segunda-feira, 30 de maio de 2016

AINDA O ESTACIONAMENTO…

Cascais vai tomar uma péssima decisão sobre esta matéria na próxima Assembleia Municipal ao validar esta coisa estúpida que se está a fazer no município, na gestão do estacionamento.
A extensão do estacionamento pago a zonas que ultrapassam já os centros urbanos das localidades e invadem as zonas meramente residenciais, com o argumento de que esta medida permite aumentar a rotação do estacionamento, é de uma pobreza intelectual confrangedora!
Ouvi na Assembleia de Freguesia de Carcavelos/Parede um outro argumento que me deixou estarrecido:
Porquê tanta crítica sobre a expansão dos parquímetros quando todas as câmaras fazem o mesmo e quem começou isto até foi a Câmara de Lisboa, liderada pelo PS…
Percebe-se bem que bancada da Assembleia articulou argumento tão pífio…
Apetece-me dizer que ainda bem que a Câmara de Cascais só recolhe exemplos a seguir nas suas congéneres nacionais. Imaginem o que seria passar a ser bem, e digno dum verdadeiro cascalense, andar com granadas e bombas à cintura como fazem os da Al Qaeda…
Não tão explosivo como o exemplo também parvo que arranjei mas socialmente explosivo, esta pretensão da maioria que governa Cascais vai contribuir para um cavar de trincheiras entre a maioria dos munícipes que não compreende mais “este benefício municipal” e o escol de apoiantes do governo municipal.
Cabe aqui uma destrinça que importa fazer.
A coligação Viva Cascais tem seis eleitos na Câmara mas aparentemente cumpre-se a vontade de três deles e por esta ordem de importância, Carreiras, Piteira e Pinto Luz. Aos restantes resta votar e…pronto. Nestas contas o peso dos representantes do CDS é, aproximado à terceira casa décimal, 0,000!
E na oposição, sem surpresas PS e CDU têm-se batido com denodo contra esta anedota de regulamento de estacionamento mas a surpresa aconteceu com a representante do SerCascais que resolveu abster-se. Acredito que o futuro próximo permitirá compreender tal atitude, já que à luz dos factos, não descortino a razão objectiva que se consiga ligar aos compromissos eleitorais assumidos com os eleitores que votaram neste movimento cívico…
Mas, para que não me acusem de ser uma ave agoirenta que só critica mas não acrescenta solução, quero partilhar o meu pensamento sobre este tema.
Cascais, e a maioria das outras Câmaras da cintura urbana de Lisboa sofrem de um problema, gerado pela (má) gestão urbanística dos anos oitenta e noventa que é a falta de estacionamento.
O estacionamento projectado e existente nos centros urbanos não é suficiente para as necessidades e daí passou-se primeiro para o estacionamento selvagem (passeios, segunda fila) e depois entrou-se na fase da necessidade da disciplinação com a colocação de estacionamento pago (o tal aumento da rotatividade…) e a criação de medidas punitivas, com a criação dos polícias municipais e as suas famosas coimas.
Ficou um bocadinho mais ordenado mas o problema foi contornado, não resolvido.
Porque o cerne do problema, a falta de estacionamento, está bem patente.
Esta penúria de oferta de estacionamento, e o que existe é caro, leva a criar sérios problemas ao comércio tradicional e à manutenção da vida económica nos centros das vilas.
Cascais não está muito pior porque continua a ter alguma procura por turistas internos e externos, mas a não resolução de forma eficaz do estacionamento dos autocarros de turismo poderá levar ao abandono de Cascais nas rotas turísticas de Lisboa…
Mas se espreitarem Carcavelos, Parede, S. João do Estoril, S. Pedro do Estoril, Monte Estoril, Manique, Bicesse, Alcabideche, S. Domingos de Rana, Tires, Abóboda, vão perceber o que a falta do estacionamento está a fazer ao comércio destas localidades!
Quer fazer compras? Quer ir almoçar ou jantar? Se calhar o melhor é ir ao Cascais Shoping! Lá há estacionamento de certeza e é gratuito! Obrigado Belmiro de Azevedo! És o maior...
É urgente, é geracional, que se resolva o problema do estacionamento e se ligue esta questão a outra mais vasta que é a da mobilidade!
Passamos a vida com queixas sobre a poluição do ar, o custo dos combustíveis mas, em vez de se promover uma política que amplifique o uso dos transportes públicos e se acautele que economicamente seja mais interessante essa utilização do que o carro privado, a Câmara de Cascais decide tornar impossível o parqueamento das viaturas junto às estações da CP pelo valor de estacionamento praticado e pela sua manifesta insuficiência e empurra os seus munícipes que trabalham em Lisboa a deslocarem-se nos seus carros.
Não sou contra a existência de parquímetros para a meia dúzia de lugares existentes no centro da Vila de Cascais ou das restantes localidades do concelho, mas sou contra a que esses sejam os únicos lugares disponíveis para servir uma necessidade de capacidade de estacionamento seguramente maior que o dobro ou o triplo dos lugares existentes!
Cascais deveria ter dois ou três silos automóveis nas entradas da Vila com lugares gratuitos. Parede, por exemplo ou Carcavelos, precisam urgentemente de oferta de estacionamento para que a morte comercial anunciada do seu centro não ocorra!
E o argumento de não haver terrenos municipais disponíveis para criar a oferta de estacionamento não é aceitável. Uma Câmara sempre pronta para comprar autódromos, batarias militares ou hospitais, tem que ser capaz de investir em património privado, mesmo que edificado, e criar as soluções necessárias de oferta de estacionamento para uma real qualidade de vida dos seus munícipes!  
Não querer ver isto, é ignorar a vontade e os interesses dos eleitores.
Esta maioria foi eleita com o voto de 16,23% dos eleitores, já que mais de metade ficou em casa e não votou.
E se nas próximas eleições esta realidade se alterar?...
Estamos cá para ver quem se propõe fazer o quê…


