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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

REFLEXÕES ELEITORAIS

O ato eleitoral de 29 de setembro último não trouxe boas notícias.
Carlos Carreiras, líder da coligação Viva Cascais alcançou a maioria absoluta na Câmara Municipal de Cascais e, conforme as várias opiniões que aqui tenho expresso nos últimos meses, isso, no meu entendimento não é uma boa notícia.
Mas, em democracia a lista mais votada é a que ganha e Carlos Carreiras e a equipa que lidera estão de parabéns.
No entanto, e num preocupante crescendo, estas eleições ditaram uma abstenção absolutamente exagerada em Cascais, com 62,01% dos eleitores a não votarem!
106.988 eleitores, dos 172.537 inscritos não participaram no ato eleitoral! Isto não é uma boa notícia!
Dos 65.549 que participaram, 5.951 votaram branco ou anularam o boletim de voto. Isto também não é uma boa notícia!
Bastaram cerca de 2,7% dos eleitores para eleger cada um dos vereadores!
A democracia, em que o processo eleitoral universal é a mais sublime demonstração de que todos podem participar nas escolhas, está posta em causa.
Porquê?
Tenho uma leitura, que não é certamente unânime, mas ainda assim atrevo-me a partilhar com os leitores.
A abstenção crescente é um sintoma direto da falta de qualidade dos intervenientes na política, nomeadamente nos Partidos Políticos.
O descrédito crescente, emanado de uma classe política sem ética e com poucos hábitos de falar verdade, os escândalos sucessivos, as mentiras eleitorais que sistematicamente são debitadas como promessas que depois não são cumpridas, o manifesto desinteresse no eleitor enquanto pessoa, têm construído um exército crescente de pessoas que não acredita nos agentes políticos da atualidade.
Há quem acuse os candidatos dos Partidos Políticos de serem os grandes responsáveis pela situação a que se chegou.
É parcialmente verdade. Contudo não sejamos apressados a endossar as culpas. Todos os que se apresentaram a votos têm uma quota-parte de responsabilidade.
Eu, enquanto candidato derrotado nas eleições para a Assembleia da União de Freguesias de Carcavelos e Parede tenho também responsabilidade, ao não ter sabido passar uma mensagem que fosse capaz de fazer o eleitorado desta união de freguesias acreditar que a minha lista podia representar uma mudança nos processos e nas atitudes e era merecedora do voto da maioria dos eleitores. Falhei.
E como eu falhei também os outros candidatos falharam.
Mas a questão que se coloca é pertinente:
Todos, Partidos e Movimentos, que se interessam pelo fenómeno da Política, estão conscientes que têm que acertar o passo nesta matéria?
Julgo que a resposta a esta pergunta não é, também, uma boa notícia.
Os Partidos estão atacados de um autismo, de uma cegueira que não os deixa ver que estão a um passo do abismo e já levam o pé levantado para caminhar nessa direção!
Não se vislumbra a mais pequena intenção de corrigir esta forma de fazer política.
No dia seguinte às eleições, Carlos Carreiras veio logo zurzir os adversários, ameaçar todos os que não pensam da mesma maneira e assumem críticas públicas, iniciar processos de chantagem política, mais do mesmo!
Resta pelo menos ao Movimento SerCascais essa nobre atividade de não deixar morrer a democracia em Cascais, de continuar a lutar por trazer uma luz que se instale na consciência de cada cidadão de Cascais e os faça acreditar que vale a pena lutar pelo concelho, lutar por princípios, lutar com ética e com verdade.
Eu estou disponível por participar nesse trabalho. E vocês?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Problema de Moedas? Para mim são…trocos!...


