domingo, 27 de maio de 2018

EM CASCAIS, EM PRIMEIRO AS “TRENDS”


Cascais segue definitivamente um caminho de costas voltadas para os seus munícipes.
As políticas implementadas por Carlos Carreiras e o seu executivo demonstram um total desprezo pelos residentes no concelho adotando medidas que visam apenas o reconhecimento nacional, a inclusão nas últimas tendências, o reconhecimento e aplauso dos opinion makers.
Cumprir aquele que deveria ser o primeiro objetivo de uma Câmara, que é zelar pelos interesses dos seus munícipes, daqueles que “pagam as festas” com os seus impostos, aparece em último lugar nas prioridades desta Câmara. A exceção abre-se apenas a seis meses do período eleitoral onde não há ciclovia, jardim ou passeio que não seja remexido à pressa como postal para guardar no dia das eleições autárquicas!...
Isto é possível porque os tempos que correm permitem conjugar a falta de escrúpulos da equipa que dirige os destinos do executivo social democrata em Cascais com a apatia, a falta de escrutínio instalado no povo português, e também na população de Cascais.
As pessoas desistiram de se indignar.
Os exemplos são inúmeros mas uma reunião que tive esta semana á noite em Parede que me obrigou a perder 20 minutos da minha vida para conseguir estacionar o meu carro sem importunar a circulação viária, embora em local passível de ser multado (duas rodas em cima do passeio e a impedir o acesso fácil ao ecoponto) relembrou-me o assunto estacionamento.
A política desenvolvida por Carreiras nesta matéria é simples: se há pouco estacionamento vamos taxá-lo com parquímetros, a procura é grande a oferta é pouca, dinheiro em caixa!
As tendências modernas aconselham (e bem!) que se cuide das acessibilidades e da mobilidade das pessoas com deficiência pelo que então vamos restringir a utilização dos passeios com ocupação de carros, colocando pilaretes. Medida correta na preservação dos direitos e das condições de vida para as pessoas com mobilidade reduzida mas que implica uma ainda maior redução de lugares de estacionamento disponíveis.
Perguntas que se podem colocar:
·         Os detentores de viatura própria não têm direito a ter estacionamento nas proximidades das suas residências, em número suficiente para as suas viaturas e eventualmente algum visitante?
·         O IMI que pagamos não nos dá direito a ter estacionamento suficiente para a nossa residência?
·         O IUC que pagamos da nossa viatura também não nos garante o direito a termos estacionamento em quantidade suficiente quando nos deslocamos na urbe?
·         De quem é a responsabilidade de garantir o adequado ordenamento do território?
·         De quem é a responsabilidade do licenciamento das habitações e dos edifícios de comércio e serviços?
Este é o meu ponto.
A Câmara, o executivo da Câmara é responsável por dar resposta a esta carência!
No passado licenciaram-se fogos com poucos ou nenhuns lugares de estacionamento, hoje a população tem maior número de viaturas próprias e portanto maior necessidade de lugares de estacionamento, duas verdades indesmentíveis.
Quem gere o dinheiro dos nossos impostos para nos garantir respostas adequadas aos nossos problemas, para assegurar uma adequada qualidade de vida, é a Câmara portanto, enquanto entidade responsável, é a Câmara Municipal e o seu executivo que tem que encontrar respostas para estes e outros problemas dos habitantes, dos munícipes.
Em Cascais, tudo isto é gerido ao contrário. Colocam-se parquímetros nas praias, nas zonas residenciais e claro nos centros das localidades de Cascais.
Experimentem ir à Parede com viatura própria e depois contem-me o resultado! Mas vão com tempo, porque vão precisar de muito!
O estacionamento é um direito da população. Se não há suficiente estacionamento para a procura é à Câmara Municipal que compete encontrar soluções.
Criem-se silos automóveis nos centros das localidades, ou parques de estacionamento nas periferias e crie-se sistemas de mobilidade.
Mas não arranjem mais soluções tipo Mobicascais. Auscultem primeiro as pessoas, o que estão disponíveis para utilizar e em que condições.
Autocarros e minibus a circular vazios no concelho de Cascais já temos em excesso!...


sexta-feira, 18 de maio de 2018

NOVA CASCAIS – O BETÃO, SEMPRE O BETÃO!