domingo, 3 de abril de 2016

TEM CARREIRAS CONDIÇÕES PARA PRESIDIR A UMA CÂMARA?



Pelo que tenho vindo a defender em relação a Carlos Carreiras fácil será conhecerem a resposta que tenho para esta pergunta.
Claro que é um rotundo e peremptório NÃO!
Mas permitam-me que explique porquê.
Carlos Carreiras, em cima do rescaldo do incêndio que deflagrou no edifício Cascais Atrium apressou-se a vir disponibilizar a criação de um gabinete de apoio aos desalojados deste edifício.
É mais um exemplo da forma como funciona a cabeça deste senhor autarca: na presença de televisões veio a correr mostrar uma disponibilidade, que desconfia nem ser necessária, mas mostra uma capacidade imediata de combate a um problema que surge.
Estamos a falar de um edifício habitado por gente com boa capacidade financeira que não precisará de ajuda para alugar um quarto de hotel.
Mas, porque não há Televisões para as famílias efectivamente carenciadas do concelho, como a situação que tem sido denunciada por Rui Branquinho, uma família que vive há mais de um ano numa tenda em Alcabideche não teve ainda qualquer tipo de intervenção pelo tão “dedicado” Presidente de Câmara!



Nem gabinete de apoio, nem sequer um gabinete onde a família pudesse viver com os filhos!...
Mas o que aconteceu no Cascais Atrium deveria ter levado um autarca capaz, um autarca competente e acima de tudo um autarca com a consciência de que está naquele lugar para defender os interesses dos seus munícipes, a tomar outro tipo de medidas que, ao que parece, porque não dão panache, nem notícias em telejornais, não motivaram qualquer atitude de Carlos Carreiras.
Eu posso explicar.
O edifício Cascais Atrium foi construído nos anos oitenta, numa época onde ainda não existia legislação ligada à segurança contra incêndios.
Hoje, aquele edifício, tal como foi projectado, nunca seria licenciado. Mas naquela altura, foi possível, e a sua concepção tem erros de palmatória no que respeita à segurança contra incêndios.
As passagens de cablagens entre pisos não estão seladas, os corredores têm os tectos forrados com madeira que entra para dentro dos apartamentos e o sistema de alarme contra incêndios parece não ter funcionado.
Nestas condições, a progressão de um incêndio é muito rápida e põe em causa a segurança e a vida das pessoas que ali habitam.
Um dos problemas relatados pelos bombeiros que estiveram no local foi que a primeira actividade que tiveram que desenvolver, antes de iniciarem o combate às chamas, foi proceder à evacuação dos residentes no edifício que, por ausência de alarme, não se aperceberam que havia um incêndio!
Como este, existem uma infinidade de outros edifícios em Cascais que sofrem dos mesmos problemas.
A lei vigente, obriga à existência de vistorias para estes edifícios mas estas vistorias devem ser realizadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil que, obviamente, não tem recursos humanos para garantir esta obrigação.
Ora, se Carlos Carreiras, Presidente da Câmara de Cascais tivesse uma centelha do que é ser um Presidente de Câmara e do que significa o compromisso que tem com a população de Cascais, antes de criar qualquer gabinete, deveria ter tido a preocupação de perceber como é possível um edifício daquela envergadura não ter qualquer tipo de segurança contra incêndios, e deveria de imediato ter apelado ao governo para criar legislação que permita que as Câmaras possam assumir a responsabilidade de fiscalizar as condições de segurança em que vivem os seus munícipes.
Um Presidente de Câmara capaz, teria aproveitado para consciencializar o governo para a necessidade de garantir reais condições de segurança contra incêndio em todas as edificações do seu concelho e acima de tudo, condições adequadas par garantir a fiscalização dessas condições de segurança!
Mas Carlos Carreiras está muito interessado em comprar hospitais, autódromos e antigas instalações militares mas pouco interessado em zelar pela segurança dos seus munícipes!
Afinal, nem há assim tantos incêndios urbanos, para quê “inventar” um problema?
É este tipo de “Presidente” que queremos para a nossa Cascais?...


