domingo, 9 de novembro de 2014

CARLOS CARREIRAS IMPLEMENTA A POLÍTICA DOS 4 I’S NA TRATOLIXO


A Tratolixo assinou finalmente um novo acordo com o sindicato bancário que já tinha negociado com a empresa, em 2005, um Project Finance suportado no Plano Estratégico que as 4 câmaras (Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra) tinham aprovado em 2003.
Poderia tudo isto ser visto como uma vitória se não tivessem sido os mesmos protagonistas a criarem a situação de insustentabilidade que quase levou a Tratolixo à insolvência.
Não quero maçar os meus leitores contando de novo a história (trágica) da Tratolixo mas os que quiserem aprofundar poderão sempre ler o livro que escrevi em 2010 sobre este assunto e que se encontra integralmente reproduzido no blogue Notas de Ambiente
Mas importa dizer que Carlos Carreiras tem elevada responsabilidade na introdução de um conjunto de alterações no Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra que ditaram a incapacidade de a Tratolixo poder cumprir o Project Finance e enredar-se numa série de incumprimentos financeiros que quase a levaram à insolvência!
No ambiente está muito em voga o cumprimento dos 3 R’s ou mesmo dos 5 R’s.
Carlos Carreiras tratou este assunto seguindo a política dos 4 I’s: Incompetente, Irresponsável, Insensato e Inconsequente.
A soberba, a arrogância de Carlos Carreiras ao exigir profundas alterações no Plano Estratégico de Resíduos sem nunca ter tido a preocupação de perceber o que era aquele Plano e como funcionava, só pode ser entendido como uma atitude de elevada incompetência!
Quem tem responsabilidades públicas como Carlos Carreiras não pode tomar decisões por impulso ou do estilo “é assim porque eu quero!”. E Carlos Carreiras contra tudo e contra todos quis fazer valer a sua “autoridade” e tratou de afastar toda a gente que tentava explicar ao autarca o erro que estava a cometer!
O Project Finance da Tratolixo significava um investimento de 175 milhões de euros suportado nas receitas obtidas com a atividade da empresa no tratamento de resíduos e na venda de recicláveis. Tal implicava a necessidade de uma monitorização constante do incremento de recicláveis recolhidos. Retirar da Tratolixo a atividade da recolha de recicláveis significava manter uma responsabilidade na Tratolixo – assegurar os valores de receita previstos – sem que a empresa pudesse gerir as quantidades recolhidas destes materiais nem pudesse atuar no sentido de corrigir esses fluxos.
Carlos Carreiras ao assumir que as recolhas deveriam passar para a responsabilidade das Câmaras foi Irresponsável!
Gerir uma Câmara com base em caprichos não pode dar bom resultado!
Para contornar a equipa que tinha construído o Plano Estratégico foi buscar Domingos Saraiva  para presidir à Tratolixo.
A manifesta incapacidade de construir o que quer que seja de Domingos Saraiva veio rapidamente ao de cima.
Com esta decisão, Carlos Carreiras demonstrou ser Insensato!
Para além da intriguice em que Domingos Saraiva era especialista, este “gestor” limitou-se a desmontar a estrutura da Tratolixo, a desmembrar o grupo de empresas que existiam na sua dependência e a vendê-las a patacos. Medidas estranhas como fechar atividades que eram executadas em Trajouce e passar a comprá-las à Valorsul são exemplos da “gestão criteriosa” que foi levada para a Tratolixo!...
Carreiras não escondeu que o seu grande objetivo era vender a Tratolixo à Valorsul.
Domingos Saraiva foi incumbido dessa tarefa, moeram a Tratolixo em lume brando só que, a mudança de governo veio ditar que o negócio afinal não seria feito.
A única estratégia que Carreiras teve ao longo destes anos e sobre este assunto foi sempre uma não estratégia! Ora gerir a coisa pública ao sabor do vento…
Carlos Carreiras ao fim destes anos todos o que tem para apresentar?
Conseguiu renegociar uma dívida que se tornou insustentável pela sua ação!
Mas com contornos interessantes. A manter-se a implementação do Plano Estratégico de Resíduos como tinha sido gizado originalmente, as Câmaras estariam a pagar uma tarifa de 37 €/ton em vez da que foi agora acordada de 58,58 €.
Ora um prejuízo na atividade da empresa com consequências gravosas no impacto dos valores a suportar pelos munícipes deviam constituir matéria para que Carlos Carreiras e quem o acompanhou nesta estúpida aventura tirasse as devidas consequências políticas.
Mas não. Carlos Carreiras há muito tempo e em variadíssimas situações que demonstrou ser Inconsequente!
Hoje estamos pior nesta matéria.
A Câmara de Cascais foi a última a pagar o que devia.
Nisto as Câmaras de Cascais, Oeiras e Sintra sempre foram altamente incumpridoras. Já em 2005, as Câmaras chegaram a ter uma dívida com a Tratolixo de mais de 20 milhões de euros, o que levou a Administração da empresa na altura a canalizar parte do financiamento para a gestão corrente.
E vai continuar a ser assim.

A Tratolixo a depender das transferências ( e dos humores…) dos senhores autarcas, os munícipes a pagarem estes serviços na fatura da água sem qualquer correspondência direta na quantidade e qualidade de lixo produzido, sem uma política concertada para a recolha, o tratamento e o destino final dos Resíduos, ainda iremos voltar a ouvir falar deste assunto pelas mesmas razões…

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