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sexta-feira, 11 de março de 2016

VOLTAR AO PSD CASCAIS

Um ex companheiro de partido (PSD) disse-me a semana passada que eu devia voltar ao PSD, que os Partidos só podem ser mudados por dentro, que eu sou em essência um social-democrata, que pessoas como eu fazem falta no PSD e para despedida desferiu-me um reparo do tipo “…sim, e nós (PSD) perdemos a maioria na união de freguesias de Carcavelos Parede por causa da tua lista do Ser Cascais…”
Eu ri-me para ele, e disse-lhe que ia pensar no assunto…
Tanta lisonja até pode fazer mal…
Mas dei comigo a pensar no assunto, nas razões porque alguma vez o faria ou porque não sentiria vontade de o fazer.
Tenho bons amigos no PSD, gente que muito considero e que espero que também eles continuem a considerar-me seu amigo.
Tenho também bons amigos com outras filiações partidárias e tal fato nunca foi impeditivo que a amizade existente se mantenha ou até fortaleça!
Mas um Partido não pode ser um grupo de amigos.
Um Partido tem que ter uma carga ideológica, um Partido faz política, um Partido luta pelo poder para que o possa exercer em nome dos cidadãos que, pelo voto, os mandatam para gerir os destinos do país ou de uma qualquer autarquia.
Mas um Partido tem que funcionar em democracia, tem que ser internamente o espelho do que é a atuação do Partido no uso do mandato pelo voto dos cidadãos.
Ora o PSD há muito tempo que deixou de ter um funcionamento democrático em Cascais e no País!
E se foi Cascais que me fez escrever uma carta de demissão, confesso que o que tenho visto na direção nacional do Partido não é muito diferente!
O que me incomoda é que os militantes deixaram de ter espaço onde possam expressar opinião e depois abdicaram de ter opinião.
Desde que quem manda, garanta o acesso ao poder, pouco importa de que forma manda ou o que faz!
No meu entendimento não pode ser assim.
Recordo o último Plenário do PSD a que fui antes de abandonar o Partido. Das setenta pessoas que estavam presentes, mais de cinquenta detinham lugares de nomeação política (administradores de empresas municipais, autarcas, assessores) dependentes do Presidente da Câmara que, “só por acaso”, era na altura também o Presidente da Concelhia do PSD.
A única voz dissonante naquele Plenário, que fez uma intervenção a discordar de uma ou outra medida que então estava a ser implementada, foi agredido verbalmente, enxovalhado e claramente amaldiçoado e proscrito!
Os restantes, ou abandonaram a sala (acho que fui só eu) ou ficaram calados a acenar com a cabeça em sinal de concordância…
Este é o tipo de comportamento que existe atualmente no PSD.
Hoje uma boa parte dos militantes parece olhar para os Partidos como se olha para um Clube de Futebol.
Somos do Benfica ou do Sporting porque sim. Nas discussões de “futebolada” não interessa nada quem é melhor, quem jogou bem ou quem marcou golos, a nossa equipa se ganhou, ganhou bem, e se perdeu foi certamente roubada…
Um Partido não pode ser vivido assim.
A política é demasiado nobre e tem demasiada importância na vida das pessoas para que a olhemos de forma acéfala!
Eu já fui Presidente da Concelhia do PSD de Cascais, julgo que ainda estará lá numa parede a minha foto entre as de todos os outros que ocuparam o cargo, e naquele tempo já longínquo, não era assim que as coisas se passavam!
Os tempos são outros mas a Política, tal como era feita na altura, não perdeu atualidade.
Por isso julgo que estou em condições de responder à pergunta que me coloquei.
Vou ser capaz de voltar ao PSD?
Não me parece. Não vou querer fazer parte de um Partido onde as pessoas deixaram de ter opinião própria e de ter coragem de a afirmar.