sexta-feira, 11 de março de 2016

VOLTAR AO PSD CASCAIS

Um ex companheiro de partido (PSD) disse-me a semana passada que eu devia voltar ao PSD, que os Partidos só podem ser mudados por dentro, que eu sou em essência um social-democrata, que pessoas como eu fazem falta no PSD e para despedida desferiu-me um reparo do tipo “…sim, e nós (PSD) perdemos a maioria na união de freguesias de Carcavelos Parede por causa da tua lista do Ser Cascais…”
Eu ri-me para ele, e disse-lhe que ia pensar no assunto…
Tanta lisonja até pode fazer mal…
Mas dei comigo a pensar no assunto, nas razões porque alguma vez o faria ou porque não sentiria vontade de o fazer.
Tenho bons amigos no PSD, gente que muito considero e que espero que também eles continuem a considerar-me seu amigo.
Tenho também bons amigos com outras filiações partidárias e tal fato nunca foi impeditivo que a amizade existente se mantenha ou até fortaleça!
Mas um Partido não pode ser um grupo de amigos.
Um Partido tem que ter uma carga ideológica, um Partido faz política, um Partido luta pelo poder para que o possa exercer em nome dos cidadãos que, pelo voto, os mandatam para gerir os destinos do país ou de uma qualquer autarquia.
Mas um Partido tem que funcionar em democracia, tem que ser internamente o espelho do que é a atuação do Partido no uso do mandato pelo voto dos cidadãos.
Ora o PSD há muito tempo que deixou de ter um funcionamento democrático em Cascais e no País!
E se foi Cascais que me fez escrever uma carta de demissão, confesso que o que tenho visto na direção nacional do Partido não é muito diferente!
O que me incomoda é que os militantes deixaram de ter espaço onde possam expressar opinião e depois abdicaram de ter opinião.
Desde que quem manda, garanta o acesso ao poder, pouco importa de que forma manda ou o que faz!
No meu entendimento não pode ser assim.
Recordo o último Plenário do PSD a que fui antes de abandonar o Partido. Das setenta pessoas que estavam presentes, mais de cinquenta detinham lugares de nomeação política (administradores de empresas municipais, autarcas, assessores) dependentes do Presidente da Câmara que, “só por acaso”, era na altura também o Presidente da Concelhia do PSD.
A única voz dissonante naquele Plenário, que fez uma intervenção a discordar de uma ou outra medida que então estava a ser implementada, foi agredido verbalmente, enxovalhado e claramente amaldiçoado e proscrito!
Os restantes, ou abandonaram a sala (acho que fui só eu) ou ficaram calados a acenar com a cabeça em sinal de concordância…
Este é o tipo de comportamento que existe atualmente no PSD.
Hoje uma boa parte dos militantes parece olhar para os Partidos como se olha para um Clube de Futebol.
Somos do Benfica ou do Sporting porque sim. Nas discussões de “futebolada” não interessa nada quem é melhor, quem jogou bem ou quem marcou golos, a nossa equipa se ganhou, ganhou bem, e se perdeu foi certamente roubada…
Um Partido não pode ser vivido assim.
A política é demasiado nobre e tem demasiada importância na vida das pessoas para que a olhemos de forma acéfala!
Eu já fui Presidente da Concelhia do PSD de Cascais, julgo que ainda estará lá numa parede a minha foto entre as de todos os outros que ocuparam o cargo, e naquele tempo já longínquo, não era assim que as coisas se passavam!
Os tempos são outros mas a Política, tal como era feita na altura, não perdeu atualidade.
Por isso julgo que estou em condições de responder à pergunta que me coloquei.
Vou ser capaz de voltar ao PSD?
Não me parece. Não vou querer fazer parte de um Partido onde as pessoas deixaram de ter opinião própria e de ter coragem de a afirmar.

