segunda-feira, 4 de maio de 2015

CASCAIS, PARA ONDE VAIS?

Areia, futura urbanização com o prolongamento da A5?
No início da nossa democracia os políticos tentavam trabalhar para obter o reconhecimento do seu trabalho ao longo do seu mandato e por essa via ver esse reconhecimento traduzido no resultado das eleições seguintes.
Queria-se fazer bem, ir de encontro às expectativas dos eleitores, promover acções que gerassem o aplauso e o reconhecimento das populações. Esta era a forma de se trabalhar para o voto.
Entretanto, nos anos noventa surgiu uma nova geração de políticos que atuam na perspectiva da manutenção das suas mordomias e dos seus lugares e benefícios.
A percepção de que, independentemente da cor política, a classe política na sua maioria tinha deixado de trabalhar em função dos interesses da comunidade antes promovendo os seus interesses pessoais ou do grupo a que pertencem, levou a um aprofundar do divórcio entre eleitor e eleito.
Assim, os “mais espertos” acabaram por gerir processos dentro dos partidos e nas suas comunidades para a perpetuação do poder, criando clientelas, gerindo empregos para os seus apoiantes que, por essa via, não têm condições de fazer outra coisa que não seja apoiar o chefe.
É o que assistimos em Cascais.
Carlos Carreiras montou uma rede de interesses, de boys e assalariados que, se querem continuar a ganhar o seu “ordenadinho” não podem deixar de dizer ámen.
Como grassa o afastamento da maioria da população do fenómeno eleitoral, não são precisos assim tantos votos para perpetuar o poder.
A fúria de ir buscar competências à administração central, traduzidas fundamentalmente em novos empregados dependentes do Presidente da Câmara, não é alheia a esta realidade!
Por isso, nesta nova lógica do exercício do poder, não é preciso convencer consciências de que as nossas ideias, os nossos projectos são os melhores, basta ameaçar que, se não apoiarem, lá se vai o emprego, o seu, o dos familiares e talvez o dos amigos.
Tudo isto para dizer que, discordando do processo de aprovação do PDM de Cascais, percebo a razão que leva Carlos Carreiras a achar desnecessário informar os munícipes das alterações previstas no PDM em termos de políticas urbanísticas, considerar que não tem que fazer eco das propostas de alteração porque, quando o assunto chegar à Assembleia Municipal, terá garantido metade e mais um dos votos necessários sem discussão!
O exemplo do resultado da aprovação do Plano de Pormenor Sul de Carcavelos é um claro exemplo disso. Um dos deputados municipais com capacidade de pensar autonomamente pediu a suspensão do mandato para não ter que votar este Plano e a Presidente da União das Freguesias de Carcavelos e Parede permitiu-se o espectáculo degradante que protagonizou ao votar em desacordo com a decisão da sua Assembleia de Freguesia!
O emprego, nos dias que correm é um bem precioso!
Porque reconheço a alguns dos intervenientes na maioria do Viva Cascais capacidade de raciocínio autónomo, estranho que com a mesma ligeireza se prepare este torpedo no futuro de Cascais que personifica este projecto de PDM!
A democracia está ferida de morte. Em Cascais como no País, a verdadeira democracia deu lugar aos teatrinhos do faz de conta tipo Orçamentos Participativos!
Fernando Ulrich disse que a malta aguenta, ai aguenta, aguenta!

Eu estou mais céptico. Acho sinceramente que qualquer dia, sem aviso prévio, a malta vai achar que não aguenta mais…

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