terça-feira, 5 de junho de 2012

DINAMIZAR CASCAIS: ASSIM?


A Câmara Municipal de Cascais tem vindo a anunciar diversas medidas que pretendem dinamizar o comércio e a actividade económica em geral no concelho e especialmente na vila de Cascais.
O objectivo é meritório, merece aplauso a prioridade estabelecida pelos responsáveis autárquicos mas o  caminho seguido merece-nos muitas dúvidas quanto à sua eficácia.
Algumas das ideias anunciadas parecem ser, no entanto, ou notícias mal tratadas pelo jornalista ou são mesmo peças de um puzzle de um certo embuste da opinião pública.
Atente-se neste caso que junto a título de exemplo.
São referidas  nesta notícia duas situações que vale a pena escalpelizar.
Um primeiro aspecto é a fusão de empresas municipais com o objectivo de “racionalizar a gestão e captar o investimento estrangeiro”.
Para mim continua a ser um mistério a fusão da ETE (Empresa de Turismo do Estoril) com a ArCascais (Aeródromo Municipal de Cascais) e a Fortaleza de Cascais (empresa que gere a Piscina Municipal de Abóboda). O que podem ter em comum é de facto uma incógnita. A promoção do turismo, a gestão de uma infra-estrutura aeroportuária e a gestão de piscinas  é uma autentica salada russa.
O perfil do gestor de uma empresa destas deve ter que falar línguas, saber voar e nadar,…
O que se vai  conseguir dinamizar no meio desta amálgama empresarial é um segredo bem guardado nos Paços do Concelho!
Já a parte da notícia que refere que Cascais vai passar a receber barcos de cruzeiro, deixa-nos um conjunto de interrogações para as quais temos muitas dificuldades em encontrar respostas transparentes.
Um primeiro conjunto de perguntas remete-nos para a fiabilidade de uma operação deste tipo e a possibilidade de ter as necessárias autorizações.
Todos sabemos que o Porto de Lisboa tem o exclusivo para estas operações e dispõe das infra-estruturas necessárias para a recepção deste tipo de navios.
 É sabido que o Porto de Lisboa não pratica as taxas mais baratas do mercado mas também é conhecido que nos últimos anos tem subido a procura de Lisboa como escala deste tipo de navios. A que título abdica a Administração do Porto de Lisboa de receber em Lisboa alguns destes navios? Aceita que seja estabelecida alternativa com fuga ao pagamento das taxas portuárias?
E a Capitania do Porto de Lisboa vai permitir que barcos de cruzeiro passem a fundear ao largo de Cascais e possam fazer a “trasfega” de passageiros para embarcações mais pequenas?
E as condições de segurança? Não estaremos a aligeirar?
Que imagem vão ter esses passageiros de Portugal e de Cascais? Nem um “mísero” porto para poder sair do barco por uma rampa como em todos os outros portos por onde passam?
E o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras aceita que os passageiros possam desembarcar em Cascais sem qualquer tipo de controle nos casos em que não sejam oriundos do Espaço Shengen?
Considero que, a bem da transparência, seria importante explicar melhor como este negócio está a ser montado, quem são os intervenientes, quem autorizou e em que condições, que vantagens tiram todas as partes envolvidas.
É muito importante saber se é apenas uma empresa ou se são várias que estabeleceram este “acordo” com o Município de Cascais, quem é ou são os detentores dessa(s) empresas, há ou não investimentos a fazer pelo município de Cascais.
Nos corredores dos Paços do Concelho correm muitos rumores sobre “este negócio”. A bem da transparência era muito importante que fosse explicado. Bem explicado!
A ideia de trazer estes  visitantes a Cascais é meritória, como medida de dinamização do comércio local mas, convenhamos, era importante que a imagem deixada aos visitantes fosse a melhor.
O primeiro exercício que deveríamos fazer era a avaliação das condições que temos para oferecer aos visitantes e se conseguimos garantir a sua satisfação com o que vai encontrar. 
O desembarque, tal como está planeado, não parece ideia promissora...
E que tipo de comércio temos nós para oferecer na zona central da vila de Cascais? Não seria interessante fazer um esforço para fazer regressar as grandes marcas ao centro de Cascais, as lojas de souvenirs, o artesanato? Queremos os visitantes a entrar em Cascais para comer uns hambúrgueres e comprar uns brindes nas lojas chinesas?
O município de Cascais de há mais de vinte anos que tem sido muito descuidado no planeamento do tecido comercial da vila, os investimentos absurdos em Centros Comerciais acabaram por deslocalizar a oferta comercial no concelho e assistiu-se a uma certa desertificação comercial do centro de Cascais. Hoje a Rua Frederico Arouca, a Av. Valbom, o acesso à baía e o Largo Camões estão longe da pujança que já tiveram. 
Sem essa valência resta alguma oferta cultural, com o núcleo museológico muito interessante na envolvência da Cidadela de Cascais. Será suficiente?
Resta-me colocar uma última pergunta: não seria mais vantajoso negociar com as empresas turísticas que detêm os programas de cruzeiros e garantir a realização de roteiros do Porto de Lisboa em direcção a Cascais em autocarros e evitar o aspecto terceiro mundista de transferência de passageiros de barco para barco ao largo de Cascais?  Para os operadores dos cruzeiros poderá ser mais barato mas é esta a imagem que queremos deixar de Cascais junto dos turistas que nos visitam?

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