Um exemplo de como se pode deitar dinheiro dos contribuintes pelo cano abaixo...
 Carlos Carreiras desancou o Secretário de Estado Carlos Moedas como nem António José Seguro foi capaz.
Como as notícias diziam logo de manhã na passada quarta-feira, Carlos Carreiras, destacado dirigente do PSD e Presidente do Instituto Sá Carneiro, considerava que “Um membro de um qualquer Governo que tem a 'inteligência' de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude - abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico”.
Parece-me pertinente fazer alguns juízos de valor sobre esta afirmação e sobre o seu autor.
Analisemos a razão do comentário. Tem Carlos Carreiras razão em estar indignado mas não pelas razões que invoca.
O político deve falar simplesmente verdade e não apenas a verdade ou a parte dela que lhe convenha.
Essa é a moda dos nossos Políticos dos últimos 20 anos, fez escola, e trouxe-nos aos momentos que vivemos…
O que deveria indignar Carlos Carreiras não é o facto de Moedas considerar o relatório do FMI bem feito, o que deveria trazer Carlos Carreiras mal disposto é a confirmação de que este Governo fez-se eleger com um Programa que não tinha  a mais pálida ideia se seria capaz de o fazer cumprir!
Apresentar-se a votos, fazendo um cenário e apontando soluções para as quais não se tem a mais pálida ideia se funcionam, se são ou não uma efectiva solução para os problemas, é trapaça!
Guterres, Durão Barroso e Sócrates fizeram-no, e eu, e muitos outros cidadãos, pareceu-nos, erradamente, que o discurso da verdade era desta…
Não foi!
Enquanto cidadão e militante social democrata, confesso a minha incomodidade.
Mas a reacção de Carlos Carreiras merece ser apreciada por outros prismas.
Mal ou bem, Carlos Carreiras alcandorou-se a um lugar importante na lógica do poder partidário no principal partido do governo. É Conselheiro Nacional e Presidente do Instituto Sá Carneiro.
Pode isso mesmo ser um perigoso sinal para a transparência e a verticalidade política do PSD mas é o que temos!
Ora, não há muito tempo, foi até grosseiro como classificou António Capucho por ter proferido algumas críticas ao governo. Num dos últimos plenários do PSD de Cascais atacou violentamente os “bloggers” que escreviam sobre a Câmara de Cascais e que são militantes do PSD, como é o meu caso, de serem invejosos e traidores por “lavarem a roupa suja” fora das instâncias partidárias.  
Esta situação encerra aqui uma espécie de democracia (bem esquisita por sinal…) em que a utilização da crítica pública só pode ser feita com legitimidade por alguns, porque para os outros já será ilegítimo…
É esta maneira de estar na política que mais me motiva a não “esfriar” a minha indignação e em usar os meios ao meu alcance para desmascarar que isto não serve para a nossa terra!
Precisamos de um líder no município que nos olhe como iguais, que não se considere acima da plebe, com direitos especiais!
Precisamos de um líder no município que nos fale verdade, que nos trate com verdade, que não esteja sistematicamente a dar o dito por não dito.
Precisamos de um líder no município que seja vertical e recto, que não ajuste a verdade como mais lhe convém.
Precisamos de um líder no município que esteja disponível para abraçar como prioridade a resolução dos pequenos problemas, aqueles que nos aborrecem diariamente, os buracos da rua que não foram rapidamente tapados, a tampa de esgoto que não foi subida depois da repavimentação da rua, os apoios financeiros que só acontecem para “algumas colectividades” sem qualquer tipo de critérios objectivos.
Precisamos de um líder no município que sinta que cada euro que gasta não é dele mas dos munícipes que representa, e como tal deve sempre escrutinar se cada euro vai cumprir a resolução das necessidades e anseios da população de Cascais.
Precisamos de um líder no município que se debruce sobre os reais problemas de Cascais e dos seus habitantes e se empenhe nas soluções adequadas  para eles em vez de se aplicar na autopromoção.
Como todos já perceberam, todos estes desejos são impossíveis de alcançar com Carlos Carreiras.
Carreiras é exactamente o oposto.
E a bem de Cascais, tem de ser travado.
Seria bom que fosse o PSD a tomar consciência deste imprescindível acto de idoneidade política mas não acredito que seja capaz…
Que seja outro, ou partido ou movimento independente, mas a seriedade e a sobriedade conseguidas em 2002 com António Capucho tem que regressar a Cascais em 2013!
Doa a quem doer!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CASCAIS TEM UM NOVO ESTILO!

