segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conhecimento ou estatística?


Confesso a minha indignação pelo estado a que já chegou a educação em Portugal e preocupo-me com a recente notícia dada pela Ministra da Educação de que se irá caminhar para o fim dos “chumbos” no ensino obrigatório.

Afinal ainda era possível fazer pior!

A análise dos últimos 25 anos da educação em Portugal devia trazer-nos, enquanto cidadãos, bem preocupados com o caminho que leva o ensino e a educação neste país.

Roberto Carneiro, no final dos anos oitenta, foi o último grande Ministro da Educação que os sucessivos governos da república tiveram.

Homem de uma cultura extraordinária, conhecedor dos fenómenos da educação, comunicador nato, de uma simpatia e dinamismo contagiantes, foi claramente o motor de uma revolução na Educação que ficou a meio.

A revolução então pretendida exigia dinheiro, muito dinheiro, que infelizmente o Primeiro Ministro da altura, Aníbal Cavaco Silva, não queria ou não podia disponibilizar.

A saída de Roberto Carneiro do governo, com a “revolução da educação” a meio, foi o início do fim.

Confesso que ainda acreditei por momentos que a escolha de Marçal Grilo no governo de Guterres ou de David Justino no de Durão Barroso pudessem arrepiar caminho mas, por diversas razões, tal não se veio a verificar.

Nos Governos de Sócrates as coisas pioraram e muito.

A exigência, o conhecimento, a excelência, deram paulatinamente lugar ao porreirismo, ao facilitismo, ao laxismo.

Hoje, a Educação não se preocupa com o nível e a qualidade de conhecimentos dos alunos.

A única preocupação do Ministério da Educação está na forma como são arrumados os resultados estatísticos da Educação!

É uma completa farsa o que se está a fazer com a Educação em Portugal.

A escolaridade obrigatória foi alargada para o 12º ano, medida que se saúda, e depois a rede que serve para avaliar os conhecimentos dos alunos é transformada num imenso buraco por onde podem passar todos!

Estranho critério este.

Num país sem recursos como o nosso, a mais-valia que nos resta são as pessoas.

Mas, se em vez de as fazermos crescer em competências e conhecimento as tornamos cada vez mais banais, o que nos resta?

E que país é este onde os partidos da oposição em uníssono criticam a medida anunciada e são as organizações dos professores e dos pais que aplaudem a medida?

Mas estamos todos DOIDOS?

A Educação é um pilar do desenvolvimento da nossa Sociedade.

Os Portugueses não podem fazer de conta que não dão conta do que os nossos governantes estão a fazer à Educação em Portugal!

Sejamos todos exigentes. Exigentes com a qualidade do nosso ensino, exigentes com a forma como todos os intervenientes do processo são avaliados.

Prefiro viver num país em que as estatísticas na Educação são um bocadinho menos boas dos que as dos nossos congéneres da EU do que viver num País do faz de conta!...

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