quinta-feira, 2 de outubro de 2014

FAZ HOJE UM ANO E TRÊS DIAS…



Faz hoje um ano e três dias que ocorreram as eleições autárquicas que ditaram em Cascais a vitória da coligação Viva Cascais, uma coligação do PSD e do CDS-PP.
O comunicado distribuído pela maioria, leva-nos a acreditar que vale a pena tecer alguns comentários, que mais não seja, para tentar aduzir alguns argumentos que nos permitam olhar para o passado recente sem filtros, preconceitos ou… “injeções atrás da orelha”…
Mas esta vitória foi um indicador de que a maioria da população de Cascais não se revê neste poder.
A maior abstenção de sempre assegurou que os 16,23% de eleitores que votaram na Coligação liderada por Carlos Carreiras lhe dessem, ainda assim, a maioria absoluta na Câmara Municipal de Cascais.
Foi um sinal preocupante de divórcio entre os munícipes e os governantes da autarquia!
E há razões ponderosas para acreditar que existia fundamento para este divórcio.
A atuação da maioria que governa a Câmara de Cascais dá-nos abundantes exemplos diariamente!
A governação de Cascais é uma clara demonstração de que se opta pela prosperidade de alguns em detrimento do bem-estar de todos.
Cascais é liderado sem uma estratégia consequente para o desenvolvimento da nossa terra.
Não basta falar na estratégia!
É preciso defini-la, discuti-la com os munícipes, torná-la num objetivo comum de todos os Cascalenses!
Alguém conhece a estratégia para Cascais?
Está a mesma plasmada no Plano Diretor Municipal de Cascais que espera a sua revisão há mais de 12 anos?
Os objetivos delineados são transparentes e do conhecimento público?
Infelizmente, obtemos 3 não como resposta.
Afinal, fala-se numa estratégia, que só “alguns” conhecem e que parece servir apenas os interesses de poucos!
Para além das festas e dos múltiplos e milionários eventos que semanalmente Carlos Carreiras nos oferece sobra pouco, muito pouco, do que efetivamente importa à população.
A ambição de tornar Cascais o melhor lugar para viver um dia, uma semana, ou uma vida inteira é nobre mas confunde-nos a forma como Carlos Carreiras pretende atingir este desiderato.
As diatribes urbanísticas aprovadas para Carcavelos, uma mega urbanização colada a uma escola que será frequentada por cerca de 5.000 pessoas diariamente, em cima do mar e da estrada marginal em Carcavelos, a intenção de aprovar uma urbanização, junto à Areia, escondida por uma escola de sobredotados, o que se perspetiva para o terreno da Praça de Touros, o Hotel Nau, são sinais de que Cascais, dentro de dez anos será definitivamente um lugar onde será impossível viver com qualidade!
A sistemática afirmação de contenção urbanística e de diminuição de licenciamentos é incompatível com a aprovação deste tipo de mega urbanizações! Contenção?!...
A gestão financeira da Câmara de Cascais tem sido caótica.
E até seria desculpável se o extraordinário aumento da dívida da CMC fosse feita por culpa de obra mas não, o despesismo e a ostentação ditam uma gestão danosa da coisa pública.
Um mar de assessores e assalariados políticos de competência duvidosa ajudam a delapidar com facilidade os parcos recursos autárquicos.
E embora se mantenham alguns apoios de caráter social, os cortes atingiram de forma brutal e radical as coletividades e o investimento em obra nova.  
A gestão ambiental é um verdadeiro susto!
 As sucessivas peripécias promovidas por Carlos Carreiras na Tratolixo garantiram que aquela empresa tenha um passivo brutal atingido por incompetência pura na forma como alteraram a estratégia definida em 2003.
Por outro lado, a EMAC que foi empresa modelo, começa hoje a dar sinais de que deixou de ser gerida com paixão por Cascais.
Já há sítios em Cascais onde o lixo se acumula, já se vê ervas nos passeios e sumidouros por limpar, e as campanhas de sensibilização e de mobilização da população pela preservação ambiental resumem-se a umas ações de um dia por ano para limpar arribas ou para tirar lixo do mar! É constrangedor de tão pequeno, mas… mobiliza as televisões!...
As assimetrias entre o interior e o litoral do concelho avolumam-se a um ritmo elevado.
A ausência de medidas de qualificação e investimento em Alcabideche e S. Domingos de Rana, vão cavando cada vez mais a diferença entre o privilégio do litoral e a pobreza e falta de recursos do interior.
O desinteresse e o alheamento desta maioria é tal que, se o governo lhes der a oportunidade, não me admiraria se abdicassem desse território que só lhes traz exigência e nenhum “glamour”…
Cascais tem sido governada sobre o signo do autismo.
Carlos Carreiras não aceita ideias diferentes, não quer ouvir argumentos ou conhecer alternativa diversas pelo que resta pouco espaço de manobra à oposição para além de ir denunciando a louca e perigosa aventura em que se transformou a gestão de Cascais!
Carlos Carreiras tem uma maioria absoluta na Câmara de Cascais e isso legitima o exercício do poder absoluto que pratica.
Mas em democracia, a oposição não pode deixar de usar a única arma que lhe resta, que é denunciar os desmandos praticados!
Hoje, como há um ano e três dias, gostávamos que Cascais fosse de todos, para todos.
Mas não é.
E o caminho que leva vai tornar este objetivo cada vez mais difícil…


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