(infografia inserida no Jornal Expresso – 7/01/2018)
No início de janeiro Carlos Carreiras e Miguel Pinto Luz quiseram utilizar o Jornal Expresso para apresentar aquilo que apelidaram, não sei se eles se o jornalista, de Nova Cascais.
A tónica de toda a notícia carrega um exagerado entusiasmo com a pretensa revolução que a autarquia de Cascais planeou realizar.
Vale a pena olhar com atenção e perceber os pormenores, acima de tudo quem ganha e quem perde com tudo isto.
Cascais ganhou uma notícia num jornal de referência, pouco mais do que isso, em minha opinião.
Olhemos primeiro para a infografia. O que tem de errado?
Só metade do concelho tem direito a “ser nova”!
As freguesias de Alcabideche e de S. Domingos de Rana vão continuar a fazer parte da velha Cascais. A parte desprezada, onde pouco ou nada acontece, para onde o dinheiro e a atenção da Câmara de Cascais vai a conta-gotas!
Dos investimentos anunciados só um está a norte da autoestrada e esse existe desde 1964 – O aeroporto de Tires!
Para quem queira pensar em Cascais como um todo, esta tendência, que não é de agora, não tem uma explicação fácil.
Por muito que me custe, acabo por ter que dar toda a razão ao discurso que defende que existem duas Cascais – A dos ricos, do turismo, do casino, das praias, e a dos pobres, dos bairros sociais, dos bairros clandestinos, do mau ordenamento de território e da péssima oferta de condições de mobilidade.
O interior de Cascais, a norte da autoestrada, merecia outra atenção, merecia um plano de desenvolvimento no interior do concelho, onde ainda há terrenos disponíveis para pensar grande, para criar polos empresariais ligados a serviços e a novas tecnologias, onde fosse possível criar novos empregos e permitisse fixar em Cascais uma boa parte dos recursos humanos que habitando em Cascais continuam todos os dias a ter que perder 2 ou 3 horas nas deslocações para Lisboa ou para Oeiras!
Mas para que um plano destes tivesse a mínima hipótese de sucesso obrigava a que a Câmara, Carlos Carreiras e a sua equipa, se preocupassem em criar acessibilidades que permitissem fluxos horizontais (ligação a Oeiras e a Lisboa) e fluxos verticais (ligações a Sintra).
Obviamente que nenhuma empresa se instala num sítio onde os acessos sejam obsoletos e sem condições.
É por isso que no eixo Alcabideche / Manique / Trajouce a única empresa com dimensão ali instalada é o Complexo da CMC em Alcoitão e no eixo vertical S. Domingos de Rana / Abóboda / Trajouce a esmagadora maioria das médias e pequenas empresas ali existentes procuraram novos locais com melhor acessibilidade.
Já experimentaram fazer a estrada S. Domingos de Rana Trajouce entre as 7h e as 21h? Se ainda não, experimentem e vão perceber do que falo!
A conclusão da longitudinal norte, a variante de Trajouce, são dois exemplos de investimentos viários estruturantes que continuam a não sair do papel.
Para os munícipes de Alcabideche e de S. Domingos de Rana sobram umas migalhas, que serão mais visíveis perto das próximas eleições autárquicas!
Mas e o plano que vai transformar a parte a sul da autoestrada do concelho de Cascais, em que medida vai alterar, beneficiar os munícipes de Cascais, Estoril, Parede e Carcavelos?
Não sei se os investidores dos empreendimentos ou os administradores das empresas que irão construir todos estes edifícios são munícipes destas freguesias mas tenho uma triste notícia para vos dar – Tirando os promotores e investidores e os construtores não vejo mais ninguém que saia beneficiado com todo este betão anunciado! Para eles o benefício parece-me bem avultado mas para o munícipe, o pagador de impostos, nada!
Os investimentos em Carcavelos / Parede – School of Business, cerca de 1000 fogos na Quinta dos Ingleses, centro comercial, hotéis, vão descaraterizar aquela zona, vão promover uma pressão sobre a estrada Marginal, vão alterar as condições e a qualidade da praia de Carcavelos, vão transformar a entrada do concelho de Cascais numa Brandoa à beira mar!
E há um balanço que ainda não foi feito mas merecia ser quanto antes. O que vai acontecer ao comércio tradicional de Carcavelos?
E depois a entrada em Cascais.
Betão na antiga discoteca Bauhaus, betão no Jumbo, betão na Marina, betão no Hotel Nau, betão na Praça de Touros, com tanto betão, qual o real benefício para os munícipes de Cascais, os pagadores de impostos?
O caso do projeto do Jumbo merece até um pouco de atenção adicional.
O projeto inicial do Cascais Vila previa o cruzamento com a avenida de Sintra desnivelado. Por obra e graça de José Luís Judas acabou por ficar de nível e contribuir até hoje para a meia hora necessária para entrar na Vila de Cascais.
Agora, este projeto do Jumbo, transforma aquela zona em mais um número assinalável de apartamentos, que irão beneficiar alguém, mas para o cruzamento não vai sobrar nada, fica tudo igual. A única diferença é que os automobilistas na meia hora de espera para entrar em Cascais passam a ter “uma paisagem verde”…
Em Cascais, na Câmara Municipal, o PSD caiu em 1994 por causa do betão, José Luís Judas caiu em 2001 por causa do betão.
No último caso, Carlos Carreiras, então entusiasta promotor de uma Associação Cívica que combateu sem quartel José Luís Judas por causa do betão, vem agora anunciar com pompa e circunstância uma nova Cascais com uma invasão de betão? A isto podemos chamar o quê? “Coerência”?
Mas tudo isto é sintoma da apatia da maioria dos munícipes de Cascais. Olham para estas notícias e encolhem os ombros.
Quando despertarem, poderá ser tarde demais!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Cascais, a cegueira e a política!


