sábado, 9 de janeiro de 2016

INCONGRUÊNCIAS DA GESTÃO AUTÁRQUICA DE CASCAIS


Um amigo ontem comentava comigo que o Presidente da Câmara de Cascais devia ter uma boa equipa de assessores, pagos a peso de ouro provavelmente, mas que estavam a transformar a imagem de Cascais com uma sucessão de iniciativas que davam notoriedade a Cascais. Esta afirmação tomava como último exemplo a roda gigante, a pista de gelo, as barraquinhas instaladas junto aos Paços do Concelho e no Jardim Visconde da Luz agora neste período natalício.
Importa ainda referir que este meu amigo reside em Sintra, mas tem por hábito vir a Cascais todos os fins de semana.
Eu concordei com ele, é verdade que Cascais tem fervilhado de atividade.
Mas fiquei também com uma vontade enorme de escrever este desabafo.
Em que medida é que este efetivo e constatável incremento de atividades e eventos em Cascais é suficiente para confirmar que este executivo municipal está a cumprir as expectativas dos eleitores, dos munícipes de Cascais?
Eu entendo que não.
A gestão da autarquia de Cascais está cheia de incompreensíveis incongruências, de medidas e decisões que tresandam a oportunismo e pouco têm de efetivas estratégias delineadas a pensar no futuro de Cascais e dos seus habitantes.
Querem exemplos? Conheço muitos mas vou tentar ilustrar o meu ponto de vista recorrendo a dois ou três.
Começo por ressaltar uma medida tomada no Natal que me parece completamente desprovida de lógica.
A CMC anunciou com pompa e circunstância que o estacionamento em Cascais durante o mês de Dezembro seria gratuito. Depreende-se que tal medida pretenda incrementar o número de visitantes em Cascais, aumentando também a capacidade de negócio do comércio de cascais.
Apetece perguntar:
Se a questão do estacionamento pago pode ser encarado como dissuasor da melhoria do comércio em Cascais porque se insiste no resto do ano em manter este “negócio” municipal do estacionamento pago?
Só é lícito aos comerciantes de Cascais terem algum negócio no mês de Dezembro?
A forma como Carlos Carreiras e o seu executivo gere a mobilidade e o estacionamento na Vila de Cascais e em cada vez mais localidades do concelho não é uma enorme incongruência?
Há uma profunda falta de visão nesta matéria para os lados de Cascais.
Ainda sobre a mobilidade, não se percebe a falta de iniciativa em resolver alguns dos buracos negros do trânsito no município de Cascais.
A entrada em Cascais quer seja pelo lado de Birre, pela Marginal ou pelo Pai do Vento continua caótica.
Em S. Domingos de Rana resolveu-se, e bem, o problema da rotunda do Cemitério de S. Domingos de Rana mas tudo o resto na estrada S. Domingos de Rana – Abóboda – Trajouce - Mem Martins continua por resolver, na parte do território pertencente a Cascais! E quer em S. Domingos de Rana na rotunda da Igreja, na travessia de Abóboda ou de Trajouce bastaria utilizar apenas o mesmo modelo que foi utilizado na rotunda do cemitério de S. Domingos de Rana!
Mas não.
Até se poderia especular que não é problema para Carlos Carreiras e o seu executivo porque não é em Cascais mas nem este argumento pega, quando olhamos para as completamente congestionadas entradas na Vila de Cascais!
E estas filas intermináveis de carros em alguns eixos viários do concelho levam-nos a mais dois raciocínios:
Porque continua teimosamente a não sair de projecto a conclusão das longitudinais norte e sul de Cascais e a construção da variante da estrada de S. Domingos de Rana – Trajouce – Mem Martins?
No meio de tantos milhões para festas e festarolas, autódromos, hospitais de Parede e Escola da Universidade Nova, esta falta de investimento na rede viária só pode significar uma coisa – falta de interesse da equipa de Carlos Carreiras em resolver estes assuntos. Para Carreiras não é prioridade!
Mas também em termos ambientais a inação de Carreiras é um sinal preocupante.
Projetar a sustentabilidade ambiental do concelho de Cascais não se faz sem resolver a mobilidade e os estrangulamentos do tráfego automóvel, sem garantir uma política verdadeira de poupança energética ou sem definir um claro modelo de gestão de resíduos ou mesmo sem um modelo transparente da gestão do território com o instrumento PDM!
Nestes temas, como em tudo o que é a sua ação na gestão do município, assenta na superficialidade, no faz de conta.
Para Carreiras, com um dia a apanhar lixo das arribas ou do fundo do mar, está garantida a acção da câmara no ambiente. É tão pobrezinho…
E teme-se o pior nesta gestão quando se analisa a gestão financeira que tem sido levada a cabo.
O aumento significativo dos compromissos com empréstimos bancários para comprar terrenos e imóveis para os quais nem se conhecem ainda fins estratégicos bem delineados leva-nos a temer o pior para os próximos mandatos autárquicos em Cascais: Isto vai estourar!
Carlos Carreiras gere Cascais como se fosse o grande Filipe La Féria da política: duas horas de glamour, de beleza, de luxo e qualidade mas no fim ficam só os “confettis” para apanhar do chão…

