sábado, 3 de maio de 2014

ESTACIONAMENTO: É UM DIREITO OU UM NEGÓCIO?

As Câmaras continuam a não entender a forma de abordar esta problemática.
Nas grandes urbes, o crescimento económico acabou por resultar na existência de vários automóveis por fogo habitado e todos reconhecemos que tradicionalmente as Câmaras tardaram em perceber que os rácios para aprovação de lugar de estacionamento por fogo pecava por defeito, ou seja, ao longo dos tempos foram sendo aprovados fogos de habitação com estacionamento insuficiente.
A ideia de tarifar o estacionamento nos centros urbanos para apoiar a renovação de disponibilidade de lugares de estacionamento para o comércio e serviços, cedo deu lugar à proliferação de estacionamento tarifado por todo o lado.
Tudo isto foi acontecendo sem que se implementasse uma política justa de estacionamento capaz de, por um lado, respeitar os direitos dos contribuintes, já tão sobrecarregados de impostos diretos e indiretos relacionados com o automóvel, e pelo outro, ser eficaz no apoio ao desenvolvimento do comércio, tornando fácil o acesso aos centros urbanos.
Cascais, Oeiras ou Sintra não são diferentes: há muito tempo que transformaram o estacionamento num negócio camarário e se esqueceram de que a obrigação primeira é gerir o território salvaguardando os interesses dos eleitores e contribuintes.
Assistimos hoje à invasão de parquímetros, sujeitando os automobilistas à ditadura da moeda, da multa e do bloqueador!
E o que mais dói é a cegueira que as Câmaras um pouco por todo o país colocam na gestão desta matéria não deixando alternativa ao assalto ao porta-moedas.
Nalgumas zonas os parquímetros servem para enxotar os munícipes dos centros das localidades pejados de parquímetros e parques de estacionamento pago a preço de ouro para os empurrar para as grandes superfícies dotadas de parques de estacionamento gratuitos.
E assim se vai votando ao abandono os centros das localidades e das vilas porque, sem compradores, não há negócio que perdure e sítios que já foram cheios de vida como Cascais, Carcavelos ou Parede estão hoje votados ao quase abandono.
O estacionamento é um direito do contribuinte.
No meu entendimento é uma obrigação clara da Câmara Municipal dotar o território com a oferta suficiente de estacionamento para os munícipes e para os visitantes do concelho.
A gestão dessa oferta tem que ser feita tendo em consideração todas as variáveis da complexa equação.
Claro que a maneira mais fácil é colocar parquímetros mas será a mais adequada para a gestão urbana no seu todo?
Cascais acaba de aprovar alterações ao regulamento do estacionamento em Cascais nomeadamente no Centro Histórico. A preocupação de contrariar o estacionamento caótico que pode impedir o acesso das viaturas de emergência em situação de acidente ou catástrofe é meritória mas aprovar um conjunto de restrições sem salvaguardar os interesses dos munícipes proprietários de fogos nessas zonas e que pagam como os outros os seus impostos é muito mas muito redutor!
Zona sul da Parede
E o que dizer da proliferação de estacionamento pago em zonas com características maioritariamente residenciais como na zona de S. João do Estoril?
Ou da próxima tarifação da zona a sul da linha de caminho-de-ferro na Parede?
Zonas residenciais que nunca tiveram a menor atenção da Câmara nas condições mínimas a oferecer aos munícipes em matéria de estacionamento e que são agora tarifadas? As pessoas vão estacionar as suas viaturas onde? Em Oeiras? No Cascais Shoping?
Está tudo tolo?
A Câmara tem ferramentas ao seu dispor para resolver com eficácia este problema. Em primeiro lugar deve, em sede de aprovação de projetos urbanísticos acautelar as necessidades de estacionamento.
Nova Clínica com um lugar de estacionamento (Rua Teófilo Braga) 
Não pode aprovar, como a CMC se prepara para fazer na zona sul da Parede (Rua Teófilo Braga, nº 2), que uma Clínica possa funcionar numa antiga moradia, situada numa praceta com apenas um lugar de estacionamento. Se o médico e os restantes funcionários se deslocarem de bicicleta e só atenderem um doente de cada vez é capaz de funcionar. De outra forma…
Por outro lado devia investir em dotar as zonas centrais das localidades com estacionamento adequado gratuito. Se for preciso adquirir terrenos para o efeito será certamente dinheiro mais bem gasto que em Festas e Foguetes…
Por último devia, como chegou a estar pensado no início dos anos noventa, enfrentar o estacionamento de Cascais de forma mais inteligente e mais amiga do ambiente. Dotar as entradas de Cascais com oferta gratuita de estacionamento e criar um adequado e eficaz meio de transporte para levar as pessoas ao centro da Vila. Libertar Cascais das filas intermináveis de viaturas e acautelar a qualidade do ar no centro de Cascais.
Mas não.
Mais e mais parquímetros, fiscais de caneta, livro de multas e bloqueador em riste para (mal)tratar o munícipe.
Gerir assim é fácil.
Ser gerido assim não é.
Enquanto a passividade e a complacência durar será mais ou menos pacífico, mas tenho a firme convicção que a paciência vai faltar!

