segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

“C” de Coerência



As atitudes das pessoas são sempre o espelho da sua alma, do que valem como pessoas, a imagem da sua integridade, o quanto são verdadeiras e por essa via confiáveis.
Infelizmente, o povo português tem vindo a perder paulatinamente a capacidade de exigir dos seus políticos que sejam verdadeiros e cobrar deles, pelo menos nas eleições, com o seu voto.
Os tempos estão para se ter memória curta.
A recente notícia http://sol.sapo.pt/artigo/541443/sintra-psd-apoia-capucho-tr-s-anos-depois-de-o-ter-expulso- demonstra-nos como se pode ser tão pouco coerente na política sem receio nem vergonha por passar uma imagem invertebrada ao eleitor.
Boa parte da população parece ter esquecido o que se passou nas últimas eleições autárquicas mas eu faço questão de voltar a trazer este assunto ao debate.
A direcção do PSD na altura, onde pontificava Carlos Carreiras como Vice Presidente do PSD e herdeiro da presidência da Câmara de Cascais por abandono de António Capucho por motivos de saúde, e na Comissão Política Distrital do PSD Miguel Pinto Luz, também ele catapultado a Vice Presidente da Câmara de Cascais pela mesma via “hereditária”, acabaram por decidir que Marco Almeida não seria o candidato do PSD à Câmara de Sintra.
Marco Almeida tinha o apoio da totalidade das secções de Sintra do PSD mas Miguel Pinto Luz na Distrital boicotou a nomeação de Marco Almeida, inventando uma candidatura anedota liderada por Pedro Pinto que acabou com 13,79% dos votos (2 vereadores) e que, se depressa chegou a Sintra como candidato, mais depressa desapareceu para o bem bom do Parlamento, que isto de autarquias “ é muito trabalhoso e dá pouco cachet”…
Marco Almeida foi vetado porque não tinha apoiado Carlos Carreiras quando da sua eleição para a Distrital de Lisboa do PSD como também não apoiou Miguel Pinto Luz na sua eleição para a Distrital.
Carlos Carreiras já nos habituou a raciocínios lineares – se não estás comigo estás contra mim, e se estás contra mim estás feito até ao resto dos teus dias…
Marco Almeida, mesmo com uma lista anedota do PSD a concorrer contra si, acabou por ficar a 1738 votos de ganhar as eleições em Sintra, encabeçando uma lista independente. (PS – 32.894 votos; Sintra com Marco Almeida – 31.246 votos; PSD/CDS/MPT – 16.945 votos).
António Capucho foi o candidato na lista de Marco Almeida à Assembleia Municipal, facto que lhe valeu a expulsão do Partido de que foi fundador e onde militou durante quase 40 anos.
A piada disto é que os mesmos estatutos do PSD que serviram para expulsar Capucho do PSD por ter participado numa lista contra o Partido, de nada serviram para fazer valer a vontade dos militantes de Sintra quanto ao candidato que pretendiam apresentar em eleições…
Acto de coerência, não é?
O PSD acabou por ganhar apenas Cascais e Mafra em todo o Distrito de Lisboa o que é, convenhamos, muito pouco!
Mas as perspectivas não são nada animadoras para as próximas autárquicas no que ao PSD respeita.
Se Mafra parece estar de pedra e cal, não se augura que o PSD consiga inflectir a tendência de votos já registados nas últimas eleições autárquicas nos restantes municípios do Distrito e em Cascais, a possibilidade do aparecimento de um sucedâneo da geringonça, agora a nível local, poderia mesmo fazer o PSD perder esta Câmara emblemática para as hostes laranja.
Numa clara demonstração que em política vale tudo e a verticalidade e a coerência dos actos não tem valor reconhecido, os mesmos carrascos de Marco Almeida e António Capucho vêm agora fazer de conta que “sempre foram amigos”.
Carlos Carreiras teve um “ataque de azia” de uma semana mas prefere isso a ter que prestar contas no Partido por aumento de perdas.
Embora tenha que engolir Marco Almeida como candidato e tenha que aceitar que o seja nas condições impostas por Marco Almeida, arrumar António Capucho em Sintra é do mal o menos uma vez que, das hipotéticas figuras que poderiam liderar o dito sucedâneo de geringonça, a que detinha maior probabilidade de vencer Cascais era precisamente António Capucho.
Capucho, tem 8 anos de prática, de um estilo de governação de Cascais que enche o coração dos cascalenses de saudade! Qualquer comparação com Carreiras são, futebolisticamente falando, dez a zero a favor de Capucho!
Assim, sem coerência (valor com baixa cotação nos dias que correm ao que parece…) Carreiras e Pinto Luz “solucionam” Sintra a favor do PSD sem colocarem em causa a tribuna que têm em Cascais.
O que me deixa estupefacto é como chegámos a uma sociedade que acha normal a ausência de coerência, de verticalidade, de assunção de responsabilidades.
O PSD no anterior mandato candidatou um Presidente à Junta de Freguesia de Parede que se abotoou com uma quantidade assinalável de dinheiro.
Carreiras, enquanto responsável local do PSD, não sentiu necessidade nenhuma de pedir desculpa aos fregueses de Parede pela má escolha que o seu Partido fez.
Eu sei que não terá sido o PSD que mandou o dito senhor desviar o dinheiro para a jogatana mas que diabo, e a responsabilidade Partidária? Se nem para isto serve, então para que servem os Partidos? Qual a diferença entre votar num Partido ou no Zé dos Anzóis?
E qual foi a resposta do eleitorado nas últimas eleições? Vitória da lista do PSD.
Moral da história? Nem a quero verbalizar, pela vergonha que me dá enquanto cidadão.
Quanto ao eleitorado não se espera nada de novo.
Perante soluções em que sai mais valorizado o que acontece aos Partidos e aos seus militantes do que o que pode esperar Cascais, não auguro nada de muito diferente.
Metade ou mais vai voltar a ficar em casa e os outros, uns por “esquecimento” e outros por convicção vão voltar a deixar tudo com uma má solução!...