Em 2017 será que vamos maioritariamente querer menos espectáculo e mais ação concreta e duradoura? Ou pode ficar assim porque chega?

domingo, 11 de outubro de 2015

QUE LEGITIMIDADE?




Num momento em que tanto se fala de legitimidade para fazer governo em Portugal, se a coligação que foi a mais votada ou se uma maioria parlamentar de esquerda não anunciada em tempo de campanha, parece-me pertinente abordar o tema da legitimidade mas agora aplicado a Cascais.
O edil de Cascais, também vice-presidente da comissão política nacional do PSD, tem nos últimos tempos realizado grandes raciocínios sobre o tema http://www.ionline.pt/artigo/415406/um-governo-para-quatro-anos?seccao=Opiniao_i, opiniões que considero enviesadas e desprovidas de lógica, mas não pretendo hoje e aqui discutir o governo da nação, mas o conceito da legitimidade.
Nisto, Carlos Carreiras está como Frei Tomás – Bem o prega Frei Tomás; façamos o que ele diz e não o que ele faz.
A atuação de Carreiras na gestão de Cascais tem tido inúmeros exemplos dessa falta de legitimidade, do esconder do eleitorado as suas verdadeiras intenções quando foi a votos, usar os meios municipais de forma caprichosa como se o dinheiro da autarquia fosse dele, fazendo e desfazendo sem prestar contas a ninguém.
É tão mais caricato quando ora veste a camisola de vice-presidente do PSD para defender o ultra liberalismo, vender tudo o que o estado ainda tenha para vender e a seguir, com a mudança de camisola para a de presidente da autarquia, o faz defender a compra de muitas das “pérolas vendidas pelo estado” pela própria câmara outra vez com o recurso ao erário público!
Isto não é um contrassenso?
Mas há muito mais. Falando de legitimidade, não teria sido mais transparente que Carlos Carreiras tivesse trazido à discussão na Campanha Eleitoral quais as suas intenções em relação à aprovação do Plano Urbanístico de Carcavelos Sul ou as marteladas que pretendia dar em sede de aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal?
Mais transparente seria, que legitimava a sua atuação legitimava, o resultado eleitoral é que podia ter sido outro…
Está Carlos Carreiras legitimado para realizar uma gestão financeira do município completamente suicida, comprando uma vasta quantidade de património na posse do estado ou substituindo-se às responsabilidades do estado realizando investimentos ou fazendo obras que não são sua responsabilidade legal, como o último caso anunciado do edifício da PSP?
O mais gritante, é que muitas das aquisições ultimamente realizadas nem sequer servem objectivos e projectos já traçados. Compra-se primeiro por milhões, e logo se verá para quê!
Por quanto tempo vamos estar a pagar aquilo para o qual ainda não sabemos para que irá servir?
A maneira de estar na Presidência da autarquia de Carlos Carreiras traz-me à memória o boneco criado por Herman José – Eu é que sou o Presidente da Junta! https://www.youtube.com/watch?v=8q9XSXPEPNE
Carlos Carreiras é que é o Presidente da Câmara. Ele faz o que lhe aprouver e não tem contas a prestar a ninguém!
Sócrates fez com o Estado Português aquilo que Carreiras está a fazer com a Câmara de Cascais e pasme-se, quando este veste a camisola de vice presidente do PSD bem carrega nas tintas para o criticar.
Estaremos perante um caso de dupla personalidade?
Não me parece. Estamos é perante alguém completamente desprovido de escrúpulos, que sabe bem em cada momento que areias movediças pisa mas que não se afasta nem um milímetro dos objectivos pessoais que traçou para si próprio. E se para os atingir tiver que ser o contribuinte de Cascais a pagar tanto faz!

