terça-feira, 4 de setembro de 2018

A LEI É PARA CUMPRIR OU HÁ EXCEPÇÕES?


Por vezes pergunto-me se ainda haverá esperança para a sociedade portuguesa.
Enraizou-se de tal forma o hábito de não ligarmos ao que nos rodeia, não ligarmos aos outros, não pensarmos no todo, na comunidade, que permitimos que os “espertos” ocupem lugares chave na sociedade e nos conduzam à condição de súbditos, de escravos da pouca vergonha.
Sempre entendi que um Partido Político tem que ser uma entidade de bem, tem que defender um modelo claro de sociedade, de soluções para os problemas da comunidade, das pessoas, do território, do país.
Sempre entendi que um Partido Político não é uma coisa abstrata, é o espelho das pessoas que nele militam e especialmente dos que ocupam lugares dirigentes.
Sempre entendi que os dirigentes políticos dos Partidos Políticos têm que ser pessoas de bem, sérios, com pensamento político claro e bem explicado à comunidade que é chamada a acreditar neles e a votar nos diversos processos eleitorais.
Algum dos meus leitores tem lembrança da última vez em que sentiu isso em relação a um Partido Político ou a um dirigente de um Partido Político?
Pois, se quiserem fazer um processo de raciocínio sério não se lembram. Eu também não.
Deixámos de exercer o direito de exigir seriedade e cumprimento das promessas feitas aos nossos políticos há muito tempo. Deixámo-nos adormecer com este cantar das várias sereias que nos entram pelos olhos e ouvidos dentro.
Este problema nem é já um problema de esquerda ou de direita, de PS ou PSD, de BE de PCP, de PAN ou de CDS!
Este problema é sistémico e toca a todos!
Porque não somos exigentes, há muitos anos que os Partidos e os Políticos deixaram de sentir a necessidade de prepararem e apresentarem ao eleitorado um Programa que, após vitória eleitoral, é cumprido escrupulosamente.
Basta dizer mal do últimos a exercer o poder, criticar sem apresentar alternativas, e está feita a campanha eleitoral.
É tão pouco.
E o que mais me arrepia é que passámos a achar este tipo de comportamento normal.
Este meu desabafo surge porque tem sido muito comentado e foi primeira página de um Jornal o fato de Rui Rio ter decidido colocar uma ação em tribunal contra os candidatos do PSD às últimas eleições autárquicas que ultrapassaram os limites legais das despesas com as campanhas eleitorais.
Carreiras fala em caneladas nos colegas de Partido e Miguel Pinto Luz arrasa Rui Rio e culpa-o da falta de unidade partidária.
Também alguns amigos meus, militantes do PSD, vêm às redes sociais dizerem do seu descontentamento com a atitude de Rui Rio.
Depois de 30 anos de militância decidi apresentar a demissão do PSD, vai para quase cinco anos, devido a uma simples razão: um Partido que se permite ter uma secção a “funcionar” como a de Cascais, não pode ser um Partido sério e eu não posso estar lá dentro e ser conivente!
Por isso estas linhas não são de apoio a Rui Rio ou de desapoio, como não têm um significado de militância partidária.
Mas não consigo entender as críticas a Rio por cumprir a Lei.
Não consigo entender que se considere normal que os Partidos possam de forma habilidosa e despudorada, ultrapassar os limites das despesas de campanha quando sabemos que essa é claramente também uma manifesta injustiça para com as listas apresentadas por grupos de cidadãos independentes que não dispõem de apoios ocultos de interesses económicos, ou de empresas municipais, como desconfio que possa ter acontecido em CASCAIS!
Até posso acreditar que a atitude de Rui Rio se mistura entre o cumprimento da Lei e um ataque a alguma da oposição interna.
Mas não aceito os gritos de revolta quanto ao fato de se cumprir a Lei.
A Lei é para cumprir por todos ou é por quase todos?
Os Partidos e os Políticos estão acima da Lei?
Sei que os exemplos são muitos, este das despesas de campanha, as mudanças de morada para receber uns subsídios, o ataque às pensões vitalícias, demonstram que a Lei não é cega quando se trata da sua aplicação!
Pudesse Rio ser assim em todas as suas atitudes, e cortar a direito, e talvez emprestasse um pouco de seriedade à política nacional, que dela tem estado tão afastada!
Mas do atual sistema partidário e da esmagadora maioria dos seus atores, políticos de meia tigela, só espero mais do mesmo – a bandalheira sem vergonha!