domingo, 4 de dezembro de 2016

RESPEITAR PARA SER RESPEITADO




Fui educado, desde pequeno, a respeitar os outros para eu próprio ser respeitado.
E não gosto, não gosto mesmo, quando tentam fazer de mim parvo.
A gestão política de Cascais tem seguido o caminho tortuoso de nos fazer a todos passar por parvos.
Conseguirá?
2017 o dirá.
Mas passemos os olhos sobre alguns factos.
Carlos Carreiras tem feito uma gestão centrada no parece que é, no imediatismo do foguete, muito focada em garantir os votos necessários no próximo acto eleitoral para perpetuar o seu poder mas com total ausência de respeito pelos seus munícipes.
O respeito demonstra-se falando verdade.
O respeito demonstra-se colocando os interesses da comunidade em primeiro lugar e não os do seu Partido e os seus próprios, sejam eleitorais, financeiros ou outros.
O respeito demonstra-se aceitando as diferenças, aceitando as regras da democracia.
O respeito demonstra-se discutindo argumentos com humildade.
O actual edil de Cascais criou um estilo na Política, baseado na sobranceria, na irascibilidade e na prepotência que transformou Cascais em 3 castas:
- Os brancos, seguidores incondicionais de Carreiras,
- Os pretos, a escumalha que não gosta ou que discute as orientações e as decisões de Carreiras, habitualmente apelidados de “velhos do Restelo”,
- Os cinzentos, a maioria dos munícipes de Cascais que estão indiferentes a tudo isto. Tanto se lhes dá que seja Carreiras, um artista de uma novela ou o Papa porque partem do princípio que os Políticos limitam-se a defender os interesses dos seus Partidos e deles próprios.
Lamento dizer aos da casta dos cinzentos que esse alheamento só faz perpetuar nos meandros do poder o tipo de pessoas que abominam.
Só com o exercício pleno da democracia é possível virar esta página de história negra de Cascais. E a democracia faz-se participando, votando, ou votando noutro candidato quando aquele em que se votou na última vez não cumpriu as expectativas!
Esta lenga lenga pode levar o leitor a dizer que o “Velho do Restelo” que escreve estas linhas só sabe dizer mal.
Não é verdade. Sou capaz de referir aqui um conjunto de medidas e acções levadas a a cabo por Carreiras e pela sua equipa merecedoras de aplauso.
A reclassificação das praias merece aplauso. O incremento das ciclovias merece aplauso. O programa de hortas comunitárias merece aplauso. O apoio prestado à educação merece aplauso. A obra realizada na Feira e no Mercado de Carcavelos merece aplauso.
Mas a esmagadora maioria destas pequenas obras, destes pequenos investimentos, são feitos a pensar no imediato, a pensar na angariação de votos para as próximas eleições. Poucos ou nenhuns tiveram como principal objectivo cumprir a melhoria de Cascais e das suas gentes.
E depois veem as meias verdades e os quartos de verdade.
O prolongamento da A5 parece ter atingido o objectivo de melhorar o acesso a Cascais. Mas preocupa-me o que vai surgir por trás do painel publicitário a cantar loas ao trabalho de Carreiras!
O que Carreiras fez com o Plano de Pormenor de Carcavelos Sul não tem desculpa. Se mais nada houvesse, esta era razão suficiente para criticar e pretender afastar do poder em Cascais o obreiro material da aprovação de tal crime urbanístico!
As bravatas feitas com a aquisição de imóveis do Estado para safar o governo do PSD com dinheiro dos contribuintes de Cascais é miserável.
As aventuras das expropriações por valores inferiores de mercado como a que foi feita no terreno da Business School em Carcavelos é uma esperteza saloia do mais estúpido que se possa imaginar. Ganhar os louros da obra agora e deixar a fatura para os outros que vierem pagar! Política no tom mais ordinário que se conhece!
O Orçamento Participativo, de uma boa ideia para apelar à participação dos munícipes e ensaiar algo parecido com a democracia direta transformou-se num jogo de sorte ou azar, numa espécie de concurso. Lamentável, ver Bombeiros, colectividades ou escolas envolvidos numa caça ao voto quando devia ser a Câmara a tratar desses assuntos por mais elementar justiça!
O modelo de estacionamento pago e a mobilidade em Cascais é um dos exemplos mais gritantes de repúdio por uma larga maioria da população de Cascais mas Carreiras segue em frente como se nada fosse. Sobre a mobilidade muito haveria a dizer mas Carlos Carreiras e a sua equipa preferem esconder-se atrás de um diferendo com a Scotturb ou com o governo acerca da linha do Estoril da CP do que criar modelos de governação da mobilidade dos Cascaenses na grande Lisboa.
Porquê? Porque dá trabalho e não dá a visibilidade necessária para apelar ao voto nas eleições!
Nos aspectos fundamentais estruturais, no que tenha a haver com o futuro a médio e longo prazo de Cascais, não se espere de Carreiras um cabelo branco nascido de pensar no assunto!
E é por isto que defendo uma solução alternativa para governar Cascais.
Infelizmente do lado da oposição todos os sinais apontam para que estão mais interessados nos lugares nas listas autárquicas e nos interesses dos seus Partidos do que viabilizar uma solução que salve Cascais do atoledo em que Carreiras e os seus colaboradores estão a criar na nossa terra.
Carreiras criou uma carripana com o CDS que ele próprio conduz sem carta e a oposição é incapaz de criar uma geringonça que faça regressar o ar respirável aos Paços do Concelho de Cascais. Uma geringonça que faça uma limpeza geral nas assessorias de militantes do PSD e do CDS que definham as contas da Câmara a pagar empregos que não correspondem a trabalho realizado e que resistam a repetir esse exemplo na futura governação do município.
Os dias passam, o tic tac dos ponteiros do relógio parecem antever a inevitabilidade de mais do mesmo.
Muitos candidatos a candidatos nas listas dos vários Partidos, a efémera glória de uma foto tipo passe num lugar de uma lista que nunca será eleito, muitos cabeça de lista derrotados mas eleitos para um mandato de quatro anos sem pelouros e Cascais a as suas gentes a servirem de estrada para a carripana passear uma classe que não tem?
Podem os Partidos da oposição fazer de conta que o que acabo de referir não é verdade, ou não é suficientemente importante para merecer uma abordagem de salvação de Cascais em que assumam uma postura de “vão-se os anéis mas ficam os dedos”?
Respeitar para se ser respeitado.