E aí…



segunda-feira, 3 de março de 2014

CASCAIS: O MITO DA SUSTENTABILIDADE




Em 2006, a chegada de Carlos Carreiras ao executivo da Câmara Municipal de Cascais parecia significar uma lufada de ar fresco, de novas perspetivas de encarar os velhos problemas com novas metodologias, novas formas de pensamento.
Para além da ideia de um projeto para Cascais, assente na defesa da sua área de paisagem protegida, na identificação do mar como uma pedra basilar do desenvolvimento económico de Cascais, na necessidade de rapidamente promover a revisão do Plano Diretor Municipal espelhando nele as linhas programáticas da forma de desenvolvimento pretendido para Cascais, assistia-se à criação de um fio condutor entre as várias políticas sectoriais que deixava antever que Cascais ia mostrar a Portugal e ao Mundo como se podia implementar uma gestão da comunidade assente nos princípios da sustentabilidade.
Aliás, sobre o conceito da sustentabilidade Carlos Carreiras deu um importante empurrão na dinâmica da Agenda Cascais 21, conceito surgido na Cimeira da Terra do Rio de Janeiro, em 1992.
A ideia de que o desenvolvimento sustentável se atinge integrando a viabilidade económica, a defesa do ambiente e a promoção das condições de vida das populações, tudo feito através do estabelecimento de parcerias que envolvam todos os atores da comunidade (cidadãos, associações, empresas, grupos de interesse) parecia ter ganho um lugar determinante na geografia da decisão em Cascais.
Confesso que em 2006 cheguei a estar entusiasmado com o rumo que as coisas pareciam estar a tomar.
Dar um lugar primordial ao ambiente nos processos decisivos sobre o ordenamento do território, desenvolver uma preocupação de decisões a pensar no futuro da comunidade e não no presente, eram razões entusiasmantes, consentâneas de uma atitude responsável na gestão do território e da comunidade!
Não passou de um logro. Um monumental logro.
Carlos Carreiras afinal não pensava nada disto, foi alegremente discursando acerca deste processo porque percebeu que era importante para as pessoas, elas acreditavam nisto mas nunca teve a mais leve intenção de pôr em prática o que quer que fosse que tivesse a ver com estes princípios.
O objetivo primordial de Carlos Carreiras, percorrer o caminho mais curto que o levasse até à presidência da Câmara de Cascais, foi alcançado com o recurso a todo o tipo de mentiras, de traições, de “decapitações” dos colaboradores mais próximos sem o mais pequeno argumento baseado na sustentabilidade.
Afinal, a única sustentabilidade em que esteve interessado este tempo todo foi a sua!
Bem espremido, que ideias afinal se percebe fundarem a ação política deste presidente? ZERO VÍRGULA ZERO!
Tudo Não passou de mera estratégia. Venham comigo fazer um breve passeio à verdadeira obra que este “habilidoso autarca” nos deixa.
A rede viária, fundamental para dinamizar a mobilidade dentro do concelho e nas ligações aos concelhos vizinhos continua à espera de medidas de fundo.
Em 12 anos parece curto e substancialmente insatisfatório que as obras realizadas se resumam a menos de 2 Km na Via Longitudinal Norte e menos de 1 Km na Via Longitudinal Sul.
A ligação S. Domingos de Rana a Sintra, por Trajouce, só tem um traçado decente e adequado quando entramos no concelho de Sintra. Sintomático…
Falando de sustentabilidade, quanto custam diariamente as filas intermináveis nesta via em consumo de combustível e emissões de gases com efeito de estufa?