domingo, 15 de julho de 2018

CASCAIS CONTINUA A METER ÁGUA NA POLÍTICA AMBIENTAL


A questão da reutilização e da reciclagem dos materiais continua a estar na ordem do dia.
Desde 2003 que venho defendendo uma teoria sobre esta matéria.
Na Tratolixo trabalhei com outros técnicos um Plano de intervenção para esta área, começámos a testá-lo nos quatro concelhos do universo Tratolixo, Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, com sucesso, mas foi abruptamente interrompido por pressão de Carlos Carreiras.
A recente notícia da Câmara Municipal de Cascais em que anunciou a “proibição” de utilização de garrafas de plástico para a água fornecendo a todos os colaboradores uma garrafa de vidro ou um cantil para reenchimento deixou-me perplexo perante a desfaçatez a que se pode chegar na utilização do marketing na política.
Dão-nos até a medida de dois Faróis de Santa Marta para encher por ano com garrafas de plástico que se deixam de utilizar na Câmara!
Com esta medida, Carlos Carreiras arrisca ir “receber um qualquer prémio” à ONU!...
Cascais continua a fazer política para o boneco, para a notícia de jornal ou da televisão.
Qual o significado real desta medida na problemática da reciclagem do plástico a nível local, nacional ou mundial? Tem tantos zeros depois da vírgula que se torna entediante contá-los!
Quando li a notícia ainda pensei que fosse uma forma de apelar para a utilização da água da rede e uma garantia da sua qualidade, como há muitos anos a Câmara de Oeiras ou a de Sintra fazem, mas não, porque na imagem lá está um dispensador de água em garrafões para reabastecer o cantil!
Este negócio, porque se trata de um negócio e não de uma medida de proteção ambiental, permitiu que uma empresa amiga fornecesse uns milhares de garrafas e cantis por ajuste direto!
O que pensa a opinião pública, o que pensam os munícipes de Cascais desta medida?
Alguns, começarão a bater palmas até que as mãos lhe doam, outros acharão a medida engraçada e a esmagadora maioria vai seguir caminho sem prestar qualquer atenção ao assunto, sem valorizar positiva ou negativamente a medida anunciada e as suas implicações.
É pena, que a sociedade local de Cascais tenha chegado a este ponto de alheamento, de preguiça para pensar na verdadeira razão das coisas.
O problema não está no meio milhão de garrafas que deixam de circular.
Alguns dirão que é um começo.
Eu digo que é um fim.
Apenas se pretendeu o momento do boneco e a ajuda no negócio dos cantis. Quanto à reciclagem do plástico a preocupação é zero.
Eu relembro os princípios que defendo desde 2003:
·         É preciso ajustar o sistema de recolha de materiais recicláveis e torná-lo mais confortável para o munícipe que colabora com a separação;
·         É preciso deixar de tarifar os resíduos pelo consumo da água e passar a tarifar em função do tipo e da quantidade de resíduos entregue para tratamento por cada família;
·         É preciso continuar a sensibilização da população para colaborar na resolução deste problema.
Enquanto se mantiver a supremacia dos interesses dos serviços de recolha sobre o munícipe, e se mantiver uma tarifação de resíduos que não faz a diferença entre quem separa e recicla e quem não se importa com o assunto Cascais continuará a prestar um péssimo serviço à qualidade ambiental.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