A lógica destas compras de imóveis na posse do estado sem se saber para o que servirão em Cascais têm duas razões principais: uma primeira em que Carreiras exibe o poder que tem para com os vários elementos do governo e pode ajudar a acertar as contas de alguns ministérios fazendo entrar dinheiro nos cofres do estado como se a Câmara de Cascais fosse um qualquer fundo imobiliário. Mas a segunda razão é mais negra. Teremos essa prova quando chegar o momento de a Câmara promover a alienação deste património…

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

UM CONTRIBUTO PARA BARALHAR

Uma prévia declaração de interesses:
Nutro simpatia por Pedro Passos Coelho, com quem tive a oportunidade de privar nos gloriosos tempos da JSD e mais tarde eu como Presidente do Conselho de Administração da Tratolixo e ele como Administrador de um grupo que detinha um Aterro Sanitário com quem a Tratolixo manteve negócios.
A serenidade do Pedro sempre me inspirou, gostava da sua maneira de ver e estar na política e a forma assertiva como enfrentava os problemas e tomava decisões.
Quando da sua caminhada rumo à Presidência do PSD estive na apresentação do seu livro e, embora não concordando com todas as teses nele contidas, relevei a coragem de assumir uma opinião sobre os temas, tão em desuso nos nossos dirigentes partidários.
Mas infelizmente houve um momento que me causou um profundo incómodo e me fez decidir pelo não apoio da sua candidatura. Quando verifiquei quem eram “os meninos e meninas” que se perfilavam como sua entourage, Relvas, Carreiras, Pinto Luz e quejandos, percebi que a esperança estava praticamente perdida.
Infelizmente tive razão.
Ainda valeu uma última réstia de esperança que a determinação e convicções firmes de Pedro Passos Coelho se sobrepusessem às más influências do “pessoal dos bastidores” mas não foi isso que aconteceu.
Pedro Passos Coelho podia ter marcado a diferença para uma nova forma de fazer política, em nome de Portugal e dos Portugueses e não em nome de mesquinhos e obscuros interesses, mas não foi isso a que assistimos.
Momento alto para ter marcado esta diferença foi no início do mandato.
Deveria ter optado por chamar o PS, então vergado pelo peso da derrota eleitoral alcançada, e tratar de encontrar um denominador comum ao bloco central dos interesses para os grandes temas nacionais.
Que projeto de país, que solução para a Segurança Social, que modelos para a Justiça, a Educação e a Saúde, são questões que não podem ser alvo de mudanças estratégicas de 4 em 4 anos!
Isto são assuntos estruturantes para o país e exigem um amplo consenso nacional! 
Acreditei que Pedro Passos Coelho tivesse a coragem de, mesmo contra os galos da sua capoeira, conseguir colocar em primeiro lugar os interesses do país.
Mas não.
A opção foi explorar até à exaustão a culpa, o passado, o que estava mal e por culpa de quem, e o país teve que esperar…
Mais do mesmo.
E isto leva-me ao seguinte raciocínio:
Nem no PSD, nem no CDS ou no PS existem pessoas com a capacidade de colocar os interesses do país á frente dos seus próprios interesses ou do Partido em que militam.
Esta é a razão por que não acredito na bondade do voto útil.
Para mim o conceito do voto útil é completamente inútil e nocivo para o futuro do País.
Resolver Portugal, o V Império esperado por Pessoa, vai ter que ser construído fora da lógica dos Partidos do “centrão”!
A matemática diz-nos que um conjunto de pequenos bocados, somados, pode ser igual à unidade.
Tentemos desta vez dar voz aos Partidos sem experiência parlamentar. Tentemos votar pelas propostas que nos façam e não na perspectiva da sondagem que aponta que vai ganhar A, B ou C!
Se formos exigentes, se soubermos sair da nossa zona de conforto e nos envolvermos na solução, acredito que é possível colocar este País outra vez nos carris.
Há pequenos Partidos com propostas engraçadas, bem pensadas.
Há soluções interessantes para a reorganização do estado, para a alteração da lei eleitoral, para a educação, para a saúde, para o ambiente. Se já estamos habituados que as propostas dos Partidos do arco governativo nunca são para cumprir, porque não experimentar diferente desta vez?
E atente-se que 50% do eleitorado já deixou de ir votos. E se uma boa parte decidir voltar ao exercício do seu direito inalienável de votar e votar fora dos Partidos do arco do poder?
Poderia estar aqui a refundação da nossa apodrecida democracia…
Baralhar as contas no Parlamento pode bem significar que o povo português possa finalmente tirar o “pé do penico”…
Vamos experimentar?



