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domingo, 2 de dezembro de 2012

DAR O DITO PELO NÃO DITO…

Na passada semana, Carlos Carreiras, em artigo de opinião publicado no Jornal i, assume uma feroz crítica ao Governo e muito especialmente ao seu muito dilecto amigo e ministro Miguel Relvas a propósito da reforma administrativa em curso.
Subscrevo e aplaudo as críticas formuladas por Carlos Carreiras.
Nem acho interessante colocar o enfoque na alteração profunda de opinião de Carlos Carreiras sobre esta matéria ao longo do último ano.
De defensor acérrimo da reforma, ao ponto de propor contra tudo e principalmente contra todos a sua aplicação em Cascais, com a redução de uma ou duas freguesias entre as seis existentes, até à recente defesa intransigente de não diminuição de freguesias e o ataque feroz à Unidade Técnica do Ministério que propõe a redução de freguesias em Cascais, Carlos Carreiras deu uma volta de 180 graus nas suas convicções expressas e assumidas.
Não me parece relevante.
Carlos Carreiras mudou de opinião.
E depois? Diz o velho ditado que só os burros não mudam de opinião, e Carlos Carreiras pode até ter muitos defeitos mas ser burro não é de certeza um deles!
Já a coerência de Carlos Carreiras, ajustar os actos às palavras, deixa muito a desejar.
Carlos Carreiras quer muito ser Presidente de Câmara de Cascais.
Para atingir esse objectivo, iniciou uma caminhada há sete anos e fez tudo o que estava ao seu alcance para tornar o objectivo realidade. Quando quase todos os passos foram dados, com nomeação deliberada pelo PSD como futuro candidato a Cascais, seria catastrófico para ele ser vitima da má imagem do Governo PSD e perder as eleições em Cascais.
Como S. Pedro com Jesus, Carlos Carreiras irá no próximo ano negar muitas mais vezes este governo.
Ora regressando à coerência de Carlos Carreiras,  o que torna o seu discurso  pífio é a constatação de que as palavras têm valor para ser aplicadas aos outros mas perdem relevância para ser aplicadas nos seus actos de gestão na Câmara de Cascais.
Carlos Carreiras apressou-se a fazer a fusão das Agências e das Empresas Municipais em Cascais mas, desse “corajoso” acto não resultou a redução nem de meio funcionário!
E se os há em demasia no universo da Câmara Municipal de Cascais…
Aquilo que deveria ser um esforço de racionalização de recursos resultou num brutal aumento de custos para mudar todo o estacionário e a imagem das novas empresas resultantes da atabalhoada fusão promovida.
Um amigo meu, jornalista, confidenciava-me ontem que era uma vergonha a Câmara de Cascais ter 40 funcionários contratados para fazer a revista que edita com periodicidade mensal para promover a imagem do actual Presidente da Câmara. Dizia mais, com 40 funcionários, há muito jornal diário que não os tem, contando com a Administração! Tem razão este meu amigo e acompanho-o na indignação. Mas, tenhamos consciência que existem 40 funcionários contratados para fazer uma revista mas a revista não é feita por esses 40 …
Neste frenesim de pagar favores com contratos de trabalho resultou muito “trabalhador indigente” em Cascais.
Acredito que entre Agências, Empresas Municipais, Assessores de Gabinetes do Presidente e de Vereadores há seguramente mais de 300 pessoas cuja produtividade é zero. Se cada um custar entre vencimentos, viaturas e telemóveis 14.000 €/ano podemos concluir que os nossos impostos estão a suportar um encargo superior a 4 milhões de euros por ano! É muito!
Mesmo com mudanças de opinião que se sintonizem com as da população, o objectivo Presidencial de Carlos Carreiras corre sério perigo.
Há quem defenda que a Política se faz com a defesa de ideias, com genuinidade e coragem de pensamento.
Os políticos de hoje, tendem a confundir isso com o dizer aquilo que a população quer ouvir. Isto não é política, é politiquice!
Carlos Carreiras com a ânsia cega de ser eleito em 2013, há muito que resvalou para a politiquice.
Tenho pena que o PSD em Cascais tenha sido tomado por politiqueiros…

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BOAS E MÁS NOTÍCIAS









Na semana passada o Dr. Carlos Carreiras anunciou em reunião plenária dos militantes do PSD de Cascais, algumas linhas orientadoras para a redefinição dos investimentos municipais bem como a prioridade que pretende dar a algumas medidas consideradas fundamentais.