CASCAIS, O POPULISMO E A ABSTENÇÃO


A leitura desta notícia deixa-me ao mesmo tempo espantado, preocupado e á beira de um ataque de riso.
Ver Miguel Pinto Luz participar ativamente nesta discussão, com aquele ar de “vamos lá arregaçar as mangas e resolver isto” provoca-me este estado entrópico de sentimentos contraditórios que não resisto a comentar.
Miguel Pinto Luz é um fiel seguidor (e provavelmente mentor) do que pior se tem feito na política, caminhando a passos largos para fazer falir a democracia e o que ela deveria representar de participação ativa e consciente da população, personificado pela ação de um trio de autarcas em Cascais, um líder, Carlos Carreiras, um “Think thank” Miguel Pinto Luz e um carregador de pianos e de sacos de cimento, Nuno Piteira.
Este trio tem os papeis do faz de conta bem determinados: Carreiras faz de conta que manda, Pinto Luz faz de conta que pensa e Piteira faz de conta que faz.
Cascais nunca esteve tão perto do “glamour” e simultaneamente tão longe da democracia e da defesa do interesse dos seus munícipes como agora.
Reescreve-se a história de Cascais e da ação da Câmara todos os dias.
Carreiras negociou o Hospital António José de Almeida para criar um polo ligado à saúde, para instalar o Centro de Saúde de Carcavelos, para uma Universidade ligada ao ensino da Medicina mas afinal parece que vai ser cedido ao grupo CUF a preço da “uva mijona”.
Esta mudança de opinião sistemática não faz bem à democracia.
É verdade que o “zé contribuinte” está cansado e sem opinião.
Tanto lhe faz.
Tanto desmando, tanta prepotência, tanta falta de compromisso com a verdade, provocou a desistência da maioria.
Com esta desistência, é claro o aparecimento da abstenção!
Mas um democrata preocupado com a democracia seria o primeiro a tentar encontrar antídotos para a situação pantanosa criada, provocar a discussão e a participação dos eleitores nas decisões mais determinantes do futuro da “Nossa Terra”, promover políticas de transparência, mostrar com clareza os caminhos traçados sem nada escondido por trás das cortinas, mas nada disso acontece em Cascais.
Ao invés promove-se o culto do poder absoluto, a perseguição dos que ousam opinar diferentemente da maioria, implementa-se uma política de terra queimada, de assalto ao ordenamento de território.
Exemplos são muitos, da aprovação do Plano de Pormenor Sul de Carcavelos, da hipotética cedência de terreno (em zona REN!) em Tires para mais uma escola privada inglesa, a paródia da escola da Fundação Aga Khan, a tentativa de acabar com o corredor para a construção da variante a Trajouce a pedido de uma empresa, a urbanização à entrada de Cascais, o edifício da Praça de Touros, e podia continuar a gastar linhas e linhas de exemplos de como não se gere um território lindo e com um enorme potencial físico e humano como o de Cascais!
Mas é o que temos, resultante das últimas eleições autárquicas.
Em índice de transparência como atrás referi, Cascais que gosta tanto de rankings, ocupa o 75º lugar.
Há 74 Câmaras em Portugal com uma gestão mais transparente.
Merecíamos mais.
Sintra, o colosso Sintra com toda a sua grandeza territorial, elevada população, mistura de urbano e rural, ocupa o 6º lugar.
Dá que pensar…
O que vivemos em Cascais hoje está longe da democracia mas muito perto do populismo.
Quem assistiu aos “acessos de personalidade” de Bruno de Carvalho e compara com as atitudes do trio de autarcas de Cascais e consegue identificar diferenças estará deveras distraído!
Experimentem espreitar uma gravação de uma reunião de Câmara e avaliem o respeito que o trio demonstra pelos seus colegas eleitos como eles mas que representam outras forças partidárias.
A exceção existe, depois de domesticados e de aceitarem uns Pelouros e o respetivo salário a meio tempo ou a tempo inteiro, e o carro, e o telemóvel, e o motorista, e os outros etc…
Ao invés de ex colegas meus de movimento autárquico “Ser Cascais”, nunca acreditei que Gabriela Canavilhas fosse solução adequada para Cascais e pudesse personificar uma alternativa entendível como tal pelos eleitores de Cascais para trazer decência à gestão autárquica em Cascais.
Mas percebo que ela tenha atingido o ponto de saturação ao ter que lidar sistematicamente com tanta desconsideração, má educação e incivilidade nas reuniões de Câmara.
Percebo mas não aprecio.
Por cada desistência ou alma comprada, cresce o populismo e definha a democracia.
Eu continuo de pedra e cal pela democracia. Sempre pela democracia! 