O Respeito dos Partidos da oposição pelos munícipes de Cascais vai suplantar os interesses dos Partidos e dos seus militantes ou vai ficar adiado por mais quatro anos?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

NOTORIEDADE A SUBIR E A ESPERANÇA A DESCER…



Terminaram ontem as Festas do Mar em Cascais.
Esta iniciativa da Câmara de Cascais foi mais uma vez um sucesso com enchentes de assistência aos vários espetáculos.
Este ano voltei a não estar presente.
No dia seguinte ao espetáculo dos repetentes Xutos e Pontapés (por sinal foi o último espetáculo a que assisti das Festas do Mar há dois anos) o meu facebook foi inundado com selfies e fotos do espetáculo.
Os meus amigos de Cascais, claro, mas também os meus alunos e amigos de Sintra, de Mafra, de Oeiras, de Lisboa, todos a marcar presença no concerto gratuito, oferecido pela Câmara de Cascais.
Cascais foi o ponto de encontro da Área Metropolitana de Lisboa nas Festas do Mar.
Mais uma vez, a Câmara liderada por Carlos Carreiras a promover uma iniciativa focada na grande região de Lisboa e no destaque que possa ter no País e menos preocupada com todos os Cascalenses, com todos os eleitores de Cascais.
É apenas um exemplo em muitos que podem ser aqui elencados.
Há pouco tempo foi anunciado o programa Mobi Cascais, que mais uma vez elege a Vila de Cascais como fonte de preocupação única em termos de mobilidade, de estacionamento e de vias cicláveis, como se o concelho terminasse para poente no Monte Estoril, para norte no Pai de Vento e no Cobre.
Para quem vive em Alcabideche, em S. Domingos de Rana, em Tires, em Parede ou em Carcavelos, parece que os problemas do estacionamento, da mobilidade, não se colocam!
Estarão resolvidos e fomos nós que não demos por isso?
Com as Festas do Mar foi dado o pontapé de saída para a disponibilização de Rede Wi-Fi gratuita.
No concelho todo?
Não, claro que não. Apenas no litoral, Carcavelos, Estoril e Cascais.
A preocupação com os visitantes dos concelhos limítrofes é assumida no texto que copiamos do site da Câmara de Cascais:
“Está disponível, a partir de hoje, a 1.ª fase da Rede Cascais WI-FI, acessível de forma gratuita a todos os que quiserem usufruir e estarem conetados em 5 pontos do concelho. Enquadrando este lançamento nas Festas do Mar, quisemos proporcionar uma nova experiência aos milhares de pessoas que nos visitarão nos próximos dias e a oportunidade de, mais rapidamente, partilharem o ambiente alegre e contagiante do Palco Festas do Mar.”
Sabemos que o desenvolvimento do município se faz também com o turismo, interno e externo, e que garantir que Cascais assume essa atratividade para estrangeiros e para habitantes da Área Metropolitana de Lisboa é crucial para melhorar o nível de vida das gentes de Cascais, salvaguardar o emprego ou até aumentar a sua oferta.
Mas fazer de conta que Cascais se resume à orla costeira, às praias, á Vela e às Conferências do Estoril é esquecer que também há munícipes no interior do concelho, que também há cascalenses em Alcabideche, na Amoreira, em Bicesse, em Manique, em Alcoitão, em Trajouce, em Abóboda, em Tires, em S. Domingos de Rana, no Murtal, no Penedo, em Sassoeiros, na Rebelva, no Arneiro!
Senhor Presidente, olhar para o interior do concelho não pode resumir-se a umas hortas pedagógicas ou a algumas repavimentações de estradas!
Isso é uma ninharia quando comparado com o custo benefício dos avultados investimentos em Festas, Regatas e Conferências!
Não sou defensor da política municipal reduzida ao "Portugal dos Pequeninos".
Mas acredito que o desenvolvimento harmonioso do concelho, criando emprego e oportunidades também no interior do município é uma tarefa em primeira linha do executivo municipal.
O executivo municipal que não queira entender isso, não está a cumprir com a tarefa que lhe foi atribuída no dia das eleições!
Com este tipo de Políticas, é certo que a notoriedade do Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, sobe de forma vertiginosa.
Só resta aos munícipes que vivem no interior do concelho esperar que lhes saia o euromilhões para se mudarem para uma casa à beira-mar?
Enquanto sobe a notoriedade de Carreiras, desce a esperança dos munícipes de Cascais do interior do Concelho!



terça-feira, 21 de junho de 2016

A VERDADE, AS MENTIRAS E AS INSINUAÇÕES


Tenho vivido nos últimos anos numa incómoda encruzilhada entre a verdade e o politicamente correto.
Optei, até hoje pelo politicamente correcto mas a verdade tem que ser dita.
Diz-se que uma mentira mil vezes afirmada passa a ser verdade. As insinuações, essas transformam-se em certezas!
Um amigo meu, militante do PSD e que conhece com rigor a verdadeira história da construção do Pavilhão de Sassoeiros, disse-me a semana passada que eu devia acautelar a minha idoneidade relativamente a este assunto.
Carlos Carreiras, Nuno Piteira e Miguel Pinto Luz têm, nos últimos anos, afirmado repetidamente mentiras e insinuações acerca da construção do Pavilhão de Sassoeiros que, a manter-se o meu silêncio, “correm o risco” de passarem a ser verdades e certezas!
Apresentemos os factos.
Como é sabido fui desafiado em finais de 2004 para me candidatar à presidência do Clube de Futebol de Sassoeiros e, ironia do destino, 2/3 dos votantes (votaram mais de 150 sócios!) quiseram entregar o destino do CFS à equipa que eu liderava.
O Clube de Futebol de Sassoeiros, sob a presidência de Adelino Calado, tinha em 2000 celebrado com a Câmara de Cascais, então presidida por José Luís Judas, um Contrato Programa para a Construção do Pavilhão de Sassoeiros e da Sede do Grupo Nº 12 dos Escoteiros.