quarta-feira, 17 de junho de 2015

GOSTAVA…MAS NÃO TENHO!

Gostava que Cascais, a minha terra, desse o exemplo, um bom exemplo!
Gostava que a democracia fosse levada a sério e que nos tempos que correm, em que a ideologia política deixou de existir, a esquerda e a direita já não querem dizer nada, que os responsáveis políticos em Cascais assumissem a missão de voltar a trazer as pessoas para a participação cívica.
Gostava que, num assunto tão importante como a discussão da estratégia para a nossa terra que o PDM deve representar, houvesse da parte dos decisores e gestores da coisa pública um esforço para tornar as decisões transparentes e participadas por todos ou pelo menos pela grande maioria da população.
Gostava que os decisores tivessem tido a coragem de explicar de forma sustentada que alterações propõem introduzir no PDM de Cascais, em linguagem simples, que todos percebessem.
Gostava que os autarcas que gerem em maioria a Câmara de Cascais promovessem uma grande discussão pública sobre o PDM, para que a maioria da população pudesse ter uma ideia do que a espera em Cascais com as alterações introduzidas no PDM.
Gostava que os autarcas da maioria PSD / CDS tivessem feito um esforço de perceber que o concelho, sendo de todos, era importante encontrar um destino para Cascais onde a maioria da população, independentemente da sua cor partidária ou simpatia política, se pudesse rever nele.
Gostava que o PDM da minha terra, Cascais, servisse para unir e não para alimentar guerras de facções.
Gostava que Cascais fosse um exemplo de decisão política focada nas pessoas, para as pessoas e participada pelas pessoas.
Gostava que Cascais fosse gerida por gente séria, política e intelectualmente séria.
Gostava de ser surpreendido e por uma vez ver cumpridos os meus anseios mas não vivemos tempos onde isto seja possível!
Eu gostava…mas não tenho!
Cascais vai cometer um erro geracional se a Assembleia Municipal de Cascais aprovar esta proposta de PDM!
Um PDM feito às escondidas, feito de meias verdades e de objectivos dissimulados, um PDM que continua e piora o que de mal nos foi legado pela versão aprovada por José Luís Judas e que Carlos Carreiras, no seu estilo obstinado vai forçar a aprovação apenas porque… ele quer!
O caricato da situação é que como carneiros, a maioria PSD / CDS vai aprovar este PDM não porque se trate de uma proposta válida e valorosa, não porque o tenham estudado e a proposta mereça a sua concordância mas apenas porque Carlos Carreiras mandou que a aprovem!
A pressa com que o fazem, serve apenas o objectivo de salvaguardar os compromissos antes da entrada em vigor da nova lei dos solos. Que nome dar aos responsáveis políticos em Cascais que querem passar a perna à legislação criada e aprovada pelo governo da mesma cor?
O PDM de Cascais, de documento para unir a comunidade vai ser apenas um “documentozinho” criado para alimentar a sede de poder do Presidente de Câmara e os seus “fieis seguidores”.
É lamentável e desprezível!
Infelizmente os tempos são de comodismo, alheamento, alienação.