Cascais anuncia no Fórum Nacional de Resíduos que terá lugar em Abril uma “revolução” na recolha de resíduos.

http://www.ambienteonline.pt/canal/detalhe/cascais

A grande novidade é afinal uma versão “made in Taiwan” do que foi testado com sucesso pela Tratolixo em 2006 e que por teimosia foi abandonado por pressão de Carlos Carreiras e Isaltino Morais.

Tentemos de forma resumida colocar o problema e as soluções plausíveis.

Há uma clara necessidade de resolver de forma autónoma os resíduos orgânicos (vulgarmente apelidados de restos de comida ou de forma mais técnica RUB - resíduos urbanos biodegradáveis). É um assunto que tem vindo a constar de metas estabelecidas pela comunidade europeia e que Portugal tem vindo a ignorar.

Com este objetivo, o desenho traçado na elaboração do Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra em 2003, de que me orgulho de ter sido um dos responsáveis pela elaboração, definiu uma estratégia para a recolha autónoma deste tipo de resíduos e a construção de uma Central de Digestão Anaeróbia para receber e tratar os RUB, obtendo como produtos finais um aditivo orgânico para a agricultura e a produção de energia elétrica.

Em 2006 foram realizados vários testes piloto, com recolha de RUB em contentorização colectiva (Cacém e Polima) e com recolha porta-a-porta (Matocheirinhos) com resultados muito promissores.

Mas em 2007, Carlos Carreiras liderou uma campanha contra a atividade desenvolvida pela Tratolixo colocando duas condições que viriam a ditar o fim do Plano Estratégico de Resíduos tal como estava a ser implementado: a exigência de que as recolhas seletivas fossem asseguradas pelas Câmaras e não pela Tratolixo e que as ações de sensibilização deixassem de ser executadas pela Tratolixo e passassem também a ser geridas pelas Câmaras.

O concurso público internacional para a construção da Central de Digestão Anaeróbia já tinha sido aberto, sendo a unidade prevista para trabalhar com RUB recolhidos seletivamente.