Isto significava que o CFS teria que gerir as duas obras de forma integrada e responsabilizar-se pela gestão financeira da empreitada conjunta.
O Concurso Público para a construção do Pavilhão de Sassoeiros foi aberto em 2005, com a colaboração da ESUC (hoje Cascais Próxima), mas a adjudicação acabou por ser feita apenas em Setembro de 2006.
A razão para esta demora assentou no facto de o Contrato Programa celebrado entre a CMC e o CFS pressupor o pagamento de 3.025.000 € num período de 4 anos o que implicava que o CFS teria que contratualizar um empréstimo bancário para que a obra pudesse ser realizada e paga no prazo previsto de execução de 300 dias.
Sendo o CFS um Clube Desportivo sem fins lucrativos e sem património foi muito difícil encontrar uma entidade bancária que estivesse na disponibilidade de emprestar uma tão grande quantidade de dinheiro com tão poucas garantias reais.
O atraso na obtenção do empréstimo protelou o início da obra, tendo consequências na revisão de preços, Custos de Estaleiro, Custos de suspensão da obra e juros de mora e mesmo num período de suspensão da obra por falta de pagamentos (28 de Abril a 31 de Agosto de 2007), facto que contribuiu também para o aumento do custo da obra.
Quer para a Construção do Pavilhão quer para a Fiscalização da obra, e apesar de muitas pressões para favorecer este ou aquele candidato, as adjudicações recaíram nas propostas de valor mais baixo – Contrutora San José para a empreitada e Prospectiva para a fiscalização da obra.
O projecto tinha sido desenvolvido pela Munditraço (empresa do grupo Mundibetão).
 A existência de erros grosseiros de projecto, (erro de cálculo dos pilares da empena sul, erro do cálculo da estrutura do lado norte, inexistência de contraventamento da estrutura da cobertura) que levou à realização de trabalhos a mais num montante de 265.815,42 € e que levou à paragem da obra por mais de um mês para corrigir o erro da cobertura do Pavilhão foi uma peça importante na derrapagem orçamental.
O erro da cobertura foi detectado graças ao representante da ESUC que acompanhou esta obra (Sr. Laranjeira) e cuja actuação foi de enorme importância nas reuniões de obra pela experiência e conhecimento técnico demonstrado na defesa dos interesses do CFS e da CMC.
Foram realizados trabalhos a mais por sugestão do CFS nomeadamente a criação da 2ª sala de ginásio, separação do estacionamento do rés-do-chão do existente no 1º andar, colocação de vedação para protecção de intrusão na envolvente do Pavilhão, colocação de cadeiras no auditório e algumas alterações na Sede dos Escoteiros, a pedido da sua Direção, num montante de 426,736,70 €.
Os trabalhos a mais, erros de projecto e solicitados pelo CFS e pelos Escoteiros, totalizaram 692.552,12 €.
De acordo com o advogado que acompanhou esta empreitada, há responsabilidades claras por parte do projectista (Munditraço) e da construtora (Construtora San José) relativas aos erros grosseiros de projecto de que resultaram trabalhos adicionais e suspensão da obra, com o consequente agravamento dos custos de estaleiro e revisões de preço.
Houve claramente um aproveitamento da San José com o empolamento de faturas de custos de estaleiro e revisões de preço que motivou um diferendo quanto ao pagamento de algumas faturas pelo CFS que se mantém até hoje.
O Pavilhão de Sassoeiros foi inaugurado em 13 de Junho 2008 com a presença do Senhor Presidente da Câmara de Cascais, Dr. António Capucho.
Em 12 de Março de 2009 o CFS dirigiu uma comunicação à CMC solicitando o reforço financeiro da CMC para o pagamento integral dos custos resultantes da construção do Pavilhão de Sassoeiros e da Sede do Grupo de Escoteiros de Sassoeiros.
Resultante desta comunicação foi realizada uma reunião em que a CMC assumiu que iria estudar a forma de poder promover o reforço do financiamento solicitado.
A 10 de Maio de 2010, estando a chegar ao fim o período do empréstimo contratualizado pelo CFS para a Construção do Pavilhão de Sassoeiros sem que o reforço de financiamento tivesse desenvolvimentos e havendo a necessidade de renegociar o empréstimo contraído o CFS enviou novo ofício.
Resultante deste ofício foi realizada uma reunião com o Senhor Vereador do Pelouro do Desporto, Dr. João Sande e Castro, de que resultou uma proposta que resolvia parcialmente as necessidades de financiamento complementar da obra.
Em 10 de Agosto de 2010 foi enviado mail ao Senhor Presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, apelando para uma rápida resolução deste problema.
No final de Agosto, recebi uma mensagem de António Capucho para que eu e o Presidente da Assembleia Geral do CFS, Fernando Mesquita, tivéssemos uma conversa.
Esta conversa decorreu em casa de António Capucho.