Enquanto estamos muito distraídos um pequeno grupo de “vivaços” criam-nos uma pesada herança para o futuro dos nossos filhos…

domingo, 24 de maio de 2015

MEMÓRIAS I - O PDM DE CASCAIS

Ser-se democrata de forma convicta pode por vezes trazer dissabores.
Pesa sobre a minha consciência um erro monumental que ajudou a acrescentar mais 20 anos de regabofe urbanístico em Cascais!
A demora da elaboração e aprovação do PDM não foi exclusivo dos últimos mandatos da Câmara de Cascais, com António Capucho e Carlos Carreiras.
Os dois mandatos de Georges Dargent, (1986/1989 e 1990/1993) de que fiz parte como vereador, já foram percursores da mesma sina.
No segundo mandato, quando detive o pelouro do urbanismo no último ano, fiz um forcing enorme para concluir os trabalhos de elaboração do PDM.
Uma filosofia muito restritiva em termos urbanísticos, com a intenção de preservar o que restava a preservar e manter nos núcleos urbanos consolidados a permissão de construção, e manter intocáveis as Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.
Mas o ambiente político na altura era insustentável.
O executivo PSD estava sob fogo cerrado dos promotores imobiliários e perspectivava-se uma derrota eleitoral nas eleições de 1993.
A cinco ou seis meses do final do mandato tínhamos o trabalho do PDM pronto para colocar em discussão pública.
E foi nesse momento que cometi um erro crasso, de que me arrependo pelos efeitos que provocaram em Cascais.
No respeito da vontade popular, e porque tudo apontava para uma derrota do PSD nas eleições autárquicas que se aproximavam, defendi de forma veemente, no que acabei por ser seguido pelos meus restantes colegas de vereação, que não era lícito forçar a aprovação de um documento desta importância para Cascais quando se aproximava um acto eleitoral de que poderia resultar uma diferente maioria. Democraticamente deveríamos dar a oportunidade ao executivo que saísse das eleições de poder, em tempo, introduzir alterações no PDM.
O PS de José Luís Judas ganhou as eleições com maioria absoluta. Decidiram deitar para o lixo todo o trabalho já realizado na preparação do PDM e aprovar um novo documento de que resultou o “vale tudo” que ainda hoje vigora!
Hoje, mais de vinte anos passados, quando tudo fazia prever que o defendido em Campanha eleitoral por António Capucho sobre a necessidade de revisão em baixa do PDM de Cascais, e na mesma altura por Carlos Carreiras, então destacado dirigente do MovCascais, eis-nos perante uma proposta de revisão do PDM que, não só não corrige os muitos erros urbanísticos que o PDM de Judas contém, como ainda refina para pior a gestão urbanística delegando a deliberação na discricionariedade do gestor político deixando de ser evidenciadas com clareza as regras que devem ser aplicadas na gestão urbanística.

Agora digam-me, tenho ou não tenho razão no arrependimento confessado?

segunda-feira, 4 de maio de 2015

CASCAIS, PARA ONDE VAIS?