Sem recolha seletiva de RUB, porque Carreiras e companhia achava que era uma “modernice desnecessária”, foi necessário introduzir alterações no projeto da Central de Digestão Anaeróbia para passar a receber RSU indiferenciado que custaram ao erário público, ou seja aos munícipes destes 4 concelhos, a módica quantia de 10 milhões de euros e uma derrapagem de mais um ano na conclusão daquela unidade. Durante este ano há que juntar os custos de transporte e tratamento dos Resíduos que não foram tratados na CDA e foram transferidos para outras unidades…

Passados 12 anos, eis que voltam à carga com a necessidade de recolha seletiva de RUB.

Em contentores autónomos de grande capacidade?

Em recolha porta-a-porta?

Não! A nova estratégia é fazer a recolha em sacos de cor diferente mas no circuito dos RSU indiferenciados.

Que ideia mais peregrina!

Dizem os “experts” que a separação dos sacos de RUB do restante RSU indiferenciado será feita na Tratolixo.

Uma ideia destas só podia vir de alguém que não faz a mais pequena ideia do que são as condições de trabalho na receção dos RSU na Tratolixo.

Doze anos para conceber uma alternativa destas?

A recolha de RUB sem ser em contentorização autónoma está condenada ao fracasso.

Mas vale a pena discutir um pouco o que se vai pedir aos munícipes e a troco de quê.

A conta que todos os munícipes de Cascais pagam de resíduos está bem visível na conta da água. No entanto, como esse valor é calculado em função da água consumida, trate-se de um munícipe consciencioso, que separa as várias fileiras dos seus resíduos ou não tenha qualquer preocupação na separação na origem, o valor a pagar é o mesmo.

Como os recicláveis são valorizáveis e os rsu indiferenciados exigem tratamento, os custos respetivos não são iguais. Podemos pois afirmar que o munícipe consciencioso, que separa os seus resíduos, embora tenha mais trabalho, financia a não preocupação do munícipe que não separa.

Digamos que é “um prémio” que o município de Cascais atribui aos seus melhores munícipes…

Mas há mais. As Câmaras continuam a olhar para os seus munícipes com um certo desprezo que é inaceitável. As soluções encontradas têm sempre preocupações de tornar as tarefas mais fáceis para os serviços camarários do que para os munícipes que são quem pagam isto tudo!

Da contentorização porta-a-porta passou-se para a contentorização de 800 litros e depois para a contentorização enterrada com capacidades de 3 ou 5 m3. Em cada passo evolutivo a contentorização foi ficando mais longe do munícipe.

Quem separa tem menos oferta de contentorização para os resíduos separados do que quem não separa. Onde é que está a lógica?

O cumpridor é que é castigado?

Diz o velho ditado que não há pior cego do que aquele que não quer ver.
Em Cascais a cegueira parece ser regra…

(Publicado em Cascais 24 a 13 de Março de 2018)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A ERA DO PAPAGAIO


Aviso: Se faz parte das pessoas que não tem por hábito pensar antes de formular uma opinião, não deve ler esta reflexão. Como reflexão que é, o autor pretende apenas expor um estado de alma e não tem qualquer objetivo de agredir ou ofender o leitor, muito menos de transformar este escrito num ato de sobranceria inusitada. Se vive nestas condições não leia isto, POR FAVOR!