Definitivamente Cascais tem um novo estilo.
O Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Dr. Carlos Carreiras, tem investido milhares e milhares de euros a criar esse novo estilo com o dinheiro dos contribuintes.
O virtual tomou conta do real.
A aposta na imagem, no filme, na reportagem, nos mega eventos, espectáculos para todos os gostos, tudo à escala grande, tudo com muito glamour.
Muitas Conferências, muitos Colóquios, muita mas mesmo muita publicidade e o resultado está à vista: Cascais tem um novo estilo!
Com toda esta dinâmica seria de esperar que o entusiasmo dominasse a população cascalense e contagiasse a região com um misto de inveja e admiração.
Na década de 90 Isaltino de Morais conseguiu esse efeito na região da grande Lisboa e mesmo em todo o país.
Mas não é isso que se está a passar.
Até pelo contrário.
As práticas seguidas por Carlos Carreiras e os seus colaboradores enfermam de um pecado que nem toda a gente está disposta a aceitar – a sobranceria, a soberba com que são brindados todos os que não partilham da “certeza” e da “bondade” das opções do autarca ou mesmo pontualmente possam assumir alguma crítica, mesmo que construtiva.
Seja num discurso, no Facebook ou numa reunião de Câmara, qualquer crítica, qualquer reparo, merece intervenção imediata do novel Presidente de Câmara, acalorada, contundente, com agressividade desproporcionada, a raiar o mal criado – É o novo estilo de Cascais!
Mas a comparação que atrás deixei com Isaltino de Morais tem uma diferença abissal. Isaltino granjeou o reconhecimento e o apoio dos seus munícipes com obra. Isaltino transformou o município de Oeiras num centro de excelência, procurado pelas maiores empresas para instalar ali as suas sedes. Renovou o tecido urbano, melhorou brutalmente as infra-estruturas viárias do concelho, resolveu alguns antigos problemas de mobilidade no concelho, preocupou-se com as pessoas, com os seus problemas, com as suas necessidades. E as pessoas, os seus munícipes reconheceram-lhe esse trabalho e retribuíram com o seu voto.
Em Cascais o mais próximo disto é o slogan já estafado de “Cascais elevado às pessoas”. Um mentira monumental!
Carlos Carreiras não está minimamente preocupado com os problemas dos seus munícipes. Acha até mesquinho que lhe venham falar em mobilidade e acessibilidade, em apoios às colectividades e às IPSS, na  necessidade de uma urgente revisão do PDM, ou num esforço de reabilitação do tecido económico do concelho. Resolver o problema de trânsito, dotar o interior do concelho com estradas sem buracos e com passeios, isso não dá notícia de jornal nem entrevista em Televisão!
Carlos Carreiras está mais preocupado com os donos das Harley Davidson que visitaram uma vez Cascais do que com os proprietários dos Fiat Uno que todos os dias “sobrevoam” o esburacado asfalto de algumas ruas do concelho de Cascais.
As vozes dos que já perceberam o logro em que se caiu em Cascais começam a engrossar fileiras.
Embora se viva num clima de medo de expressar opinião, (não é por acaso que algumas das vozes críticas não se lhes conhece os donos) começam a proliferar movimentos cívicos, blogues e comentários que circulam na internet, em redes que se vão ampliando de seguidores.
Ignorar os movimentos cívicos como Grupo Ser Cascais ou a Associação Cívica Sentir Mais Cascais, os blogues 
Agenda Cascais 31 
pensamentos desblogueados,  
Oeiras mais atrás, 
Estoril a 1000, 
Consciência Crítica,  
Ou Tourada Portugal,  
será um erro crasso para Carlos Carreiras e para o PSD.
Aos Movimentos Cívicos faltará certamente o dinheiro que não falta ao Presidente da Câmara de Cascais para fazer campanha mas em contrapartida sobra razão a esses mesmos movimentos.
Nas próximas eleições autárquicas vence a razão ou o dinheiro continuará a ditar a lei?

