sábado, 9 de janeiro de 2016

INCONGRUÊNCIAS DA GESTÃO AUTÁRQUICA DE CASCAIS


Um amigo ontem comentava comigo que o Presidente da Câmara de Cascais devia ter uma boa equipa de assessores, pagos a peso de ouro provavelmente, mas que estavam a transformar a imagem de Cascais com uma sucessão de iniciativas que davam notoriedade a Cascais. Esta afirmação tomava como último exemplo a roda gigante, a pista de gelo, as barraquinhas instaladas junto aos Paços do Concelho e no Jardim Visconde da Luz agora neste período natalício.
Importa ainda referir que este meu amigo reside em Sintra, mas tem por hábito vir a Cascais todos os fins de semana.
Eu concordei com ele, é verdade que Cascais tem fervilhado de atividade.
Mas fiquei também com uma vontade enorme de escrever este desabafo.
Em que medida é que este efetivo e constatável incremento de atividades e eventos em Cascais é suficiente para confirmar que este executivo municipal está a cumprir as expectativas dos eleitores, dos munícipes de Cascais?
Eu entendo que não.
A gestão da autarquia de Cascais está cheia de incompreensíveis incongruências, de medidas e decisões que tresandam a oportunismo e pouco têm de efetivas estratégias delineadas a pensar no futuro de Cascais e dos seus habitantes.
Querem exemplos? Conheço muitos mas vou tentar ilustrar o meu ponto de vista recorrendo a dois ou três.
Começo por ressaltar uma medida tomada no Natal que me parece completamente desprovida de lógica.
A CMC anunciou com pompa e circunstância que o estacionamento em Cascais durante o mês de Dezembro seria gratuito. Depreende-se que tal medida pretenda incrementar o número de visitantes em Cascais, aumentando também a capacidade de negócio do comércio de cascais.
Apetece perguntar:
Se a questão do estacionamento pago pode ser encarado como dissuasor da melhoria do comércio em Cascais porque se insiste no resto do ano em manter este “negócio” municipal do estacionamento pago?
Só é lícito aos comerciantes de Cascais terem algum negócio no mês de Dezembro?
A forma como Carlos Carreiras e o seu executivo gere a mobilidade e o estacionamento na Vila de Cascais e em cada vez mais localidades do concelho não é uma enorme incongruência?
Há uma profunda falta de visão nesta matéria para os lados de Cascais.
Ainda sobre a mobilidade, não se percebe a falta de iniciativa em resolver alguns dos buracos negros do trânsito no município de Cascais.
A entrada em Cascais quer seja pelo lado de Birre, pela Marginal ou pelo Pai do Vento continua caótica.
Em S. Domingos de Rana resolveu-se, e bem, o problema da rotunda do Cemitério de S. Domingos de Rana mas tudo o resto na estrada S. Domingos de Rana – Abóboda – Trajouce - Mem Martins continua por resolver, na parte do território pertencente a Cascais! E quer em S. Domingos de Rana na rotunda da Igreja, na travessia de Abóboda ou de Trajouce bastaria utilizar apenas o mesmo modelo que foi utilizado na rotunda do cemitério de S. Domingos de Rana!
Mas não.
Até se poderia especular que não é problema para Carlos Carreiras e o seu executivo porque não é em Cascais mas nem este argumento pega, quando olhamos para as completamente congestionadas entradas na Vila de Cascais!
E estas filas intermináveis de carros em alguns eixos viários do concelho levam-nos a mais dois raciocínios:
Porque continua teimosamente a não sair de projecto a conclusão das longitudinais norte e sul de Cascais e a construção da variante da estrada de S. Domingos de Rana – Trajouce – Mem Martins?
No meio de tantos milhões para festas e festarolas, autódromos, hospitais de Parede e Escola da Universidade Nova, esta falta de investimento na rede viária só pode significar uma coisa – falta de interesse da equipa de Carlos Carreiras em resolver estes assuntos. Para Carreiras não é prioridade!
Mas também em termos ambientais a inação de Carreiras é um sinal preocupante.
Projetar a sustentabilidade ambiental do concelho de Cascais não se faz sem resolver a mobilidade e os estrangulamentos do tráfego automóvel, sem garantir uma política verdadeira de poupança energética ou sem definir um claro modelo de gestão de resíduos ou mesmo sem um modelo transparente da gestão do território com o instrumento PDM!
Nestes temas, como em tudo o que é a sua ação na gestão do município, assenta na superficialidade, no faz de conta.
Para Carreiras, com um dia a apanhar lixo das arribas ou do fundo do mar, está garantida a acção da câmara no ambiente. É tão pobrezinho…
E teme-se o pior nesta gestão quando se analisa a gestão financeira que tem sido levada a cabo.
O aumento significativo dos compromissos com empréstimos bancários para comprar terrenos e imóveis para os quais nem se conhecem ainda fins estratégicos bem delineados leva-nos a temer o pior para os próximos mandatos autárquicos em Cascais: Isto vai estourar!
Carlos Carreiras gere Cascais como se fosse o grande Filipe La Féria da política: duas horas de glamour, de beleza, de luxo e qualidade mas no fim ficam só os “confettis” para apanhar do chão…

Em 2017 será que vamos maioritariamente querer menos espectáculo e mais ação concreta e duradoura? Ou pode ficar assim porque chega?

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