Foi-nos dito que Carlos Carreiras, então responsável pelo Pelouro Financeiro da CMC, entendia que o Pavilhão de Sassoeiros tinha sido excessivamente caro e que não aceitava que fosse transferido qualquer dinheiro para o Clube sem que o CFS tivesse as suas contas auditadas.
Na altura tive a oportunidade de referir a António Capucho que a auditoria às contas do Clube podia começar no dia seguinte se a CMC assim o entendesse. Aliás, todos os documentos relacionados com a obra do Pavilhão estavam copiados e entregues na CMC, os autos e as reuniões de obra tinham tido sempre a participação de um representante da ESUC portanto nada havia a esconder.
Todavia, não deixei de revelar o meu desagrado pela intenção subjacente a esta pretensão significar uma tentativa de depreciar o meu papel e o da restante Direcção do CFS na gestão da obra do Pavilhão e de induzir suspeitas sobre a sua conduta na gestão dos meios financeiros que a CMC disponibilizou ao Clube.
Até hoje (estamos em 2016) não chegou a realizar-se qualquer auditoria às contas do Clube de Futebol de Sassoeiros promovida pela CMC.
Mas as insinuações, essas têm sido sistematicamente utilizadas!...
Para permitir renegociar o empréstimo com o BES tal só foi possível graças à intervenção do então Vereador do Pelouro do Desporto, João Sande e Castro, que endereçou um ofício ao BES assumindo a vontade da CMC em resolver as questões resultantes do investimento realizado no Pavilhão de Sassoeiros e na Sede dos Escoteiros de Sassoeiros.
Das sucessivas insistências da Direção do CFS junto da CMC resultou a marcação de uma reunião no dia 28 de Julho de 2011, com a presença do já Presidente da CMC, Carlos Carreiras, Vereador Nuno Piteira e Vereador João Sande e Castro, e uma delegação de vários directores do CFS.
Nessa reunião foi transmitida a abertura da Câmara Municipal em ajudar a encontrar soluções de curto prazo para garantir o pagamento da primeira amortização do empréstimo bancário que vencia no início de Outubro de 2011 bem como estudar soluções para resolução integral do problema de financiamento da obra.
Desta reunião resultou a aprovação pela CMC de um reforço do Contrato-Programa no montante de 115.000 €.
A câmara aprovou mas o pagamento nunca mais acontecia…
No início de Novembro recebo uma comunicação da secretária do Vice Presidente Miguel Pinto Luz a convocar-me para uma reunião para o dia 8 de Novembro de 2011.
Confesso que pensei que estivesse relacionada com o programa de tempos livres em que o CFS tinha estado envolvido, mas não.
Na reunião estiveram presentes Miguel Pinto Luz, Nuno Piteira e eu próprio na qualidade de Presidente do CFS.
Foi-me garantido que a CMC iria cumprir o prometido, embora pudesse haver algum atraso na libertação dos meios financeiros por dificuldades de tesouraria da CMC mas havia um problema que pretendiam falar comigo.
E qual era o problema?
Miguel Pinto Luz começou por afirmar que estavam preocupados com o teor de um blogue denominado “Agenda Cascais 31” http://agendacascais31.blogspot.pt/ e que tinham encomendado uma investigação sobre o(s) autor(es) com a intenção de os processar.
Tal investigação, que envolveu avaliações da origem do IP com equipamento de rastreio, terá dado como conclusão que o blogue era feito num IP sedeado no Pavilhão de Sassoeiros, ou seja traduzindo por miúdos, o autor do blogue, segundo eles, era eu.
Tive a oportunidade de dizer a Pinto Luz que o Pavilhão de Sassoeiros, por erro de projecto, não tinha ainda internet e rede fixa de telefone, pelo que a única ligação de internet que o pavilhão dispunha era móvel. Aliás, a do CFS e a de qualquer outro utente das instalações ou do bar do Clube!
Disse ainda que era autor de dois blogues “Pensar mais Cascais” e “Notas de Ambiente” http://notasdeambiene.blogspot.pt/ que assinava e que assumia o tom crítico para com a gestão da CMC!
É engraçado que a mesma acusação de autoria do blogue, num prazo de 15 dias, foi feita a duas outras pessoas que conheço!
Mas, na verdade, o apoio devido e prometido pela CMC ao Clube de Futebol de Sassoeiros passou a ser uma moeda de troca para suster a crítica ao Presidente Carreiras e aos seus vereadores Pinto Luz e Nuno Piteira!
Ou melhor dizendo, as centenas de utentes do Pavilhão e o cerca de um milhar de sócios do Clube de Futebol de Sassoeiros ficaram reféns de o Presidente da Direção do CFS ter uma opinião muito crítica sobre os métodos utilizados na gestão da coisa pública em Cascais!
Julgo que em 2012, numa Assembleia Geral do Clube, marcou presença o antigo presidente do Clube, Adelino Calado, que, depois de uma ausência de 7 anos, veio propositadamente trazer o recado que, enquanto eu fosse Presidente do CFS, o assunto financiamento do Pavilhão de Sassoeiros não seria resolvido.