domingo, 27 de maio de 2018

EM CASCAIS, EM PRIMEIRO AS “TRENDS”


Cascais segue definitivamente um caminho de costas voltadas para os seus munícipes.
As políticas implementadas por Carlos Carreiras e o seu executivo demonstram um total desprezo pelos residentes no concelho adotando medidas que visam apenas o reconhecimento nacional, a inclusão nas últimas tendências, o reconhecimento e aplauso dos opinion makers.
Cumprir aquele que deveria ser o primeiro objetivo de uma Câmara, que é zelar pelos interesses dos seus munícipes, daqueles que “pagam as festas” com os seus impostos, aparece em último lugar nas prioridades desta Câmara. A exceção abre-se apenas a seis meses do período eleitoral onde não há ciclovia, jardim ou passeio que não seja remexido à pressa como postal para guardar no dia das eleições autárquicas!...
Isto é possível porque os tempos que correm permitem conjugar a falta de escrúpulos da equipa que dirige os destinos do executivo social democrata em Cascais com a apatia, a falta de escrutínio instalado no povo português, e também na população de Cascais.
As pessoas desistiram de se indignar.
Os exemplos são inúmeros mas uma reunião que tive esta semana á noite em Parede que me obrigou a perder 20 minutos da minha vida para conseguir estacionar o meu carro sem importunar a circulação viária, embora em local passível de ser multado (duas rodas em cima do passeio e a impedir o acesso fácil ao ecoponto) relembrou-me o assunto estacionamento.
A política desenvolvida por Carreiras nesta matéria é simples: se há pouco estacionamento vamos taxá-lo com parquímetros, a procura é grande a oferta é pouca, dinheiro em caixa!
As tendências modernas aconselham (e bem!) que se cuide das acessibilidades e da mobilidade das pessoas com deficiência pelo que então vamos restringir a utilização dos passeios com ocupação de carros, colocando pilaretes. Medida correta na preservação dos direitos e das condições de vida para as pessoas com mobilidade reduzida mas que implica uma ainda maior redução de lugares de estacionamento disponíveis.
Perguntas que se podem colocar:
·         Os detentores de viatura própria não têm direito a ter estacionamento nas proximidades das suas residências, em número suficiente para as suas viaturas e eventualmente algum visitante?
·         O IMI que pagamos não nos dá direito a ter estacionamento suficiente para a nossa residência?
·         O IUC que pagamos da nossa viatura também não nos garante o direito a termos estacionamento em quantidade suficiente quando nos deslocamos na urbe?
·         De quem é a responsabilidade de garantir o adequado ordenamento do território?
·         De quem é a responsabilidade do licenciamento das habitações e dos edifícios de comércio e serviços?
Este é o meu ponto.
A Câmara, o executivo da Câmara é responsável por dar resposta a esta carência!
No passado licenciaram-se fogos com poucos ou nenhuns lugares de estacionamento, hoje a população tem maior número de viaturas próprias e portanto maior necessidade de lugares de estacionamento, duas verdades indesmentíveis.
Quem gere o dinheiro dos nossos impostos para nos garantir respostas adequadas aos nossos problemas, para assegurar uma adequada qualidade de vida, é a Câmara portanto, enquanto entidade responsável, é a Câmara Municipal e o seu executivo que tem que encontrar respostas para estes e outros problemas dos habitantes, dos munícipes.
Em Cascais, tudo isto é gerido ao contrário. Colocam-se parquímetros nas praias, nas zonas residenciais e claro nos centros das localidades de Cascais.
Experimentem ir à Parede com viatura própria e depois contem-me o resultado! Mas vão com tempo, porque vão precisar de muito!
O estacionamento é um direito da população. Se não há suficiente estacionamento para a procura é à Câmara Municipal que compete encontrar soluções.
Criem-se silos automóveis nos centros das localidades, ou parques de estacionamento nas periferias e crie-se sistemas de mobilidade.
Mas não arranjem mais soluções tipo Mobicascais. Auscultem primeiro as pessoas, o que estão disponíveis para utilizar e em que condições.
Autocarros e minibus a circular vazios no concelho de Cascais já temos em excesso!...