Há uma grande diferença entre liderança política e pastoreio!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

UM CONTRIBUTO PARA BARALHAR

Uma prévia declaração de interesses:
Nutro simpatia por Pedro Passos Coelho, com quem tive a oportunidade de privar nos gloriosos tempos da JSD e mais tarde eu como Presidente do Conselho de Administração da Tratolixo e ele como Administrador de um grupo que detinha um Aterro Sanitário com quem a Tratolixo manteve negócios.
A serenidade do Pedro sempre me inspirou, gostava da sua maneira de ver e estar na política e a forma assertiva como enfrentava os problemas e tomava decisões.
Quando da sua caminhada rumo à Presidência do PSD estive na apresentação do seu livro e, embora não concordando com todas as teses nele contidas, relevei a coragem de assumir uma opinião sobre os temas, tão em desuso nos nossos dirigentes partidários.
Mas infelizmente houve um momento que me causou um profundo incómodo e me fez decidir pelo não apoio da sua candidatura. Quando verifiquei quem eram “os meninos e meninas” que se perfilavam como sua entourage, Relvas, Carreiras, Pinto Luz e quejandos, percebi que a esperança estava praticamente perdida.
Infelizmente tive razão.
Ainda valeu uma última réstia de esperança que a determinação e convicções firmes de Pedro Passos Coelho se sobrepusessem às más influências do “pessoal dos bastidores” mas não foi isso que aconteceu.
Pedro Passos Coelho podia ter marcado a diferença para uma nova forma de fazer política, em nome de Portugal e dos Portugueses e não em nome de mesquinhos e obscuros interesses, mas não foi isso a que assistimos.
Momento alto para ter marcado esta diferença foi no início do mandato.
Deveria ter optado por chamar o PS, então vergado pelo peso da derrota eleitoral alcançada, e tratar de encontrar um denominador comum ao bloco central dos interesses para os grandes temas nacionais.
Que projeto de país, que solução para a Segurança Social, que modelos para a Justiça, a Educação e a Saúde, são questões que não podem ser alvo de mudanças estratégicas de 4 em 4 anos!
Isto são assuntos estruturantes para o país e exigem um amplo consenso nacional! 
Acreditei que Pedro Passos Coelho tivesse a coragem de, mesmo contra os galos da sua capoeira, conseguir colocar em primeiro lugar os interesses do país.
Mas não.
A opção foi explorar até à exaustão a culpa, o passado, o que estava mal e por culpa de quem, e o país teve que esperar…
Mais do mesmo.
E isto leva-me ao seguinte raciocínio:
Nem no PSD, nem no CDS ou no PS existem pessoas com a capacidade de colocar os interesses do país á frente dos seus próprios interesses ou do Partido em que militam.
Esta é a razão por que não acredito na bondade do voto útil.
Para mim o conceito do voto útil é completamente inútil e nocivo para o futuro do País.
Resolver Portugal, o V Império esperado por Pessoa, vai ter que ser construído fora da lógica dos Partidos do “centrão”!
A matemática diz-nos que um conjunto de pequenos bocados, somados, pode ser igual à unidade.
Tentemos desta vez dar voz aos Partidos sem experiência parlamentar. Tentemos votar pelas propostas que nos façam e não na perspectiva da sondagem que aponta que vai ganhar A, B ou C!
Se formos exigentes, se soubermos sair da nossa zona de conforto e nos envolvermos na solução, acredito que é possível colocar este País outra vez nos carris.
Há pequenos Partidos com propostas engraçadas, bem pensadas.
Há soluções interessantes para a reorganização do estado, para a alteração da lei eleitoral, para a educação, para a saúde, para o ambiente. Se já estamos habituados que as propostas dos Partidos do arco governativo nunca são para cumprir, porque não experimentar diferente desta vez?
E atente-se que 50% do eleitorado já deixou de ir votos. E se uma boa parte decidir voltar ao exercício do seu direito inalienável de votar e votar fora dos Partidos do arco do poder?
Poderia estar aqui a refundação da nossa apodrecida democracia…
Baralhar as contas no Parlamento pode bem significar que o povo português possa finalmente tirar o “pé do penico”…
Vamos experimentar?