O Mar, a integração do Mar como uma mais-valia estratégica na economia do concelho foi uma bandeira desfraldada ao vento de que resultaram umas provas desportivas de barcos, uma exposição anual de escultura no paredão e uns subsídios às várias associações de pescadores… Se isto é uma política de desenvolvimento estratégico, vou ali e já venho…
A Tratolixo em 2003 desenvolveu uma estratégia pioneira para o desenvolvimento da reutilização e reciclabilidade dos resíduos sólidos urbanos e a sua viabilidade foi possível com a implementação de um “Project Finance”.
Em 2007, a intervenção de Carlos Carreiras neste processo acabou por resultar na nomeação de um Administrador Judicial no ano transato por a empresa se encontrar em falência!
Sendo Carreiras formado na área das gestão, deve ter faltado à aula em que foi explicado que se diminuímos propositadamente as condições de obtenção de receitas, é possível que não se consigam gerar meios financeiros para pagar as contas…Este foi o contributo ambiental de Carreiras em capítulo de RSU.
Para Carlos Carreiras, é muito mais importante uma vez por ano juntar uns “amigos do ambiente” a recolher uns lixos no fundo do mar ou nas arribas do que implementar uma política responsável de reciclagem de resíduos. Reciclar não traz televisões…
O Plano Diretor Municipal é outro exemplo paradigmático. O instrumento por excelência para dinamizar as medidas de desenvolvimento sustentável continua a aguardar revisão há 12 anos!
Mas no entretanto acontecem coisas bizarras como o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul, com medidas previstas que prejudicam vivamente a qualidade de vida dos atuais e dos futuros moradores de Carcavelos e que coloca em causa a própria continuidade da praia de Carcavelos! Sustentabilidade ambiental ao mais “alto nível”…
E sendo as pessoas um eixo fundamental do desenvolvimento sustentável Carlos Carreiras também aí diz algumas coisas, bonitas, que todos os dias do seu mandato se esquece de praticar.
Até um slogan bonito inventou, “Cascais elevado às pessoas”, mas não passa de um chavão matemático mas pouco preciso na prática diária!
O desrespeito continuado pelas pessoas, pelos que não pensam da mesma maneira que ele ou se atrevem mesmo a discordar das suas teses, dos seus colaboradores diretos e dos funcionários da Câmara em geral em que, não perde uma oportunidade para pôr em prática uma filosofia de chantagem grotesca, ao nível do ditador mais rasca da nossa história!
Poderia elencar um número bem grande de ex colaboradores que se viram afastados sem apelo nem agravo, mas prefiro deixar uma pergunta que torna elucidativo o raciocínio que acabo de expressar:
Quantos colaboradores mais próximos se mantêm a colaborar ativamente com Carlos Carreiras, que tenham iniciado essa colaboração em 2006?  
Muito poucos, mesmo muito poucos!
Ora não deixa de ser caricato quando Carlos Carreiras se pretende afirmar como uma referência na área ambiental.
No discurso talvez, da sua autoria ou escrito por alguém, saem sempre palavras sábias, bem sintonizadas com o que se pretende defender com o desenvolvimento sustentável.

Mas palavras leva-as o vento e nós, em Cascais, precisamos de viver e ajuizar sobre factos… A prática diz que, em desenvolvimento sustentável, Carlos Carreiras não passa de uma fraude!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Carcavelos: Betão? Mais Não!

Acompanhei a sessão pública realizada em Carcavelos no salão nobre da Junta de Freguesia para perceber o que está proposto e em vias de ser aprovado na Quinta dos Ingleses.
Confesso a minha desilusão e preocupação.