Algumas delas são merecedoras de sincero aplauso e forte incentivo a rápido implementação com sucesso.
A primeira delas é a entrada em discussão pública da revisão do PDM. Tardio mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Ainda não tive oportunidade de consultar os elementos pelo que em tempo oportuno voltarei a este assunto.
Espero sinceramente que não se confirme aquilo que já ouvi nos “mentideros” municipais, que se trata de uma cópia mal feita do PDM de Lisboa.
Mas o PDM revisto pode vir a dar alguma luz sobre a verdadeira revolução urbana que Cascais precisa.
Atrevo-me a referir que as questões relacionadas com a mobilidade, o redesenho urbano do interior do concelho, a definição clara de uma estratégia de desenvolvimento económico sustentado, a eleição da paisagem natural e do mar como pólos de desenvolvimento pela diferenciação do município, serão dos aspectos prioritários para este PDM revisto.
Tem que haver a coragem de definir com clareza o que cabe em Cascais e o que não cabe.
Será bom que o PDM possa definitivamente impedir novos episódios como o que esta Câmara acaba de promover com a aprovação de uma grande superfície do El Corte Inglês em Carcavelos. Claramente a reboque dos promotores, a Cascais parece não interessar as implicações ao nível económico ou do emprego que a criação de mais uma grande superfície pode trazer às já existentes no concelho ou nos limites dos concelhos vizinhos. É pena, já que uma boa parte dos postos de trabalho que estão a ser postos em causa são de munícipes de Cascais!
Por outro lado foi também anunciado um conjunto de cortes ou mesmo o abandono de apoio a algumas iniciativas de cariz cultural, desportivo ou social.
Foi bom ouvir o Dr. Carlos Carreiras colocar a tónica de que os momentos que correm aconselham a que o Município de Cascais preste mais atenção às Associações Desportivas, Culturais e Sociais existentes no concelho, tentando melhorar o tipo de apoio prestado.
É um facto que merece aplauso.
Esperamos todos, munícipes em geral e aqueles que como eu dedicam parte do seu tempo livre a ajudar a gerir este tipo de instituições, que haja um esforço de equidade na colaboração e apoio do município.
Se as dificuldades são muitas e os meios disponíveis são poucos, pois que haja parcimónia e igualdade na distribuição desse apoio.
Dos vários eventos promovidos ou apoiados pelo Município de Cascais foram referidos alguns cortes à comparticipação ou mesmo a decisão de fim do apoio municipal.
Aquele que mais me impressionou negativamente foi o anúncio do fim do apoio ao Festival de Música do Estoril, um evento com quase 40 edições.
O argumento utilizado é o número reduzido de espectadores para estes espectáculos. Mau argumento.
Uma Câmara não é uma entidade promotora de espectáculos.
Mas deve apoiar iniciativas que permitam a diversificação da oferta cultural, especialmente na perspectiva de alargamento de públicos como são os casos da música clássica ou do bailado.
É estranho que a mesma Câmara que financia espectáculos de Seal ou de Maria Rita, artistas com nome para encher uma sala de espectáculos com bilhetes pagos sem precisar de ajudas das entidades oficiais, recusa um apoio que este ano foi de 80.000 € para a realização do Festival de Música da Costa do Estoril.
Ao mesmo tempo que se propõe disponibilizar 250.000  € para um Festival de Cinema que se realiza em Lisboa, considera sem interesse um evento com mais de 30 anos de existência como é o Festival de Música da Costa do Estoril.
Estranho critério de interesse público e de defesa do enriquecimento cultural dos munícipes de Cascais!
Por último uma referência ao reordenamento administrativo do município de Cascais.
Fiquei desapontado e preocupado.
Pelos vistos, a única redução de custos prevista que venha a acontecer é apenas a resultante da diminuição de chefias na Câmara. Fraco exercício, de quem tem medo de tratar este assunto com a objectividade que os momentos vividos no país requerem.  Mas as consequências da sobrevivência política que podem provocar…
 A Câmara de Cascais tem gente a mais. Algumas Empresas  e Agências municipais têm gente a mais e parte delas é duvidoso que tenham sequer razão de existir.
Quando li numa infografia que a Câmara de Cascais tinha 7,4 funcionários / mil habitantes ou seja, cerca de 1.521 funcionários, deu-me vontade de rir.
Claro que neste valor não estão os funcionários das empresas municipais, das agências e até a quota parte dos funcionários das empresas intermunicipais. Só a EMAC terá mais de 500 funcionários ou seja mais 33% dos declarados funcionários municipais. Se juntarmos ESUC, EMGHA, Ar Cascais, Empresa Turismo Estoril, Fortaleza de Cascais, Agência Cascais Natura, Agência de Energia de Cascais, Agência Cascais Atlântico, DNA Cascais, ComCAscais, Tratolixo, dá um valor  brutal.
Por outro lado a capacidade de gestão dos activos da Câmara é um desastre. Alguém explica o porquê de no Serviço de Urbanismo coexistirem 35 técnicos com 35 administrativos? Se entrarem 10 projectos por dia cada funcionário tem alguma coisa para fazer de … dois em dois dias?
Não tenho nada contra os funcionários que estão a mais. Mas, se numa empresa privada os que estão a mais saem, porquê insistir em manter tudo na mesma na função pública só porque não conhecemos o patrão?
Estamos obviamente em tempos que obrigam a nos definirmos com clareza. Com transparência. O que é pago com os nossos impostos tem que ter a garantia que o é ao melhor preço!
Hoje, mais do que nunca, é fundamental que os gestores da coisa pública tenham um comportamento como se estivessem a gerir a sua empresa, a gastar o seu dinheiro!
E esse deve ser o móbil do exercício do poder.
A consciência da população em geral não vai suportar por muito mais tempo a utilização dos dinheiros públicos que não seja com o estrito objectivo da causa pública!