Há uma grande diferença entre liderança política e pastoreio!

sábado, 9 de janeiro de 2016

INCONGRUÊNCIAS DA GESTÃO AUTÁRQUICA DE CASCAIS


Um amigo ontem comentava comigo que o Presidente da Câmara de Cascais devia ter uma boa equipa de assessores, pagos a peso de ouro provavelmente, mas que estavam a transformar a imagem de Cascais com uma sucessão de iniciativas que davam notoriedade a Cascais. Esta afirmação tomava como último exemplo a roda gigante, a pista de gelo, as barraquinhas instaladas junto aos Paços do Concelho e no Jardim Visconde da Luz agora neste período natalício.
Importa ainda referir que este meu amigo reside em Sintra, mas tem por hábito vir a Cascais todos os fins de semana.
Eu concordei com ele, é verdade que Cascais tem fervilhado de atividade.
Mas fiquei também com uma vontade enorme de escrever este desabafo.
Em que medida é que este efetivo e constatável incremento de atividades e eventos em Cascais é suficiente para confirmar que este executivo municipal está a cumprir as expectativas dos eleitores, dos munícipes de Cascais?
Eu entendo que não.
A gestão da autarquia de Cascais está cheia de incompreensíveis incongruências, de medidas e decisões que tresandam a oportunismo e pouco têm de efetivas estratégias delineadas a pensar no futuro de Cascais e dos seus habitantes.
Querem exemplos? Conheço muitos mas vou tentar ilustrar o meu ponto de vista recorrendo a dois ou três.
Começo por ressaltar uma medida tomada no Natal que me parece completamente desprovida de lógica.
A CMC anunciou com pompa e circunstância que o estacionamento em Cascais durante o mês de Dezembro seria gratuito. Depreende-se que tal medida pretenda incrementar o número de visitantes em Cascais, aumentando também a capacidade de negócio do comércio de cascais.
Apetece perguntar:
Se a questão do estacionamento pago pode ser encarado como dissuasor da melhoria do comércio em Cascais porque se insiste no resto do ano em manter este “negócio” municipal do estacionamento pago?
Só é lícito aos comerciantes de Cascais terem algum negócio no mês de Dezembro?
A forma como Carlos Carreiras e o seu executivo gere a mobilidade e o estacionamento na Vila de Cascais e em cada vez mais localidades do concelho não é uma enorme incongruência?
Há uma profunda falta de visão nesta matéria para os lados de Cascais.
Ainda sobre a mobilidade, não se percebe a falta de iniciativa em resolver alguns dos buracos negros do trânsito no município de Cascais.
A entrada em Cascais quer seja pelo lado de Birre, pela Marginal ou pelo Pai do Vento continua caótica.
Em S. Domingos de Rana resolveu-se, e bem, o problema da rotunda do Cemitério de S. Domingos de Rana mas tudo o resto na estrada S. Domingos de Rana – Abóboda – Trajouce - Mem Martins continua por resolver, na parte do território pertencente a Cascais! E quer em S. Domingos de Rana na rotunda da Igreja, na travessia de Abóboda ou de Trajouce bastaria utilizar apenas o mesmo modelo que foi utilizado na rotunda do cemitério de S. Domingos de Rana!
Mas não.
Até se poderia especular que não é problema para Carlos Carreiras e o seu executivo porque não é em Cascais mas nem este argumento pega, quando olhamos para as completamente congestionadas entradas na Vila de Cascais!
E estas filas intermináveis de carros em alguns eixos viários do concelho levam-nos a mais dois raciocínios:
Porque continua teimosamente a não sair de projecto a conclusão das longitudinais norte e sul de Cascais e a construção da variante da estrada de S. Domingos de Rana – Trajouce – Mem Martins?
No meio de tantos milhões para festas e festarolas, autódromos, hospitais de Parede e Escola da Universidade Nova, esta falta de investimento na rede viária só pode significar uma coisa – falta de interesse da equipa de Carlos Carreiras em resolver estes assuntos. Para Carreiras não é prioridade!
Mas também em termos ambientais a inação de Carreiras é um sinal preocupante.
Projetar a sustentabilidade ambiental do concelho de Cascais não se faz sem resolver a mobilidade e os estrangulamentos do tráfego automóvel, sem garantir uma política verdadeira de poupança energética ou sem definir um claro modelo de gestão de resíduos ou mesmo sem um modelo transparente da gestão do território com o instrumento PDM!
Nestes temas, como em tudo o que é a sua ação na gestão do município, assenta na superficialidade, no faz de conta.
Para Carreiras, com um dia a apanhar lixo das arribas ou do fundo do mar, está garantida a acção da câmara no ambiente. É tão pobrezinho…
E teme-se o pior nesta gestão quando se analisa a gestão financeira que tem sido levada a cabo.
O aumento significativo dos compromissos com empréstimos bancários para comprar terrenos e imóveis para os quais nem se conhecem ainda fins estratégicos bem delineados leva-nos a temer o pior para os próximos mandatos autárquicos em Cascais: Isto vai estourar!
Carlos Carreiras gere Cascais como se fosse o grande Filipe La Féria da política: duas horas de glamour, de beleza, de luxo e qualidade mas no fim ficam só os “confettis” para apanhar do chão…