Areia, futura urbanização com o prolongamento da A5?
No início da nossa democracia os políticos tentavam trabalhar para obter o reconhecimento do seu trabalho ao longo do seu mandato e por essa via ver esse reconhecimento traduzido no resultado das eleições seguintes.
Queria-se fazer bem, ir de encontro às expectativas dos eleitores, promover acções que gerassem o aplauso e o reconhecimento das populações. Esta era a forma de se trabalhar para o voto.
Entretanto, nos anos noventa surgiu uma nova geração de políticos que atuam na perspectiva da manutenção das suas mordomias e dos seus lugares e benefícios.
A percepção de que, independentemente da cor política, a classe política na sua maioria tinha deixado de trabalhar em função dos interesses da comunidade antes promovendo os seus interesses pessoais ou do grupo a que pertencem, levou a um aprofundar do divórcio entre eleitor e eleito.
Assim, os “mais espertos” acabaram por gerir processos dentro dos partidos e nas suas comunidades para a perpetuação do poder, criando clientelas, gerindo empregos para os seus apoiantes que, por essa via, não têm condições de fazer outra coisa que não seja apoiar o chefe.
É o que assistimos em Cascais.
Carlos Carreiras montou uma rede de interesses, de boys e assalariados que, se querem continuar a ganhar o seu “ordenadinho” não podem deixar de dizer ámen.
Como grassa o afastamento da maioria da população do fenómeno eleitoral, não são precisos assim tantos votos para perpetuar o poder.
A fúria de ir buscar competências à administração central, traduzidas fundamentalmente em novos empregados dependentes do Presidente da Câmara, não é alheia a esta realidade!
Por isso, nesta nova lógica do exercício do poder, não é preciso convencer consciências de que as nossas ideias, os nossos projectos são os melhores, basta ameaçar que, se não apoiarem, lá se vai o emprego, o seu, o dos familiares e talvez o dos amigos.
Tudo isto para dizer que, discordando do processo de aprovação do PDM de Cascais, percebo a razão que leva Carlos Carreiras a achar desnecessário informar os munícipes das alterações previstas no PDM em termos de políticas urbanísticas, considerar que não tem que fazer eco das propostas de alteração porque, quando o assunto chegar à Assembleia Municipal, terá garantido metade e mais um dos votos necessários sem discussão!
O exemplo do resultado da aprovação do Plano de Pormenor Sul de Carcavelos é um claro exemplo disso. Um dos deputados municipais com capacidade de pensar autonomamente pediu a suspensão do mandato para não ter que votar este Plano e a Presidente da União das Freguesias de Carcavelos e Parede permitiu-se o espectáculo degradante que protagonizou ao votar em desacordo com a decisão da sua Assembleia de Freguesia!
O emprego, nos dias que correm é um bem precioso!
Porque reconheço a alguns dos intervenientes na maioria do Viva Cascais capacidade de raciocínio autónomo, estranho que com a mesma ligeireza se prepare este torpedo no futuro de Cascais que personifica este projecto de PDM!
A democracia está ferida de morte. Em Cascais como no País, a verdadeira democracia deu lugar aos teatrinhos do faz de conta tipo Orçamentos Participativos!
Fernando Ulrich disse que a malta aguenta, ai aguenta, aguenta!

Eu estou mais céptico. Acho sinceramente que qualquer dia, sem aviso prévio, a malta vai achar que não aguenta mais…

domingo, 29 de março de 2015

NÃO, NÃO ESTÁ TUDO BEM!

