nas decisões que são tomadas na gestão da sua terra.
Pessoalmente antevejo a criação de uma dinâmica de reavaliação dos processos políticos, a necessidade de democratizar o pensamento e a definição de soluções para o desenvolvimento local, quer em termos económicos, quer sociais quer mesmo ambientais!
O poder vai ter que voltar a ser exercido com as pessoas e para as pessoas.
Isto acontece, não porque se afirma anedoticamente até à exaustão que temos uma “câmara elevada às pessoas” mas porque temos que poder garantir que as pessoas passam a ter voz nas decisões, os líderes de opinião nas colectividades, nas IPSS, no comércio local, são chamados a participar no processo de  tomada de decisão e não apenas para ir cantar loas ao Presidente!
O Poder autárquico vai ter que focar de novo os seus objectivos, voltar a dar a primazia às pessoas e às intervenções a fazer no território e na organização dos espaços, para dar resposta às suas necessidades com vista a viver com qualidade em Cascais.
Os autarcas vão ter que encontrar respostas ao crescimento da qualidade social dos habitantes de Cascais, saber agilizar os investimentos e os apoios para a educação, a actividade cultural e desportiva e a criação de apoios aos mais carenciados. Mas vão ter também que encontrar soluções para revitalizar o crescimento económico do concelho, criar condições efectivas para o ressurgimento de oportunidades de emprego e ordenar o território de forma a que essas respostas surjam em condições adequadas de crescimento sem pôr em causa a sua qualidade ambiental. Também a mobilidade dentro do território de Cascais e as suas ligações com os concelhos limítrofes têm que ser revistas e melhoradas sob pena de aí residir um aspecto claramente atrofiante do desenvolvimento económico pretendido.
Ora este tipo de intervenções não se fazem por inspiração divina.
Já começamos todos a estar fartos de salvadores!
É preciso envolver as pessoas, fazê-las sentir parte da solução. Só com uma gestão participada por todos, em que a todos é permitido o contributo e a opinião se consegue efectivamente criar uma dinâmica imparável rumo ao sucesso e ao desenvolvimento harmonioso social, económico e ambiental.
Lamentavelmente, não sinto condições para que tal venha a acontecer em Cascais com os actuais protagonistas políticos, nomeadamente do PSD.
Carlos Carreiras e a sua equipa estão a comportar-se como eucaliptos, nada consegue florescer à sua volta, excepto os próprios eucaliptos!
Resta aos mais inconformados encontrar alternativas que permitam corrigir este tipo de situações.
Pela minha parte estou disponível para contribuir para mudar algo em Cascais…




terça-feira, 3 de abril de 2012

AINDA A SITUAÇÃO FINANCEIRA DA CÂMARA DE CASCAIS




Num texto editado no passado dia 13 de Fevereiro referia aqui alguma preocupação com a saúde financeira da Câmara Municipal de Cascais e com a forma pouco pensada e algo temerária como se estava a fazer a gestão financeira da CMC.
Recentemente, novos dados vieram agravar, e muito, as preocupações com este tema.
A Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas editou o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses referente a 2010 que, pelo que se vê de Cascais, não indicia nada de bom.
Quero aqui deixar uma referência prévia de que não estou nada preocupado com o conceito de ranking nacional. O melhor ou o pior município do País sobre seja qual for o aspecto, terá sempre uma importância relativa.
Cada município tem realidades diferentes, tem necessidades diferentes, o estágio da resolução dos problemas mais pertinentes dessas populações são também muito diferentes pelo que ser primeiro ou último de per si pouca importância tem.
Já a análise substantiva dos números pode e deve deixar os cascalenses preocupados.
A independência financeira, calculada pelo rácio receitas próprias/receitas totais tem vindo a diminuir. Em 2008 chegou a ser 80% para passar em 2010 para 70%.
De um passivo exigível em 2006 de 35 milhões de euros chegámos a 2010 com um montante de 92,7 milhões. Para um município que tem um orçamento de 170 milhões…
Quando analisada a liquidez, Cascais é das autarquias em pior condições (logo a seguir a Lisboa e Portimão!) com um valor negativo em 2010 no montante de – 60.267.735 €.
A evolução verificada desde 2006 é assustadora e corrobora o que temos afirmado acerca da “gestão?” financeira da Câmara de Cascais neste último mandato.
Evolução da liquidez
2006
2007
2008
2009
2010
5.326.508 €
14.463.299 €
13.948.160 €
- 33.856.777 €
- 60.267.735 €

O município de Cascais apresenta ainda, a acumular com esta situação, problemas graves com algumas das empresas municipais e um problema gravíssimo e de contornos ainda muito nebulosos com a empresa intermunicipal Tratolixo, cujas responsabilidades são imputáveis em 30% à Câmara Municipal de Cascais.
Atente-se no quadro seguinte, referente ao passivo exigível:
Passivo exigível
Empresas Municipais e Intermunicipais
empresa
Valor (€)
Responsabilidade da CMC (€)
Tratolixo
151.406.095
45.421.828
EMAC
13.096.692
13.096.692
ESUC
8.043.153
8.043.153
ETE
3.875.540
3.875.540
Ar Cascais
894.992
894.992
Fortaleza
156.605
156.605
Total

71.488.810
Fazendo uma conta simples, verifica-se que a totalidade do Passivo Exigível da Câmara Municipal de Cascais (CMC + EM’s + EIM’s) é superior a 164 milhões de euros!
Estes números, pelas informações que dispomos, têm-se vindo a agravar.
Estes mesmos números contrariam as afirmações dos responsáveis do município de Cascais que não se cansam de afirmar que Cascais tem uma situação financeira muito boa!
Não sendo financeiro, não é essa a minha formação, mas podia vir o prémio Nobel da Economia dizer que Cascais tinha uma excelente situação financeira que eu não acreditava!
Mas a grande questão, aquela que nos faz pensar que o futuro de Cascais pode ser gravemente comprometido, prende-se com a catadupa de notícias que têm vindo a lume, dando como certo um vultuoso e diversificado investimento da CMC em aquisição de diverso património.
É a aquisição do Hospital António José de Almeida e a bateria da Parede,
é a Residencial Pasi,
são os terrenos junto ao aeródromo de Tires e do autódromo do Estoril,
A compra do velho hospital de Cascais;
Protocolo para encontrar terreno para a construção do campus de Economia da Nova;
- São as PPP com a CMC a responsabilizar-se pela Construção de Esquadras da Polícia e a  aquisição de viaturas e material informático para as forças de segurança;
Onde é que o Município de Cascais vai arranjar dinheiro para isto tudo?
Há uma clara costela megalómana no actual Presidente da Câmara de Cascais ao querer ser o primeiro, o melhor, o mais eficaz, o mais empreendedor, o mais amigo do Governo, o mais visionário!
Ter ideias, ter vontade e dinamismo são ingredientes fundamentais para construir um bom Presidente de Câmara.
Mas, ser ponderado, rigoroso e cauteloso na gestão financeira também.
Só as três primeiras, é curto, muito curto. E perigoso, muito mas mesmo muito perigoso!