Hoje vivemos numa sociedade imediatista, e perdemos, a maioria de nós perdeu, a capacidade de pensar, refletir sobre os assuntos antes de emitir uma opinião.
Perdemos também a capacidade crítica de análise do que nos rodeia e de agir para transformar o mundo.
Perdemos a iniciativa. Hoje flutuamos ao longo dos dias nos fatos que nos rodeiam sem a mínima vontade de influir no nosso destino. Viajamos na maionese diária, no corrupio que se agita à nossa volta mas sempre na condição de espetador e não de ator principal.
Perdemos a capacidade crítica de julgar os nossos representantes e de ajustar contas com eles nos atos eleitorais. Os que votam, votam numa lógica de grupo a que pertencem, os que não votam desistiram de fazer valer a sua vontade e pior do que isso, deixaram de acreditar que outros possam fazer diferente e melhor.
Vivemos na era do “Papagaio”.
As redes sociais hoje são uma clara demonstração disso.
A maioria dos intervenientes repetem ideias já expressas, muitas vezes pouco ou nada refletidas, e que demonstram formas apressadas de ver um determinado problema ou apenas uma faceta desse problema.
Hoje falamos e escrevemos sem pensar. Copiamos ideias feitas ou escritas sem uma análise crítica que a transforme numa ideia também nossa.
Tal como os papagaios, repetimos palavras, ideias, mas não sentimos o seu significado.
Defendemos, por vezes até de forma agressiva e abnegada, as ideias e os atos do nosso Partido, as cores e os atos do nosso clube, o ambiente, a defesa dos animais, mas não perdemos 1 minuto que seja a refletir sobre a justeza desses princípios nem a forma como acabamos por julgar e condenar os que não estejam muito sintonizados com eles.
Há sinais de regressão clara sobre a teoria de que o homem é um ser inteligente capaz de desenvolver raciocínios autónomos.
Cada vez mais uns poucos que nos apanharam o fraco se transformam em “líderes de opinião” e o resto, qual manada, lá segue de forma ordeira o caminho que nos indicam e que, se ousássemos parar para pensar um pouco, veríamos o quanto errado é o caminho que somos levados a trilhar.
Não sei se vamos conseguir ultrapassar este torpor.
O sucesso de tantos canais televisivos de análise de “futebolês”, a participação histriónica de tanta gente nas campanhas de defesa do gatinho ou dos plásticos no mar, indicam-nos que a nossa sociedade está gravemente contaminada com o efeito papagaio.
E o smile ou a afirmação inflamada de condenação nas redes sociais resume a capacidade de atuação e participação da esmagadora maioria dos cidadãos.
É muito pobre!
Os que contrariaram o aviso inicial e estão a ler esta reflexão poderão então perguntar: e que solução propõe o autor?
Sem uma mudança de mentalidades, sem voltarmos a encontrar o prazer de pensar, de formular uma opinião refletida, não vejo grande forma de contrariar este estado de coisas.
Mas é urgente.
Esta revolução tem que ser promovida nas escolas, nos agentes que de alguma forma lideram processos na sociedade.
Esta revolução tem que acontecer em cada um de nós.
A manter-se esta apatia o mundo será dos espertos. Os espertos da política, os espertos da finança.
O resto, serão apenas vistosos e coloridos…papagaios!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

ESPERANÇA OU DESENCANTO?...