Um conjunto de notícias que têm sido veiculadas em Cascais poderá deixar o mais distraído com a falsa consciência de que está tudo bem em Cascais.
Sem falar na história rocambolesca dos terrenos para a futura “business school” que irá certamente merecer uma atenção especial dentro de pouco tempo, as notícias da aprovação das contas do município de Cascais com saldo positivo, a discussão final da revisão do PDM, o prémio recebido como destino Turístico Sustentável ou ainda o Prémio Europeu de Ambiente recebido o ano passado poderia levar a acreditar que estamos bem entregues, que quem tem a responsabilidade de gerir os destinos da comunidade cascalense vai no caminho certo.
É pena mas NÃO É VERDADE!
Vivemos tempos do faz de conta, só interessa a casca, o fruto tanto faz, e isso dá para enganar o presente mas coloca em causa o futuro!
Comecemos pelas contas da Câmara. Saldo positivo sim, embora resistam alguns com dúvidas sobre a correta consolidação das contas das várias empresas municipais nas contas do município. Mas dando de barato que esse exercício está feito de forma adequada, vale a pena olhar para o endividamento do município e verificar se aumentou ou diminuiu.
Há no entanto um exercício que todos devemos fazer para perceber não a quantidade de dinheiro que esta Câmara gastou mas como o fez. Uma pergunta simples deita de imediato por terra qualquer tentativa de argumento a favor dos atuais gestores da coisa pública em Cascais. Que obras manteve esta Câmara em execução neste último ano? Que obras foram inauguradas?
Eu ajudo na resposta. Algumas hortas comunitárias, uma remodelação de um troço da 3ª circular e… não consigo recordar mais nada.
Para tantos milhões confessemos que é muito pouco!
 Mesmo admitindo que a minha memória é muito curta e possam existir mais alguns exemplos de obra feita, sou levado a concluir que muito do dinheiro está a ser gasto em Festas e eventos efémeros e em ordenados de muita gente que vive da esfera da Câmara e das empresas municipais acrescentando 0,0% ao resultado da acção municipal no bem comum!
Esta gestão do município continua a ser feita com o firme objectivo de agradar um conjunto de comissionistas que se viram do avesso em época eleitoral para garantir mais do mesmo! É muito pouco. Mas enquanto a maioria se mantiver desligada, desinteressada desta realidade, não participando ativamente no ato eleitoral, não se pode queixar…
A revisão do PDM é outro aspecto incontornável da gestão muito duvidosa liderada por Carlos Carreiras.
Houvesse o interesse dos gestores em consciencializar a população de Cascais para as alterações propostas, promover a discussão aberta e franca com as populações sobre os destinos da terra que é de todos e não apenas do Presidente e vereadores da maioria da Câmara de Cascais, e o período de discussão teria sido bem diferente.
Carlos Carreiras encontra sempre “montes de tempo” para o teatrinho do Orçamento Participativo mas para a discussão do futuro de Cascais…
Pior é que nas entrelinhas, se vai usar esta revisão do PDM para legitimar mais uma série de negociatas que confundem os interesses de alguns com os interesses da comunidade!
A coligação Viva Cascais em 2002 foi eleita contra a anterior maioria do PS usando como uma das bandeiras precisamente a necessidade de mudar urgentemente o PDM.
Carlos Carreiras integrou a equipa reeleita pela coligação em 2006, e teve responsabilidades na demora da elaboração do documento de revisão do PDM.
Estranha-se que volvidos 13 anos de espera, eis que o vagar deu em pressa e a discussão tem que ser feita a correr. É muito estranho não é?
Até os Prémios obtidos seja no Turismo seja no Ambiente são caracterizados por mais folclore do que consistência.
Cascais tem feito um esforço em dinamizar eventos que criem notoriedade internacional e por essa via aumentar a procura dos estrangeiros em escolher Cascais como destino. Mas os eventos, sendo importantes, devem ser o único objectivo ou ser um complemento para uma zona que tenha outro tipo de ofertas que fidelizem os turistas?
O que Cascais fez para se tornar competidor com outros destinos no sul da Europa
  como destino turístico?

Das últimas vezes que andei pelo sul de Espanha não vi lojas de chineses. Será que essa é a diferença que Carlos Carreiras quer fazer valer no centro de Cascais?...
Sobre o ambiente até me dói falar.
Tanta vacuidade, tanto faz de conta, tanto desinteresse por gerir a mudança de comportamentos e dotar o concelho de uma postura sustentada de defesa do ambiente!
E a câmara tem todas as armas ao seu alcance para fazer a diferença mas não faz, não se interessa pelos problemas de fundo, apenas pelo que fique bem na fotografia ou na televisão.
Uma política séria de resíduos?
Não, basta um dia de apanhar uns lixos no fundo do mar ou nas dunas e quanto a “lixo” estamos conversados!
Preservar as áreas da reserva ecológica e agrícola do concelho? Não vale a pena, come-se o que resta da reserva ecológica no próximo PDM e projectam-se uns quintais para fazer umas hortas comunitárias!...
Folclore, puro folclore sem qualquer seriedade!
Sustentabilidade e eficiência energética? Não deve dar votos, nem entrevistas na TV por isso não interessa!
A ver pelas notícias Cascais vai de vento em popa. Parece que está tudo bem mas…

NÃO, NÃO ESTÁ TUDO BEM!...