Em 2017 será que vamos maioritariamente querer menos espectáculo e mais ação concreta e duradoura? Ou pode ficar assim porque chega?

domingo, 11 de outubro de 2015

QUE LEGITIMIDADE?




Num momento em que tanto se fala de legitimidade para fazer governo em Portugal, se a coligação que foi a mais votada ou se uma maioria parlamentar de esquerda não anunciada em tempo de campanha, parece-me pertinente abordar o tema da legitimidade mas agora aplicado a Cascais.
O edil de Cascais, também vice-presidente da comissão política nacional do PSD, tem nos últimos tempos realizado grandes raciocínios sobre o tema http://www.ionline.pt/artigo/415406/um-governo-para-quatro-anos?seccao=Opiniao_i, opiniões que considero enviesadas e desprovidas de lógica, mas não pretendo hoje e aqui discutir o governo da nação, mas o conceito da legitimidade.
Nisto, Carlos Carreiras está como Frei Tomás – Bem o prega Frei Tomás; façamos o que ele diz e não o que ele faz.
A atuação de Carreiras na gestão de Cascais tem tido inúmeros exemplos dessa falta de legitimidade, do esconder do eleitorado as suas verdadeiras intenções quando foi a votos, usar os meios municipais de forma caprichosa como se o dinheiro da autarquia fosse dele, fazendo e desfazendo sem prestar contas a ninguém.
É tão mais caricato quando ora veste a camisola de vice-presidente do PSD para defender o ultra liberalismo, vender tudo o que o estado ainda tenha para vender e a seguir, com a mudança de camisola para a de presidente da autarquia, o faz defender a compra de muitas das “pérolas vendidas pelo estado” pela própria câmara outra vez com o recurso ao erário público!
Isto não é um contrassenso?
Mas há muito mais. Falando de legitimidade, não teria sido mais transparente que Carlos Carreiras tivesse trazido à discussão na Campanha Eleitoral quais as suas intenções em relação à aprovação do Plano Urbanístico de Carcavelos Sul ou as marteladas que pretendia dar em sede de aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal?
Mais transparente seria, que legitimava a sua atuação legitimava, o resultado eleitoral é que podia ter sido outro…
Está Carlos Carreiras legitimado para realizar uma gestão financeira do município completamente suicida, comprando uma vasta quantidade de património na posse do estado ou substituindo-se às responsabilidades do estado realizando investimentos ou fazendo obras que não são sua responsabilidade legal, como o último caso anunciado do edifício da PSP?
O mais gritante, é que muitas das aquisições ultimamente realizadas nem sequer servem objectivos e projectos já traçados. Compra-se primeiro por milhões, e logo se verá para quê!
Por quanto tempo vamos estar a pagar aquilo para o qual ainda não sabemos para que irá servir?
A maneira de estar na Presidência da autarquia de Carlos Carreiras traz-me à memória o boneco criado por Herman José – Eu é que sou o Presidente da Junta! https://www.youtube.com/watch?v=8q9XSXPEPNE
Carlos Carreiras é que é o Presidente da Câmara. Ele faz o que lhe aprouver e não tem contas a prestar a ninguém!
Sócrates fez com o Estado Português aquilo que Carreiras está a fazer com a Câmara de Cascais e pasme-se, quando este veste a camisola de vice presidente do PSD bem carrega nas tintas para o criticar.
Estaremos perante um caso de dupla personalidade?
Não me parece. Estamos é perante alguém completamente desprovido de escrúpulos, que sabe bem em cada momento que areias movediças pisa mas que não se afasta nem um milímetro dos objectivos pessoais que traçou para si próprio. E se para os atingir tiver que ser o contribuinte de Cascais a pagar tanto faz!