sexta-feira, 18 de maio de 2018

NOVA CASCAIS – O BETÃO, SEMPRE O BETÃO!


(infografia inserida no Jornal Expresso – 7/01/2018)
No início de janeiro Carlos Carreiras e Miguel Pinto Luz quiseram utilizar o Jornal Expresso para apresentar aquilo que apelidaram, não sei se eles se o jornalista, de Nova Cascais.
A tónica de toda a notícia carrega um exagerado entusiasmo com a pretensa revolução que a autarquia de Cascais planeou realizar.
Vale a pena olhar com atenção e perceber os pormenores, acima de tudo quem ganha e quem perde com tudo isto.
Cascais ganhou uma notícia num jornal de referência, pouco mais do que isso, em minha opinião.
Olhemos primeiro para a infografia. O que tem de errado?
Só metade do concelho tem direito a “ser nova”!
As freguesias de Alcabideche e de S. Domingos de Rana vão continuar a fazer parte da velha Cascais. A parte desprezada, onde pouco ou nada acontece, para onde o dinheiro e a atenção da Câmara de Cascais vai a conta-gotas!
Dos investimentos anunciados só um está a norte da autoestrada e esse existe desde 1964 – O aeroporto de Tires!
Para quem queira pensar em Cascais como um todo, esta tendência, que não é de agora, não tem uma explicação fácil.
Por muito que me custe, acabo por ter que dar toda a razão ao discurso que defende que existem duas Cascais – A dos ricos, do turismo, do casino, das praias, e a dos pobres, dos bairros sociais, dos bairros clandestinos, do mau ordenamento de território e da péssima oferta de condições de mobilidade.
O interior de Cascais, a norte da autoestrada, merecia outra atenção, merecia um plano de desenvolvimento no interior do concelho, onde ainda há terrenos disponíveis para pensar grande, para criar polos empresariais ligados a serviços e a novas tecnologias, onde fosse possível criar novos empregos e permitisse fixar em Cascais uma boa parte dos recursos humanos que habitando em Cascais continuam todos os dias a ter que perder 2 ou 3 horas nas deslocações para Lisboa ou para Oeiras!
Mas para que um plano destes tivesse a mínima hipótese de sucesso obrigava a que a Câmara, Carlos Carreiras e a sua equipa, se preocupassem em criar acessibilidades que permitissem fluxos horizontais (ligação a Oeiras e a Lisboa) e fluxos verticais (ligações a Sintra).
Obviamente que nenhuma empresa se instala num sítio onde os acessos sejam obsoletos e sem condições.
É por isso que no eixo Alcabideche / Manique / Trajouce a única empresa com dimensão ali instalada é o Complexo da CMC em Alcoitão e no eixo vertical S. Domingos de Rana / Abóboda / Trajouce a esmagadora maioria das médias e pequenas empresas ali existentes procuraram novos locais com melhor acessibilidade.
Já experimentaram fazer a estrada S. Domingos de Rana Trajouce entre as 7h e as 21h? Se ainda não, experimentem e vão perceber do que falo!
A conclusão da longitudinal norte, a variante de Trajouce, são dois exemplos de investimentos viários estruturantes que continuam a não sair do papel.
Para os munícipes de Alcabideche e de S. Domingos de Rana sobram umas migalhas, que serão mais visíveis perto das próximas eleições autárquicas!
Mas e o plano que vai transformar a parte a sul da autoestrada do concelho de Cascais, em que medida vai alterar, beneficiar os munícipes de Cascais, Estoril, Parede e Carcavelos?