Vivemos tempos muito difíceis.
A sociedade de hoje, com pequeníssimas exceções, deixou de ter futuro, visão, princípios éticos, valores.
Hoje vale o hoje. Sem amanhã.
Hoje contam apenas os sentimentos do momento, a preparação do amanhã só vai ser feita…amanhã.
Os valores hoje não interessam. Não pesam na consciência.
E se as pessoas estão sem valores, o que esperar dos Partidos políticos que são compostos de pessoas?
Nada.
E daí nasce o desinteresse, o afastamento da política.
Os mais de 50% de abstencionistas são pessoas que deixaram de acreditar no sistema, na democracia.
Os Partidos hoje não representam a vontade da população. Os partidos hoje representam a vontade dos políticos que utilizam as suas posições para a obtenção de vantagens pessoais.
Mas para revolucionar os Partidos seria preciso antes revolucionar as mentalidades das pessoas, das pessoas que fazem parte dos Partidos e das restantes que as legitimam pelo voto.
Não se antevê sucesso nos próximos tempos.
Eu lido com jovens, fruto da minha atividade profissional.
A esmagadora maioria dos jovens com quem lido estão completamente desprovidos de ambição, não têm valores, não têm vontade de pensar o amanhã.
Sem valores falta-nos a capacidade de acreditar nos outros. Se vale tudo, então não podemos esperar mais do que nada.
Sem Partidos vocacionados para pensar no País e nas pessoas, com a capacidade de projetar o futuro, resta-nos uma mole de oportunistas que se acomodam nos lugares, os usam em proveito próprio e garantem que os poucos que pensam na comunidade e no futuro de todos são afastados para não atrapalharem o ato de usurpação.
Vivemos isto em Cascais, com exemplos bem definidos no PSD local, mas não será muito difícil estender o raciocínio aos restantes Partidos e no âmbito nacional.
Em Cascais, o PSD foi tomado por dentro, estripado de militantes com capacidade de pensar com a própria cabeça que foram substituídos por yes man, a maioria deles dependentes de empregos ou favores do poder autárquico.
Receita infalível para perpetuar o poder até ao infinito.
Mas o PSD a nível nacional, e os outros Partidos, são réplicas muito semelhantes do que foi desenvolvido, reconheça-se com mestria, por Carlos Carreiras em Cascais.
Não foi por acaso que Relvas tentou empurrar Pinto Luz para uma corrida à presidência do PSD nem que todo aparelho partidário social democrata se uniu em torno de Pedro Santana Lopes.
O aparelho, para continuar a ditar as regras e a receber as mordomias precisa de ter livre acesso à direção partidária.
E aqui, embora arredado das dores social democratas de que me afastei ´há quase cinco anos, confesso a minha surpresa em ver arrecadar uma vitória por parte de Rui Rio.
Rio, o último exorcista de esquemas no PSD nos tempos idos da Presidência do PSD de Marcelo Rebelo de Sousa ganhou de forma inequívoca as eleições no PSD contra o aparelho instalado.
Pode ser uma boa notícia, mas aconselha a prudência que não se embandeire em arco antes de tempo…
Rui Rio, enquanto Secretário Geral do PSD fez uma limpeza a fundo dos cadernos de militantes mas, como é fácil adivinhar, neste momento estão provavelmente piores do que no tempo em que produziu a limpeza.
Por isso há que esperar. Que Rio se consiga reunir de gente capaz com princípios e com ética para refundar um Partido que já foi o mais português e hoje será talvez o mais oportunista.
A reforma dos Partidos, e consequentemente da política, tem que começar nas pessoas dos Partidos. Será o PSD a dar o primeiro passo?
Não aposto dinheiro nenhum nisso.
O que conheço do PSD e das pessoas que por lá pululam, rapidamente se adaptam no novo discurso para logo a seguir voltarem às velhas práticas.
Mas se conseguir, ficará provavelmente na história ao lado dos grandes marcos da democracia saída do 25 de Abril.
Gostava sinceramente que isso acontecesse. Que o PSD recentrado na defesa dos valores de uma sociedade solidária, livre e empreendedora voltasse a fazer acreditar na política e nos políticos e por contágio estendesse essa influência aos restantes Partidos.

Vamos aguardar os sinais. Com esperança mas sem uma overdose de expetativa…

domingo, 3 de setembro de 2017

E SE A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CASCAIS DEIXAR DE FAZER DE CONTA?



