domingo, 2 de setembro de 2012

EU ACREDITO...



Há uns anos, o PSD de Cascais lançou um slogan que tinha alguma piada e tinha a capacidade de ser motor de uma certa dinâmica de vitória, envolvendo a acção de António Capucho à frente dos destinos da Câmara de Cascais – EU ACREDITO!
Ricardo Leite, então Presidente da concelhia do PSD de Cascais, não sei se foi o autor do slogan, mas é dele que guardo recordação do seu uso em todas as situações em que fazia lógica o seu uso.
Ricardo Leite é hoje deputado da nação, reconheço que na essência um bom deputado, alguém que se mostra muito interessado, especialmente na temática da saúde, que domina, mas que sente a necessidade de dar contas a quem o elegeu sobre o trabalho que desenvolve no Parlamento, a sua preocupação em contactar os eleitores e marcar presença nos mais variados locais, em suma, um deputado à maneira antiga e de que se vê muito pouco hoje em dia!
EU ACREDITO que a maneira de fazer política é só uma, com total dedicação ao interesse público, disponibilidade total para prestar contas da acção política aos eleitores, servir a comunidade sem cair na tentação de se servir!
Sem ter pretensões de conhecer de forma rigorosa a totalidade dos governantes ou dos deputados, EU ACREDITO que outros saberão ser, em funções de serviço público, merecedores de idêntico reconhecimento ao que acabo de fazer a Ricardo Leite.
Mas, infelizmente, conheço muitos deputados, governantes e autarcas que não se encaixam nesta definição, antes exibem uma despudorada utilização abusiva da sua condição de eleito, com um total desprezo por quem o elegeu!
Miguel Relvas é um caso que merece que utilizemos “dois ou três” parágrafos para analisar.
Acredito que apenas tenha aproveitado uma frincha legal para a sua licenciatura relâmpago e que na essência a legalidade não tenha saído beliscada.
Já a legitimidade, essa desvaneceu-se à velocidade da luz…
Lembro-me muito bem o quanto me custou fazer 53 cadeiras semestrais para concluir a minha licenciatura em Engenharia no Instituto Superior Técnico e por isso tenho muita dificuldade em conviver com o conceito das “Novas Oportunidades”…
Mas há um aspecto que não entendo, e esse prende-se com a moral e a ética política, que nos dias de hoje parece ser uma ciência da antiguidade grega…
Miguel Relvas ainda não percebeu o mal que está a fazer ao PSD, ao Governo e ao Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, agarrando-se ao poder e transportando para ele uma infindável fonte de anedotas e piadas?
De que espera para apresentar a demissão?
A dança de cadeiras nas próximas eleições autárquicas é outro exemplo do quanto urge o regresso da ética e da moral à política nacional.
É ver os autarcas “pseudo” vencedores chegados ao limite legal de se candidatarem no município onde foram eleitos pelo menos três mandatos a mudarem de armas e bagagens para outro, contrariando, com o beneplácito do PSD e do PS, o espírito da lei que pretendeu delimitar o número de mandatos dos Presidentes de Câmara.
É uma farsa, uma trapaça eleitoral que se prepara com o maior dos despudores!
Aborrece-me solenemente verificar que o pensamento ético que parece ter abandonando o PSD apenas se mantém ainda no CDS – PP, único Partido que demonstra sérias dúvidas à dança das cadeiras…
Daqui a minha homenagem para os Homens como Rui Rio, que chega ao fim do seu terceiro mandato de cabeça erguida e com trabalho feito sem colocar qualquer hipótese de se transferir para outro município.
Em Cascais, a ética e a moral são miragens que não se vê forma de fazer renascer sem desconstruir o actual modelo de poder.
Todos os representantes dos partidos com assento na Câmara Municipal de Cascais estão envolvidos nas teias das benesses e interesses criados por Carlos Carreiras e não se vê forma nem vontade de aparecer um movimento interno num dos Partidos que permita contrariar o caminho, perigoso, que o poder em Cascais está a trilhar.
O divórcio existente entre o poder e os eleitores é manifesto.
A existência de “filhos” e “enteados” em Cascais é tão evidente que se torna chocante!
EU ACREDITO na democracia.
Quem acredita como eu, só pode estar preocupado com os momentos que vivemos no País e em Cascais! 

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