Não sei se os investidores dos empreendimentos ou os administradores das empresas que irão construir todos estes edifícios são munícipes destas freguesias mas tenho uma triste notícia para vos dar – Tirando os promotores e investidores e os construtores não vejo mais ninguém que saia beneficiado com todo este betão anunciado! Para eles o benefício parece-me bem avultado mas para o munícipe, o pagador de impostos, nada!
Os investimentos em Carcavelos / Parede – School of Business, cerca de 1000 fogos na Quinta dos Ingleses, centro comercial, hotéis, vão descaraterizar aquela zona, vão promover uma pressão sobre a estrada Marginal, vão alterar as condições e a qualidade da praia de Carcavelos, vão transformar a entrada do concelho de Cascais numa Brandoa à beira mar!
E há um balanço que ainda não foi feito mas merecia ser quanto antes. O que vai acontecer ao comércio tradicional de Carcavelos?
E depois a entrada em Cascais.
Betão na antiga discoteca Bauhaus, betão no Jumbo, betão na Marina, betão no Hotel Nau, betão na Praça de Touros, com tanto betão, qual o real benefício para os munícipes de Cascais, os pagadores de impostos?
O caso do projeto do Jumbo merece até um pouco de atenção adicional.
O projeto inicial do Cascais Vila previa o cruzamento com a avenida de Sintra desnivelado. Por obra e graça de José Luís Judas acabou por ficar de nível e contribuir até hoje para a meia hora necessária para entrar na Vila de Cascais.
Agora, este projeto do Jumbo, transforma aquela zona em mais um número assinalável de apartamentos, que irão beneficiar alguém, mas para o cruzamento não vai sobrar nada, fica tudo igual. A única diferença é que os automobilistas na meia hora de espera para entrar em Cascais passam a ter “uma paisagem verde”…
Em Cascais, na Câmara Municipal, o PSD caiu em 1994 por causa do betão, José Luís Judas caiu em 2001 por causa do betão.
No último caso, Carlos Carreiras, então entusiasta promotor de uma Associação Cívica que combateu sem quartel José Luís Judas por causa do betão, vem agora anunciar com pompa e circunstância uma nova Cascais com uma invasão de betão? A isto podemos chamar o quê? “Coerência”?
Mas tudo isto é sintoma da apatia da maioria dos munícipes de Cascais. Olham para estas notícias e encolhem os ombros.
Quando despertarem, poderá ser tarde demais!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Cascais, a cegueira e a política!


Cascais anuncia no Fórum Nacional de Resíduos que terá lugar em Abril uma “revolução” na recolha de resíduos.

http://www.ambienteonline.pt/canal/detalhe/cascais

A grande novidade é afinal uma versão “made in Taiwan” do que foi testado com sucesso pela Tratolixo em 2006 e que por teimosia foi abandonado por pressão de Carlos Carreiras e Isaltino Morais.

Tentemos de forma resumida colocar o problema e as soluções plausíveis.

Há uma clara necessidade de resolver de forma autónoma os resíduos orgânicos (vulgarmente apelidados de restos de comida ou de forma mais técnica RUB - resíduos urbanos biodegradáveis). É um assunto que tem vindo a constar de metas estabelecidas pela comunidade europeia e que Portugal tem vindo a ignorar.