A memória não pode ser curta.
O que se passou com a aprovação do PPRUCS é demasiado grave e demonstrador do pântano em que vivemos mas que não podemos deixar que este crime seja branqueado, esquecido, relevado!
Plano de Pormenor Sul de Carcavelos
A operação subjacente a este Plano sempre foi discutível. Helena Roseta tomou o primeiro ato administrativo que viria a criar a ideia de irreversibilidade mas Dargent sempre teve muitas dúvidas e empurrou com a barriga, Judas tentou mas a onda de crítica da população foi tal que o fez desistir, Capucho também não mostrou muito entusiasmo em resolver este assunto e Carlos Carreiras, com o seu estilo “Aqui quem manda sou eu” resolveu aprovar este Plano antes do final do seu mandato mas com a garantia que os seus efeitos visíveis não seriam escolho para a sua reeleição… Fica-nos a dúvida do que terá tido maior peso na sua obstinada decisão: o medo de eventual indeminizações a pagar aos detentores do terreno ou a necessidade de ser “amigo” da empresa Alves Ribeiro…
E explico o porquê da dúvida. Como é sabido Carreiras para ter a Business School em Carcavelos expropriou por 162.000 € um terreno avaliado em 8 milhões. Aqui já não parece haver medo das indemnizações ou a diferença está em que a Alves Ribeiro não dispõe de mais terrenos no concelho e os donos do terreno onde a escola está a ser construída têm mais uma série de terrenos que por via de alterações do PDM podem passar a valer muito dinheiro?
Mais de 900 fogos, da estação da CP até à Marginal em Carcavelos. Um crime urbanístico, não encontro outro nome. O impacto na rede viária circundante, o potencial efeito nocivo nos ventos e as consequências catastróficas na praia.
Business School de Carcavelos
Depois o efeito cumulativo da construção do polo da Universidade. A juntar a esta “festa” vêm mais 3 a cinco mil utentes.
Conseguem imaginar o “paraíso automóvel” que a Marginal em Carcavelos vai ser em breve?  
Há no entanto um outro aspeto que deve ser abordado e que no meu entendimento não é de menor importância – o funcionamento dos órgãos autárquicos e a sua falta de democraticidade.
Vivemos numa democracia participativa. Elegemos pessoas, que se apresentam em listas, de Partidos ou de Independentes, e que são eleitos por método de Hondt.
A composição dos órgãos resultam da aplicação destas regras e supostamente representam a composição das várias vontades dos eleitores.
No processo de aprovação do PPERUCS aconteceram coisas que numa sociedade de respeito pelos outros não deveriam acontecer.
A Assembleia da União de Freguesias de Carcavelos e Parede aprovou um voto de rejeição do PPERUCS e encarregou a Presidente da Junta, Zilda Costa e Silva, que dispõe de um lugar na Assembleia Municipal de Cascais por inerência, a votar em conformidade com a decisão da Assembleia de Freguesia.
Qual não é o espanto quando se verifica que Zilda Costa e Silva preza mais a orientação do seu chefe Partidário do que a que os representantes dos eleitores da sua freguesia a encarregaram de fazer!
Um outro membro da Assembleia Municipal, eleito também pela maioria VivaCascais e morador em Carcavelos, ao demonstrar vontade de votar contra o PPERUCS, logo foi “convidado” a pedir a suspensão do seu mandato e por essa via ser substituído por outro que estivesse na disposição de votar a favor! Este deputado municipal é funcionário superior de um organismo da administração central. Na altura em que isto se passa, governo do PSD, Carlos Carreiras Vice Presidente do PSD, percebe-se o risco que a carreira profissional corria…
Isto é o retrato da atual Assembleia Municipal de Cascais. Uma maioria de gente dependente profissionalmente de empresas municipais ou de organismos do Estado e que mais não pode fazer que cumprir as orientações emanadas por Carlos Carreiras!
Não podemos perpetuar mais este estado de coisas!
É preciso ter a consciência de escolher. E escolher bem!
Sei que o cansaço de lutar contra moinhos de vento vai criando desistências, “os políticos são todos a mesma coisa”…
Para mudar, para ter sucesso a mudar, é preciso não desistir.
Precisamos escolher pessoas para os Órgãos Autárquicos que sejam verdadeiramente livres, que não estejam dependentes de agradar a este ou àquele para garantir o emprego, que sejam capazes de assumir como único compromisso representar as pessoas que o elegeram!
A democracia, por definição de Winston Churchill, “é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais”.

Se queremos continuar a viver em democracia temos que fazer mais, porque este caminho que levamos é tudo menos democracia!

domingo, 6 de agosto de 2017

E A SEGURANÇA?