Claro que não houve reforço de financiamento da CMC para o Pavilhão, claro que o CFS entrou em incumprimento com o pagamento do empréstimo junto do BES, claro que o Clube e o Agrupamento de Escoteiros Nº 12 de Sassoeiros ficaram na iminência de ver executada a penhora do Pavilhão e da Sede de Escoteiros e deitar mais de 3 milhões de euros do erário público para o lixo exclusivamente por um capricho de Carreiras e dos seus Vereadores!
Esta situação lamentável não podia continuar e, se eu era claramente o problema, só eu podia ser a solução.
E fui.
Convocadas eleições para os Corpos Sociais do CFS em 2013, a esmagadora maioria dos elementos da direcção que eu presidi quiseram dar continuidade ao projecto mas eu não me recandidatei.
Deolinda Sousa aceitou ser candidata a Presidente, Carlos Amaral, Lucinda Rodrigues e Miguel Castro mantiveram-se na Direção e Hugo Costa foi candidato a Presidente do Conselho de Fiscalização.
Mas, mesmo afastado o “perigoso inimigo” de Carlos Carreiras, Pinto Luz e Nuno Piteira, a resolução do problema Pavilhão de Sassoeiros continuou por resolver até Dezembro de 2015, data em que o BES executou a penhora do Pavilhão!
É então negociada uma solução que garantirá a fidelidade do CFS aos altos desígnios do executivo liderado pelo PSD e PP para os próximos anos porque a CMC, tanto quanto sei só de promessa verbal, assumiu que transferirá tranches de 25.000 € durante os próximos anos para amortização da dívida agora do Novo Banco!
Esta solução cheira mal à distância.
O que acontecerá se o próximo executivo for liderado por uma pessoa “tão cumpridora” dos compromissos anteriores da CMC como foi Carlos Carreiras?
Tentemos traçar algumas conclusões sobre todo este romance.
Eu tenho culpas no cartório.
Não as que Carreiras e companhia não se cansam de insinuar, pondo em causa a minha idoneidade e as minhas capacidades de gestão de dinheiro público mas o ter acreditado que podia contribuir, enquanto Presidente da Direção do CFS, para fazer acontecer uma obra importante em Sassoeiros a tempo de poder ser usufruída antes das eleições autárquicas (desse mal que é a militância no PSD já me curei!) e que na CMC estava um homem sério, António Capucho, que cumpriria a sua parte no desenvolvimento deste projecto.
O meu erro foi o de achar que mesmo que um homem sério tivesse que abandonar a CMC, outro igualmente sério o substituiria sem qualquer sobressalto nos planos traçados.
Mas Carreiras, definitivamente, é intelectualmente muito pouco sério!
A acusação de que o Pavilhão de Sassoeiros foi excessivamente caro é uma afirmação insidiosa, feita para atingir especificamente uma pessoa sem ter em conta os custos de obras semelhantes realizadas no concelho de Cascais como o Pavilhão dos Lombos ou o do Dramático de Cascais.
Sério seria comparar os custos de construção, os custos de manutenção e os custos para a Câmara relativos à construção e manutenção destas 3 infraestruturas desportivas. Logo se veria quais os caros e o barato!
 O CFS fez um contrato suicida com a CMC, funcionando como testa de ferro para um financiamento de uma obra com carga eleitoral para a qual a CMC se comprometia através de subsídio a 4 anos e o CFS assumia as responsabilidades bancárias.
A forma como Carlos Carreiras lidou com este assunto não sei se tem nome que possa ser usado aqui. Espero que lhe tenha sabido bem ser eleito com a ajuda dos votos dos patetas de Sassoeiros que quiseram mostrar gratidão pelo novo Pavilhão e pela nova Sede de Escoteiros votando no PSD!
Em síntese:
- É vergonhoso o tratamento que a Câmara de Cascais deu ao CFS ao longo deste processo;
- É escandaloso que um Clube com 70 anos tenha sido utilizado por Carlos Carreiras como refém para atingir um Presidente da Direção (agora ex presidente), fazendo tábua rasa dos seus atletas, dos seus sócios e da população de Sassoeiros;
- É indecoroso que pessoas com responsabilidades públicas como Carlos Carreiras, Pinto Luz ou Nuno Piteira usem a insinuação e a mentira para o combate político;
- É incompreensível a forma dolosa do interesse público com que estes responsáveis autárquicos trataram o assunto Pavilhão de Sassoeiros pondo em risco com a penhora de um equipamento desportivo que custou mais de 3 milhões de euros ao erário público ou seja à Câmara de Cascais;
- É fundamental que as pessoas de Sassoeiros e da Freguesia de Carcavelos percebam o que se passou nos últimos 8 anos e valorizem o silêncio que existiu na Junta de Freguesia, quando um dos elementos do executivo da Junta integrava os corpos sociais do CFS.
Sassoeiros, as gentes de Sassoeiros, os atletas e os sócios do Clube de Futebol de Sassoeiros não mereciam este tratamento perpetrado por Carlos Carrreiras e pelos Vereadores Pinto Luz e Nuno Piteira!
NÃO MERECIAM!