A lógica destas compras de imóveis na posse do estado sem se saber para o que servirão em Cascais têm duas razões principais: uma primeira em que Carreiras exibe o poder que tem para com os vários elementos do governo e pode ajudar a acertar as contas de alguns ministérios fazendo entrar dinheiro nos cofres do estado como se a Câmara de Cascais fosse um qualquer fundo imobiliário. Mas a segunda razão é mais negra. Teremos essa prova quando chegar o momento de a Câmara promover a alienação deste património…

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

UM CONTRIBUTO PARA BARALHAR

Uma prévia declaração de interesses:
Nutro simpatia por Pedro Passos Coelho, com quem tive a oportunidade de privar nos gloriosos tempos da JSD e mais tarde eu como Presidente do Conselho de Administração da Tratolixo e ele como Administrador de um grupo que detinha um Aterro Sanitário com quem a Tratolixo manteve negócios.
A serenidade do Pedro sempre me inspirou, gostava da sua maneira de ver e estar na política e a forma assertiva como enfrentava os problemas e tomava decisões.
Quando da sua caminhada rumo à Presidência do PSD estive na apresentação do seu livro e, embora não concordando com todas as teses nele contidas, relevei a coragem de assumir uma opinião sobre os temas, tão em desuso nos nossos dirigentes partidários.
Mas infelizmente houve um momento que me causou um profundo incómodo e me fez decidir pelo não apoio da sua candidatura. Quando verifiquei quem eram “os meninos e meninas” que se perfilavam como sua entourage, Relvas, Carreiras, Pinto Luz e quejandos, percebi que a esperança estava praticamente perdida.
Infelizmente tive razão.
Ainda valeu uma última réstia de esperança que a determinação e convicções firmes de Pedro Passos Coelho se sobrepusessem às más influências do “pessoal dos bastidores” mas não foi isso que aconteceu.
Pedro Passos Coelho podia ter marcado a diferença para uma nova forma de fazer política, em nome de Portugal e dos Portugueses e não em nome de mesquinhos e obscuros interesses, mas não foi isso a que assistimos.
Momento alto para ter marcado esta diferença foi no início do mandato.
Deveria ter optado por chamar o PS, então vergado pelo peso da derrota eleitoral alcançada, e tratar de encontrar um denominador comum ao bloco central dos interesses para os grandes temas nacionais.
Que projeto de país, que solução para a Segurança Social, que modelos para a Justiça, a Educação e a Saúde, são questões que não podem ser alvo de mudanças estratégicas de 4 em 4 anos!
Isto são assuntos estruturantes para o país e exigem um amplo consenso nacional! 
Acreditei que Pedro Passos Coelho tivesse a coragem de, mesmo contra os galos da sua capoeira, conseguir colocar em primeiro lugar os interesses do país.
Mas não.
A opção foi explorar até à exaustão a culpa, o passado, o que estava mal e por culpa de quem, e o país teve que esperar…
Mais do mesmo.
E isto leva-me ao seguinte raciocínio:
Nem no PSD, nem no CDS ou no PS existem pessoas com a capacidade de colocar os interesses do país á frente dos seus próprios interesses ou do Partido em que militam.
Esta é a razão por que não acredito na bondade do voto útil.
Para mim o conceito do voto útil é completamente inútil e nocivo para o futuro do País.
Resolver Portugal, o V Império esperado por Pessoa, vai ter que ser construído fora da lógica dos Partidos do “centrão”!
A matemática diz-nos que um conjunto de pequenos bocados, somados, pode ser igual à unidade.
Tentemos desta vez dar voz aos Partidos sem experiência parlamentar. Tentemos votar pelas propostas que nos façam e não na perspectiva da sondagem que aponta que vai ganhar A, B ou C!
Se formos exigentes, se soubermos sair da nossa zona de conforto e nos envolvermos na solução, acredito que é possível colocar este País outra vez nos carris.
Há pequenos Partidos com propostas engraçadas, bem pensadas.
Há soluções interessantes para a reorganização do estado, para a alteração da lei eleitoral, para a educação, para a saúde, para o ambiente. Se já estamos habituados que as propostas dos Partidos do arco governativo nunca são para cumprir, porque não experimentar diferente desta vez?
E atente-se que 50% do eleitorado já deixou de ir votos. E se uma boa parte decidir voltar ao exercício do seu direito inalienável de votar e votar fora dos Partidos do arco do poder?
Poderia estar aqui a refundação da nossa apodrecida democracia…
Baralhar as contas no Parlamento pode bem significar que o povo português possa finalmente tirar o “pé do penico”…
Vamos experimentar?