Com este objetivo, o desenho traçado na elaboração do Plano Estratégico de Resíduos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra em 2003, de que me orgulho de ter sido um dos responsáveis pela elaboração, definiu uma estratégia para a recolha autónoma deste tipo de resíduos e a construção de uma Central de Digestão Anaeróbia para receber e tratar os RUB, obtendo como produtos finais um aditivo orgânico para a agricultura e a produção de energia elétrica.

Em 2006 foram realizados vários testes piloto, com recolha de RUB em contentorização colectiva (Cacém e Polima) e com recolha porta-a-porta (Matocheirinhos) com resultados muito promissores.

Mas em 2007, Carlos Carreiras liderou uma campanha contra a atividade desenvolvida pela Tratolixo colocando duas condições que viriam a ditar o fim do Plano Estratégico de Resíduos tal como estava a ser implementado: a exigência de que as recolhas seletivas fossem asseguradas pelas Câmaras e não pela Tratolixo e que as ações de sensibilização deixassem de ser executadas pela Tratolixo e passassem também a ser geridas pelas Câmaras.

O concurso público internacional para a construção da Central de Digestão Anaeróbia já tinha sido aberto, sendo a unidade prevista para trabalhar com RUB recolhidos seletivamente.

Sem recolha seletiva de RUB, porque Carreiras e companhia achava que era uma “modernice desnecessária”, foi necessário introduzir alterações no projeto da Central de Digestão Anaeróbia para passar a receber RSU indiferenciado que custaram ao erário público, ou seja aos munícipes destes 4 concelhos, a módica quantia de 10 milhões de euros e uma derrapagem de mais um ano na conclusão daquela unidade. Durante este ano há que juntar os custos de transporte e tratamento dos Resíduos que não foram tratados na CDA e foram transferidos para outras unidades…

Passados 12 anos, eis que voltam à carga com a necessidade de recolha seletiva de RUB.

Em contentores autónomos de grande capacidade?

Em recolha porta-a-porta?

Não! A nova estratégia é fazer a recolha em sacos de cor diferente mas no circuito dos RSU indiferenciados.

Que ideia mais peregrina!

Dizem os “experts” que a separação dos sacos de RUB do restante RSU indiferenciado será feita na Tratolixo.

Uma ideia destas só podia vir de alguém que não faz a mais pequena ideia do que são as condições de trabalho na receção dos RSU na Tratolixo.

Doze anos para conceber uma alternativa destas?

A recolha de RUB sem ser em contentorização autónoma está condenada ao fracasso.

Mas vale a pena discutir um pouco o que se vai pedir aos munícipes e a troco de quê.

A conta que todos os munícipes de Cascais pagam de resíduos está bem visível na conta da água. No entanto, como esse valor é calculado em função da água consumida, trate-se de um munícipe consciencioso, que separa as várias fileiras dos seus resíduos ou não tenha qualquer preocupação na separação na origem, o valor a pagar é o mesmo.

Como os recicláveis são valorizáveis e os rsu indiferenciados exigem tratamento, os custos respetivos não são iguais. Podemos pois afirmar que o munícipe consciencioso, que separa os seus resíduos, embora tenha mais trabalho, financia a não preocupação do munícipe que não separa.

Digamos que é “um prémio” que o município de Cascais atribui aos seus melhores munícipes…

Mas há mais. As Câmaras continuam a olhar para os seus munícipes com um certo desprezo que é inaceitável. As soluções encontradas têm sempre preocupações de tornar as tarefas mais fáceis para os serviços camarários do que para os munícipes que são quem pagam isto tudo!

Da contentorização porta-a-porta passou-se para a contentorização de 800 litros e depois para a contentorização enterrada com capacidades de 3 ou 5 m3. Em cada passo evolutivo a contentorização foi ficando mais longe do munícipe.

Quem separa tem menos oferta de contentorização para os resíduos separados do que quem não separa. Onde é que está a lógica?

O cumpridor é que é castigado?