segunda-feira, 30 de maio de 2016

AINDA O ESTACIONAMENTO…

Cascais vai tomar uma péssima decisão sobre esta matéria na próxima Assembleia Municipal ao validar esta coisa estúpida que se está a fazer no município, na gestão do estacionamento.
A extensão do estacionamento pago a zonas que ultrapassam já os centros urbanos das localidades e invadem as zonas meramente residenciais, com o argumento de que esta medida permite aumentar a rotação do estacionamento, é de uma pobreza intelectual confrangedora!
Ouvi na Assembleia de Freguesia de Carcavelos/Parede um outro argumento que me deixou estarrecido:
Porquê tanta crítica sobre a expansão dos parquímetros quando todas as câmaras fazem o mesmo e quem começou isto até foi a Câmara de Lisboa, liderada pelo PS…
Percebe-se bem que bancada da Assembleia articulou argumento tão pífio…
Apetece-me dizer que ainda bem que a Câmara de Cascais só recolhe exemplos a seguir nas suas congéneres nacionais. Imaginem o que seria passar a ser bem, e digno dum verdadeiro cascalense, andar com granadas e bombas à cintura como fazem os da Al Qaeda…
Não tão explosivo como o exemplo também parvo que arranjei mas socialmente explosivo, esta pretensão da maioria que governa Cascais vai contribuir para um cavar de trincheiras entre a maioria dos munícipes que não compreende mais “este benefício municipal” e o escol de apoiantes do governo municipal.
Cabe aqui uma destrinça que importa fazer.
A coligação Viva Cascais tem seis eleitos na Câmara mas aparentemente cumpre-se a vontade de três deles e por esta ordem de importância, Carreiras, Piteira e Pinto Luz. Aos restantes resta votar e…pronto. Nestas contas o peso dos representantes do CDS é, aproximado à terceira casa décimal, 0,000!
E na oposição, sem surpresas PS e CDU têm-se batido com denodo contra esta anedota de regulamento de estacionamento mas a surpresa aconteceu com a representante do SerCascais que resolveu abster-se. Acredito que o futuro próximo permitirá compreender tal atitude, já que à luz dos factos, não descortino a razão objectiva que se consiga ligar aos compromissos eleitorais assumidos com os eleitores que votaram neste movimento cívico…
Mas, para que não me acusem de ser uma ave agoirenta que só critica mas não acrescenta solução, quero partilhar o meu pensamento sobre este tema.
Cascais, e a maioria das outras Câmaras da cintura urbana de Lisboa sofrem de um problema, gerado pela (má) gestão urbanística dos anos oitenta e noventa que é a falta de estacionamento.
O estacionamento projectado e existente nos centros urbanos não é suficiente para as necessidades e daí passou-se primeiro para o estacionamento selvagem (passeios, segunda fila) e depois entrou-se na fase da necessidade da disciplinação com a colocação de estacionamento pago (o tal aumento da rotatividade…) e a criação de medidas punitivas, com a criação dos polícias municipais e as suas famosas coimas.
Ficou um bocadinho mais ordenado mas o problema foi contornado, não resolvido.
Porque o cerne do problema, a falta de estacionamento, está bem patente.
Esta penúria de oferta de estacionamento, e o que existe é caro, leva a criar sérios problemas ao comércio tradicional e à manutenção da vida económica nos centros das vilas.
Cascais não está muito pior porque continua a ter alguma procura por turistas internos e externos, mas a não resolução de forma eficaz do estacionamento dos autocarros de turismo poderá levar ao abandono de Cascais nas rotas turísticas de Lisboa…
Mas se espreitarem Carcavelos, Parede, S. João do Estoril, S. Pedro do Estoril, Monte Estoril, Manique, Bicesse, Alcabideche, S. Domingos de Rana, Tires, Abóboda, vão perceber o que a falta do estacionamento está a fazer ao comércio destas localidades!
Quer fazer compras? Quer ir almoçar ou jantar? Se calhar o melhor é ir ao Cascais Shoping! Lá há estacionamento de certeza e é gratuito! Obrigado Belmiro de Azevedo! És o maior...
É urgente, é geracional, que se resolva o problema do estacionamento e se ligue esta questão a outra mais vasta que é a da mobilidade!
Passamos a vida com queixas sobre a poluição do ar, o custo dos combustíveis mas, em vez de se promover uma política que amplifique o uso dos transportes públicos e se acautele que economicamente seja mais interessante essa utilização do que o carro privado, a Câmara de Cascais decide tornar impossível o parqueamento das viaturas junto às estações da CP pelo valor de estacionamento praticado e pela sua manifesta insuficiência e empurra os seus munícipes que trabalham em Lisboa a deslocarem-se nos seus carros.
Não sou contra a existência de parquímetros para a meia dúzia de lugares existentes no centro da Vila de Cascais ou das restantes localidades do concelho, mas sou contra a que esses sejam os únicos lugares disponíveis para servir uma necessidade de capacidade de estacionamento seguramente maior que o dobro ou o triplo dos lugares existentes!
Cascais deveria ter dois ou três silos automóveis nas entradas da Vila com lugares gratuitos. Parede, por exemplo ou Carcavelos, precisam urgentemente de oferta de estacionamento para que a morte comercial anunciada do seu centro não ocorra!
E o argumento de não haver terrenos municipais disponíveis para criar a oferta de estacionamento não é aceitável. Uma Câmara sempre pronta para comprar autódromos, batarias militares ou hospitais, tem que ser capaz de investir em património privado, mesmo que edificado, e criar as soluções necessárias de oferta de estacionamento para uma real qualidade de vida dos seus munícipes!  
Não querer ver isto, é ignorar a vontade e os interesses dos eleitores.
Esta maioria foi eleita com o voto de 16,23% dos eleitores, já que mais de metade ficou em casa e não votou.
E se nas próximas eleições esta realidade se alterar?...
Estamos cá para ver quem se propõe fazer o quê…


domingo, 3 de abril de 2016

TEM CARREIRAS CONDIÇÕES PARA PRESIDIR A UMA CÂMARA?



Pelo que tenho vindo a defender em relação a Carlos Carreiras fácil será conhecerem a resposta que tenho para esta pergunta.
Claro que é um rotundo e peremptório NÃO!
Mas permitam-me que explique porquê.
Carlos Carreiras, em cima do rescaldo do incêndio que deflagrou no edifício Cascais Atrium apressou-se a vir disponibilizar a criação de um gabinete de apoio aos desalojados deste edifício.
É mais um exemplo da forma como funciona a cabeça deste senhor autarca: na presença de televisões veio a correr mostrar uma disponibilidade, que desconfia nem ser necessária, mas mostra uma capacidade imediata de combate a um problema que surge.
Estamos a falar de um edifício habitado por gente com boa capacidade financeira que não precisará de ajuda para alugar um quarto de hotel.
Mas, porque não há Televisões para as famílias efectivamente carenciadas do concelho, como a situação que tem sido denunciada por Rui Branquinho, uma família que vive há mais de um ano numa tenda em Alcabideche não teve ainda qualquer tipo de intervenção pelo tão “dedicado” Presidente de Câmara!