quarta-feira, 17 de junho de 2015

GOSTAVA…MAS NÃO TENHO!

Gostava que Cascais, a minha terra, desse o exemplo, um bom exemplo!
Gostava que a democracia fosse levada a sério e que nos tempos que correm, em que a ideologia política deixou de existir, a esquerda e a direita já não querem dizer nada, que os responsáveis políticos em Cascais assumissem a missão de voltar a trazer as pessoas para a participação cívica.
Gostava que, num assunto tão importante como a discussão da estratégia para a nossa terra que o PDM deve representar, houvesse da parte dos decisores e gestores da coisa pública um esforço para tornar as decisões transparentes e participadas por todos ou pelo menos pela grande maioria da população.
Gostava que os decisores tivessem tido a coragem de explicar de forma sustentada que alterações propõem introduzir no PDM de Cascais, em linguagem simples, que todos percebessem.
Gostava que os autarcas que gerem em maioria a Câmara de Cascais promovessem uma grande discussão pública sobre o PDM, para que a maioria da população pudesse ter uma ideia do que a espera em Cascais com as alterações introduzidas no PDM.
Gostava que os autarcas da maioria PSD / CDS tivessem feito um esforço de perceber que o concelho, sendo de todos, era importante encontrar um destino para Cascais onde a maioria da população, independentemente da sua cor partidária ou simpatia política, se pudesse rever nele.
Gostava que o PDM da minha terra, Cascais, servisse para unir e não para alimentar guerras de facções.
Gostava que Cascais fosse um exemplo de decisão política focada nas pessoas, para as pessoas e participada pelas pessoas.
Gostava que Cascais fosse gerida por gente séria, política e intelectualmente séria.
Gostava de ser surpreendido e por uma vez ver cumpridos os meus anseios mas não vivemos tempos onde isto seja possível!
Eu gostava…mas não tenho!
Cascais vai cometer um erro geracional se a Assembleia Municipal de Cascais aprovar esta proposta de PDM!
Um PDM feito às escondidas, feito de meias verdades e de objectivos dissimulados, um PDM que continua e piora o que de mal nos foi legado pela versão aprovada por José Luís Judas e que Carlos Carreiras, no seu estilo obstinado vai forçar a aprovação apenas porque… ele quer!
O caricato da situação é que como carneiros, a maioria PSD / CDS vai aprovar este PDM não porque se trate de uma proposta válida e valorosa, não porque o tenham estudado e a proposta mereça a sua concordância mas apenas porque Carlos Carreiras mandou que a aprovem!
A pressa com que o fazem, serve apenas o objectivo de salvaguardar os compromissos antes da entrada em vigor da nova lei dos solos. Que nome dar aos responsáveis políticos em Cascais que querem passar a perna à legislação criada e aprovada pelo governo da mesma cor?
O PDM de Cascais, de documento para unir a comunidade vai ser apenas um “documentozinho” criado para alimentar a sede de poder do Presidente de Câmara e os seus “fieis seguidores”.
É lamentável e desprezível!
Infelizmente os tempos são de comodismo, alheamento, alienação.

Enquanto estamos muito distraídos um pequeno grupo de “vivaços” criam-nos uma pesada herança para o futuro dos nossos filhos…