Nos últimos tempos a situação catastrófica vivida em Pedrógão Grande voltou a colocar a Segurança no centro da atenção pública.
E temos muito caminho a percorrer para colocar a Segurança no nível aceitável.
A Segurança vive de meios de minimização e de combate em caso de catástrofe ou acidente grave e de medidas de prevenção.
Pode-se afirmar que ao nível dos meios de combate não estamos mal mas ao nível da prevenção deixamos muito a desejar!
Esta situação deve-se a anos de política rasca, de caça ao voto e de pouca consciência do que é o papel de zelar pelos interesses da população que legitima os eleitos nas sucessivas eleições.
Ninguém vai inaugurar uma faixa de contenção de incêndio mas inaugurar um carro de bombeiros até garrafa de champanhe dá direito!
Neste caso, para se ser justo, o problema da insensibilidade ao problema não é um exclusivo de Cascais, é um problema infelizmente geral.
Mas gostava de assistir a uma profunda alteração na forma de tratar este problema e gostava muito de ver Cascais a ser um exemplo bom disso mesmo.
Mas não é. Cascais é igualzinho aos outros.
As Câmaras têm um conjunto de competências de planeamento, licenciamento e fiscalização que podiam ser determinantes na melhoria significativa de uma política de segurança.
Outras competências estão na mão do governo. Mas não devem as autarquias assumir um papel reivindicativo junto da administração central exigindo publicamente a execução de boas práticas em Segurança?
Gostava de ver Cascais com a mesma genica com que se apressa a resolver problemas do MAI (conclusão do edifício da PSP de Cascais) ou do Ministério da Saúde (aquisição do Hospital José Almeida) exigir que o Ministério do Ambiente trate de urgentemente consolidar as arribas na zona da Guia e da Boca do Inferno ou na Praia da Parede.
A não execução de obras de consolidação das arribas entre a Guia e a Boca do Inferno ainda vai acabar por provocar uma tragédia num dia que um ou mais autocarros carregados de turistas vier parar ao mar por deslizamento de parte da estrada!

Cascais, em caso de sismo, pode vir a sofrer graves consequências. O mesmo é válido em caso de Tsunami. As zonas de Carcavelos, Cascais e Estoril serão seriamente afetadas em caso de Tsunami. E que medidas vemos a Câmara tomar? Bom, pelo menos assistimos neste último mandato ao esforço de Carlos Carreiras em conseguir aprovar uma urbanização em Carcavelos Sul com 900 fogos e à instalação de uma Universidade na mesma zona…
“Uma excelente e conscienciosa medida preventiva”…
Com estas duas medidas Carreiras acrescentou mais 6 ou 7 mil eventuais vítimas!
A Câmara de Cascais não analisa nenhum projeto de estruturas de edifícios nem o cálculo anti sísmico! De forma cómoda passa essa responsabilidade para o projetista e aceita como bom o projeto realizado.
Depois, durante a construção, a maior parte das vezes não fiscaliza se a estrutura construída está de acordo com o projeto!
Esta atitude numa entidade licenciadora e fiscalizadora pode até ter contornos criminosos por omissão!
Moral da história, como habitualmente o projetista e a empresa construtora não são os futuros habitantes das habitações construídas, quem se trama é quem compra gato por lebre sem que a Câmara tenha atuado como entidade garante de boa e correta execução!
Resta pois reconhecer que em caso de sismo e consequente colapso do edifício os habitantes que sobreviverem poderão sempre pedir responsabilidades aos projetistas e às empresas construtoras… No meu ponto de vista é um passa responsabilidades inaceitável!
As Festas do Mar são um exemplo acabado de irresponsabilidade na garantia da segurança de todos os visitantes e assistentes aos vários concertos na esplanada frente ao Hotel Baía.
Qualquer acontecimento imprevisto que cause alarmismo na população ali presente, sem linha de fuga definidas e com capacidade para escoar tanta gente, vai ser uma catástrofe! No dia em que acontecer (e esperemos que não aconteça!) com que cara aparecerá Carlos Carreiras? Mais uma vez virá dizer que a culpa é da oposição?
Diz o velho ditado que “só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja”!
O problema é que estamos a falar de vidas, vidas que se podem perder ou que se podem salvar!

Gostava de ver Cascais por uma vez lutar por um top que interessa à sua comunidade: O Top da SEGURANÇA!