Nem gabinete de apoio, nem sequer um gabinete onde a família pudesse viver com os filhos!...
Mas o que aconteceu no Cascais Atrium deveria ter levado um autarca capaz, um autarca competente e acima de tudo um autarca com a consciência de que está naquele lugar para defender os interesses dos seus munícipes, a tomar outro tipo de medidas que, ao que parece, porque não dão panache, nem notícias em telejornais, não motivaram qualquer atitude de Carlos Carreiras.
Eu posso explicar.
O edifício Cascais Atrium foi construído nos anos oitenta, numa época onde ainda não existia legislação ligada à segurança contra incêndios.
Hoje, aquele edifício, tal como foi projectado, nunca seria licenciado. Mas naquela altura, foi possível, e a sua concepção tem erros de palmatória no que respeita à segurança contra incêndios.
As passagens de cablagens entre pisos não estão seladas, os corredores têm os tectos forrados com madeira que entra para dentro dos apartamentos e o sistema de alarme contra incêndios parece não ter funcionado.
Nestas condições, a progressão de um incêndio é muito rápida e põe em causa a segurança e a vida das pessoas que ali habitam.
Um dos problemas relatados pelos bombeiros que estiveram no local foi que a primeira actividade que tiveram que desenvolver, antes de iniciarem o combate às chamas, foi proceder à evacuação dos residentes no edifício que, por ausência de alarme, não se aperceberam que havia um incêndio!
Como este, existem uma infinidade de outros edifícios em Cascais que sofrem dos mesmos problemas.
A lei vigente, obriga à existência de vistorias para estes edifícios mas estas vistorias devem ser realizadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil que, obviamente, não tem recursos humanos para garantir esta obrigação.
Ora, se Carlos Carreiras, Presidente da Câmara de Cascais tivesse uma centelha do que é ser um Presidente de Câmara e do que significa o compromisso que tem com a população de Cascais, antes de criar qualquer gabinete, deveria ter tido a preocupação de perceber como é possível um edifício daquela envergadura não ter qualquer tipo de segurança contra incêndios, e deveria de imediato ter apelado ao governo para criar legislação que permita que as Câmaras possam assumir a responsabilidade de fiscalizar as condições de segurança em que vivem os seus munícipes.
Um Presidente de Câmara capaz, teria aproveitado para consciencializar o governo para a necessidade de garantir reais condições de segurança contra incêndio em todas as edificações do seu concelho e acima de tudo, condições adequadas par garantir a fiscalização dessas condições de segurança!
Mas Carlos Carreiras está muito interessado em comprar hospitais, autódromos e antigas instalações militares mas pouco interessado em zelar pela segurança dos seus munícipes!
Afinal, nem há assim tantos incêndios urbanos, para quê “inventar” um problema?
É este tipo de “Presidente” que queremos para a nossa Cascais?...


sexta-feira, 11 de março de 2016

VOLTAR AO PSD CASCAIS

Um ex companheiro de partido (PSD) disse-me a semana passada que eu devia voltar ao PSD, que os Partidos só podem ser mudados por dentro, que eu sou em essência um social-democrata, que pessoas como eu fazem falta no PSD e para despedida desferiu-me um reparo do tipo “…sim, e nós (PSD) perdemos a maioria na união de freguesias de Carcavelos Parede por causa da tua lista do Ser Cascais…”
Eu ri-me para ele, e disse-lhe que ia pensar no assunto…
Tanta lisonja até pode fazer mal…
Mas dei comigo a pensar no assunto, nas razões porque alguma vez o faria ou porque não sentiria vontade de o fazer.
Tenho bons amigos no PSD, gente que muito considero e que espero que também eles continuem a considerar-me seu amigo.
Tenho também bons amigos com outras filiações partidárias e tal fato nunca foi impeditivo que a amizade existente se mantenha ou até fortaleça!
Mas um Partido não pode ser um grupo de amigos.
Um Partido tem que ter uma carga ideológica, um Partido faz política, um Partido luta pelo poder para que o possa exercer em nome dos cidadãos que, pelo voto, os mandatam para gerir os destinos do país ou de uma qualquer autarquia.
Mas um Partido tem que funcionar em democracia, tem que ser internamente o espelho do que é a atuação do Partido no uso do mandato pelo voto dos cidadãos.
Ora o PSD há muito tempo que deixou de ter um funcionamento democrático em Cascais e no País!
E se foi Cascais que me fez escrever uma carta de demissão, confesso que o que tenho visto na direção nacional do Partido não é muito diferente!
O que me incomoda é que os militantes deixaram de ter espaço onde possam expressar opinião e depois abdicaram de ter opinião.
Desde que quem manda, garanta o acesso ao poder, pouco importa de que forma manda ou o que faz!
No meu entendimento não pode ser assim.
Recordo o último Plenário do PSD a que fui antes de abandonar o Partido. Das setenta pessoas que estavam presentes, mais de cinquenta detinham lugares de nomeação política (administradores de empresas municipais, autarcas, assessores) dependentes do Presidente da Câmara que, “só por acaso”, era na altura também o Presidente da Concelhia do PSD.
A única voz dissonante naquele Plenário, que fez uma intervenção a discordar de uma ou outra medida que então estava a ser implementada, foi agredido verbalmente, enxovalhado e claramente amaldiçoado e proscrito!
Os restantes, ou abandonaram a sala (acho que fui só eu) ou ficaram calados a acenar com a cabeça em sinal de concordância…
Este é o tipo de comportamento que existe atualmente no PSD.
Hoje uma boa parte dos militantes parece olhar para os Partidos como se olha para um Clube de Futebol.
Somos do Benfica ou do Sporting porque sim. Nas discussões de “futebolada” não interessa nada quem é melhor, quem jogou bem ou quem marcou golos, a nossa equipa se ganhou, ganhou bem, e se perdeu foi certamente roubada…
Um Partido não pode ser vivido assim.
A política é demasiado nobre e tem demasiada importância na vida das pessoas para que a olhemos de forma acéfala!
Eu já fui Presidente da Concelhia do PSD de Cascais, julgo que ainda estará lá numa parede a minha foto entre as de todos os outros que ocuparam o cargo, e naquele tempo já longínquo, não era assim que as coisas se passavam!
Os tempos são outros mas a Política, tal como era feita na altura, não perdeu atualidade.
Por isso julgo que estou em condições de responder à pergunta que me coloquei.
Vou ser capaz de voltar ao PSD?
Não me parece. Não vou querer fazer parte de um Partido onde as pessoas deixaram de ter opinião própria e de ter coragem de a afirmar.

Há uma grande diferença entre liderança política e pastoreio!