terça-feira, 15 de maio de 2012

COMEÇAR DO ZERO


A política Nacional em geral tem-me deixado algo céptico em relação ao nosso futuro como País.
Os grandes e bons políticos foram ao longo dos tempos afastando-se ou sendo afastados pelos seus pares e hoje, de uma maneira muito transversal a todos os Partidos sem excepção, há uma mediania confrangedora nos nossos políticos com uma ou outra excepção que só serve para confirmar a regra.
Se me causa preocupação e desânimo o que se passa a nível nacional, a nível local considero que a situação que se vive é não só muito preocupante como pode deixar sequelas graves na terra onde nasci – Cascais!
O facto de já ter sido autarca (embora no século passado…) e de ter assumido funções de gestão e administração em empresas municipais e intermunicipais criou em mim, embora racionalmente tente convencer-me que não sou o salvador do mundo e que não vale a pena lutar contra moinhos de vento, um sentimento muito forte que nutro por este cantinho à beira do mar, entalado entre a Sintra e Oeiras, e de que não consigo alhear-me, ou simplesmente ficar quieto, perante o que lá se passa.
Cascais, salvo a imodéstia que esta afirmação possa transparecer, também tem um bocadinho de mim e sinto, como desígnio pessoal, que tenho que, na exacta medida das minhas forças e capacidades, lutar por devolver a dignidade que Cascais e as suas gentes merecem.
Os actuais protagonistas políticos locais deixam, no campo dos princípios, muito a desejar.
Nos primórdios eram os “homens-bons” que eram chamados a desempenhar funções de gestão autárquica.
Os outros homens-bons eram muitas vezes chamados a pronunciar-se sobre temas de interesse local e regional e parecia existir uma gestão democrática ou pelo menos participada pelos líderes de opinião. O enfoque estava sempre colocado no interesse da comunidade, o interesse público.
Hoje o sistema é gerido nos antípodas desta realidade.
Actualmente a gestão em Cascais é feita não seguindo o primado do interesse da comunidade mas antes sobre a “ditadura” do marketing político eleitoral com um principal e destacado objectivo: a eleição do actual Presidente de Câmara num novo mandato de 4 anos.
Ora o interesse público não pode passar pela subjugação aos interesses individuais de uma pessoa ou de um grupo!
Os dinheiros que se estão a gastar de forma desbragada para promover o Dr. Carlos Carreiras fazem falta para resolver problemas graves na comunidade cascalense. Em tempos de parcos recursos temos que ser parcimoniosos e contidos nos gastos. Acrescento eu, seja em tempos de vacas gordas ou de vacas magras, não é aceitável que os recursos que são de todos não sejam aplicados para benefício de todos!
Esta forma de gestão em Cascais tem criado coisas manifestamente reprováveis.
A gestão hoje não espera contributos de ninguém. Os líderes de opinião locais são calados e por vezes até incomodados quando se atrevem a opinar.
Preparam-se algumas simulações de democracia, como é o triste exemplo do Orçamento Participativo, mas em que se garante sempre o controlo das opiniões.
Em muitas situações, está-se ao nível do que de pior aconteceu nos tempos da ditadura!
Não acredito, nem aceito, que a gestão da minha terra possa ser feita com base em verdades absolutas, o poder decide e os cidadãos obedecem, a opinião das pessoas não interesse!
A democracia tem que ser reinventada.
Os Partidos que souberem ler estes sinais terão a vantagem de poder continuar a participar no poder e na gestão da coisa pública.
As pessoas, os munícipes, fartos de tanto desmando e de más decisões em seu nome, estão a ficar fartas!
As associações cívicas vão ser chamadas a ter um papel preponderante na reinvenção da democracia e da participação dos munícipes nas decisões que são tomadas na gestão da sua terra.
Pessoalmente antevejo a criação de uma dinâmica de reavaliação dos processos políticos, a necessidade de democratizar o pensamento e a definição de soluções para o desenvolvimento local, quer em termos económicos, quer sociais quer mesmo ambientais!
O poder vai ter que voltar a ser exercido com as pessoas e para as pessoas.
Isto acontece, não porque se afirma anedoticamente até à exaustão que temos uma “câmara elevada às pessoas” mas porque temos que poder garantir que as pessoas passam a ter voz nas decisões, os líderes de opinião nas colectividades, nas IPSS, no comércio local, são chamados a participar no processo de  tomada de decisão e não apenas para ir cantar loas ao Presidente!
O Poder autárquico vai ter que focar de novo os seus objectivos, voltar a dar a primazia às pessoas e às intervenções a fazer no território e na organização dos espaços, para dar resposta às suas necessidades com vista a viver com qualidade em Cascais.
Os autarcas vão ter que encontrar respostas ao crescimento da qualidade social dos habitantes de Cascais, saber agilizar os investimentos e os apoios para a educação, a actividade cultural e desportiva e a criação de apoios aos mais carenciados. Mas vão ter também que encontrar soluções para revitalizar o crescimento económico do concelho, criar condições efectivas para o ressurgimento de oportunidades de emprego e ordenar o território de forma a que essas respostas surjam em condições adequadas de crescimento sem pôr em causa a sua qualidade ambiental. Também a mobilidade dentro do território de Cascais e as suas ligações com os concelhos limítrofes têm que ser revistas e melhoradas sob pena de aí residir um aspecto claramente atrofiante do desenvolvimento económico pretendido.
Ora este tipo de intervenções não se fazem por inspiração divina.
Já começamos todos a estar fartos de salvadores!
É preciso envolver as pessoas, fazê-las sentir parte da solução. Só com uma gestão participada por todos, em que a todos é permitido o contributo e a opinião se consegue efectivamente criar uma dinâmica imparável rumo ao sucesso e ao desenvolvimento harmonioso social, económico e ambiental.
Lamentavelmente, não sinto condições para que tal venha a acontecer em Cascais com os actuais protagonistas políticos, nomeadamente do PSD.
Carlos Carreiras e a sua equipa estão a comportar-se como eucaliptos, nada consegue florescer à sua volta, excepto os próprios eucaliptos!
Resta aos mais inconformados encontrar alternativas que permitam corrigir este tipo de situações.
Pela minha parte estou disponível para contribuir para mudar algo em Cascais…