Diz o velho ditado que não há pior cego do que aquele que não quer ver.
Em Cascais a cegueira parece ser regra…

(Publicado em Cascais 24 a 13 de Março de 2018)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A ERA DO PAPAGAIO


Aviso: Se faz parte das pessoas que não tem por hábito pensar antes de formular uma opinião, não deve ler esta reflexão. Como reflexão que é, o autor pretende apenas expor um estado de alma e não tem qualquer objetivo de agredir ou ofender o leitor, muito menos de transformar este escrito num ato de sobranceria inusitada. Se vive nestas condições não leia isto, POR FAVOR!

Hoje vivemos numa sociedade imediatista, e perdemos, a maioria de nós perdeu, a capacidade de pensar, refletir sobre os assuntos antes de emitir uma opinião.
Perdemos também a capacidade crítica de análise do que nos rodeia e de agir para transformar o mundo.
Perdemos a iniciativa. Hoje flutuamos ao longo dos dias nos fatos que nos rodeiam sem a mínima vontade de influir no nosso destino. Viajamos na maionese diária, no corrupio que se agita à nossa volta mas sempre na condição de espetador e não de ator principal.
Perdemos a capacidade crítica de julgar os nossos representantes e de ajustar contas com eles nos atos eleitorais. Os que votam, votam numa lógica de grupo a que pertencem, os que não votam desistiram de fazer valer a sua vontade e pior do que isso, deixaram de acreditar que outros possam fazer diferente e melhor.
Vivemos na era do “Papagaio”.
As redes sociais hoje são uma clara demonstração disso.
A maioria dos intervenientes repetem ideias já expressas, muitas vezes pouco ou nada refletidas, e que demonstram formas apressadas de ver um determinado problema ou apenas uma faceta desse problema.
Hoje falamos e escrevemos sem pensar. Copiamos ideias feitas ou escritas sem uma análise crítica que a transforme numa ideia também nossa.
Tal como os papagaios, repetimos palavras, ideias, mas não sentimos o seu significado.
Defendemos, por vezes até de forma agressiva e abnegada, as ideias e os atos do nosso Partido, as cores e os atos do nosso clube, o ambiente, a defesa dos animais, mas não perdemos 1 minuto que seja a refletir sobre a justeza desses princípios nem a forma como acabamos por julgar e condenar os que não estejam muito sintonizados com eles.
Há sinais de regressão clara sobre a teoria de que o homem é um ser inteligente capaz de desenvolver raciocínios autónomos.
Cada vez mais uns poucos que nos apanharam o fraco se transformam em “líderes de opinião” e o resto, qual manada, lá segue de forma ordeira o caminho que nos indicam e que, se ousássemos parar para pensar um pouco, veríamos o quanto errado é o caminho que somos levados a trilhar.
Não sei se vamos conseguir ultrapassar este torpor.
O sucesso de tantos canais televisivos de análise de “futebolês”, a participação histriónica de tanta gente nas campanhas de defesa do gatinho ou dos plásticos no mar, indicam-nos que a nossa sociedade está gravemente contaminada com o efeito papagaio.
E o smile ou a afirmação inflamada de condenação nas redes sociais resume a capacidade de atuação e participação da esmagadora maioria dos cidadãos.
É muito pobre!
Os que contrariaram o aviso inicial e estão a ler esta reflexão poderão então perguntar: e que solução propõe o autor?
Sem uma mudança de mentalidades, sem voltarmos a encontrar o prazer de pensar, de formular uma opinião refletida, não vejo grande forma de contrariar este estado de coisas.
Mas é urgente.
Esta revolução tem que ser promovida nas escolas, nos agentes que de alguma forma lideram processos na sociedade.
Esta revolução tem que acontecer em cada um de nós.
A manter-se esta apatia o mundo será dos espertos. Os espertos da política, os espertos da finança.
O resto, serão apenas vistosos e coloridos…papagaios!