Este processo é efectivamente muito antigo e sempre esteve envolvido em polémica, dada a sua localização.
A proximidade da frente de praia sempre trouxe visibilidade e opiniões extremadas a este processo o que tem levado os diversos e sucessivos executivos camarários a empurrar o assunto com a barriga e evitar que possa contaminar os cíclicos processos eleitorais de quatro em quatro anos.
Acabadinho de passar mais um período eleitoral eis que o assunto aparece para discussão pública.
A tónica colocada por Carlos Carreiras na apresentação do Plano de Pormenor assenta em dois ou três pilares: A existência de acções em tribunal com um pedido de indemnização à CMC de um valor superior a 200 milhões de euros invocando direitos adquiridos pelo proprietário do terreno, a renegociação em baixa do número de fogos previstos passando dos 1.887 previstos em 1985 para 939 fogos previstos no Plano de Plano de Pormenor em discussão pública e a salvaguarda do estacionamento de apoio à praia de Carcavelos previsto no Plano de Ordenamento da Orla Costeira.
Para justificar esta mega intervenção numa zona tão sensível da Freguesia é muito pouco!
Os processos com demasiada longevidade como é este da SAVELOS por vezes são iniciados com pressupostos que mais tarde estão completamente desajustados dos novos paradigmas.

Este é o caso.
Quando este processo foi iniciado não existiam Carcavelos Lux, Quinta da Bela Vista, Quinta de S. Gonçalo, Checlos, Quinta da Alagoa, Quinta do Barão, Riviera ou seja, vários milhares de fogos depois, eis que, porque existem antecedentes e hipotéticas indemnizações a pagar temos que aceitar esta absurda e exagerada intervenção urbanística.
Era exagerada em 1985 e mesmo só com metade dos fogos continua a ser exagerada!
A linha de Costa, que deveria estar reservada para equipamentos hoteleiros leva com um hotel e mais quatro prédios de 8 andares de habitação!
A Avenida Jorge V do lado já construído tem moradias com 2 pisos e do lado desta urbanização leva com 6 blocos edificados, parte deles com 8 pisos!
Para completar o ramalhete temos ainda uma área de serviços e alguns equipamentos sociais, nomeadamente campo de futebol, pavilhão desportivo, centro de dia e escola.
Infelizmente o território não tem a capacidade de esticar até ao infinito e, com o desenho urbano actual, com a densidade populacional que se verifica em Carcavelos, com as infraestruturas existentes, criar mais 939 fogos é insustentável, é um crime urbanístico!
Em Cascais o “planeamento urbanístico” sempre foi casuístico, sempre se analisou o índice de construção de cada urbanização mas nunca se assumiu Cascais como um todo, uma unidade territorial que precisa de ser pensada globalmente, perceber quais os limites a estabelecer para garantir uma efectiva qualidade de vida para os munícipes e para as pessoas que aqui trabalham ou nos visitam.
E a forma como se pretende analisar este processo é a mesma forma cansada e obsoleta de avaliar a bondade de uma operação urbanística.
O índice de construção é mais baixo do que o proposto inicialmente, são garantidos lugares de estacionamento de apoio à praia, até se garantem algumas contrapartidas de equipamentos sociais e desportivos e portanto a solução é boa?!...
Porquê a insistência em viabilizar urbanizações com contrapartidas a realizar pelo construtor quando o valor dessas contrapartidas recaem em mais construção, mais fogos autorizados?
O passado não nos ensinou nada?
Não aprendemos nada com os exemplos tristes que pululam pelo concelho de Cascais de mega urbanizações sem as necessárias beneficiações nas infraestruturas que as servem?
A Guia em Cascais, os Jardins da Parede, a Quinta de S. Gonçalo podiam servir de exemplos a não repetir mas a Câmara de Cascais dá-nos mais do mesmo!
Carcavelos tem de reagir a este atentado que Carlos Carreiras pretende viabilizar!
Não sou defensor de construção zero. Mas há limites que não podem ser ultrapassados.
A linha de costa deveria, ter no máximo duas unidades hoteleiras e não 4 edifícios de habitação e um hotel!
A Avenida Jorge V deveria estar mais protegida da volumetria prevista de 8 pisos quando do outro lado da avenida temos moradias de 2 pisos!
O esforço construtivo para gerar as mais-valias para a construção dos equipamentos sociais deveria ser anulado. O investimento deveria ser assumido pela CMC e não pelo
urbanizador!


A população de Carcavelos não pode pactuar com este atentado!
Vamos utilizar o período de consulta pública do Plano de Pormenor Carcavelos Sul para mostrar que já chega!
Esta solução é indefensável à luz do bom senso!

Se o bom senso anda arredado das pessoas que gerem o município, que seja Carcavelos e a sua população a vincar a necessidade de a ele voltar! 

domingo, 24 de novembro de 2013

Refazer a política em Cascais


Tenho dado alguma atenção ao estado caótico a que chegou a nossa sociedade no que respeita ao exercício do poder.
E vou continuar a chamar os bichos pelos nomes, doa a quem doer!
Passadas as eleições, em Cascais vamos ter mais do mesmo.
Um conjunto assinalável de militantes do PSD e do PP ocuparam literalmente as cadeiras do poder, seja na qualidade de eleitos nos vários órgãos autárquicos, Freguesias, Assembleia Municipal e Câmara Municipal, seja nas várias empresas municipais ou como assessores bem pagos.
A promiscuidade é maior do que o que o comum dos mortais imagina.
A ocupação da estrutura do poder é feita sem regras, sem fiscalização e sem responsabilidade.
Passo a explicar.
Penso que o legislador que criou este modelo de organização do poder local fê-lo com a preocupação de garantir as condições de que os órgãos de cariz executivo fossem devidamente fiscalizados pelos órgãos de cariz deliberativo.
As falhas da Lei e o “engenho” dos políticos trataram de baralhar o conceito de que resultou a situação actual.
Hoje vemos as mesmas pessoas a fiscalizar e a serem fiscalizadas conforme o chapéu que decidem trazer na cabeça.
Convido o caro leitor a fazer o seguinte exercício:
Quantos nomes aparecem repetidos nas listas da coligação Viva Cascais para os vários órgãos autárquicos, quando comparados com os restantes órgãos, com as administrações das empresas municipais, com os lugares de assessores ou mesmo de funcionários municipais?
São muitos não são?
Esta teia serve a quem e para quê?
Não há segredos, o poder está na mão de um grupo confinado de pessoas que por, razões não do interesse geral ou da comunidade mas antes pelo interesse pessoal ou o da sua carteira, controlam as decisões ou pior, cumprem as decisões de um reduzido directório que tomou conta de Cascais e fazem-no sem espírito crítico ou discussão!
Alguém mais tarde ou mais cedo vai ter que colocar um redondo ponto final nesta forma hermética e pouco democrática do exercício do poder.
Não vejo que sejam os Partidos do arco da governação, PSD, PS e PP a tomar a iniciativa de mudar a lei neste particular e também não vejo nos restantes Partidos grande apetência por resolver esta situação. Talvez a salvação acabe por resultar da acção dos movimentos independentes. Talvez…
Mas há medidas urgentes que poderão trazer um pouco mais de dignidade, verdade e verticalidade à actuação dos eleitos.
Atrevo-me a deixar algumas sugestões em modo de iniciador de discussão.
1 - Um autarca de um órgão executivo, seja presidente ou vereador de uma Câmara Municipal ou Presidente ou vogal de uma Junta de Freguesia não deveria poder ser eleito mais de 3 vezes consecutivas nem transitar de um órgão executivo para outro.
2 – Um autarca de um órgão deliberativo, seja Assembleia Municipal ou de Freguesia não pode ter qualquer vínculo com a autarquia a que se candidata ou seja, não deveria ser possível ser ao mesmo tempo membro da Assembleia Municipal e funcionário, assessor ou mesmo administrador de qualquer das empresas ou associações da Câmara ou mesmo funcionário municipal. Quem é funcionário deve ser fiscalizado pelos órgãos deliberativos. Ser fiscal da sua própria actividade parece pouco sério, não é?...
3 – Também parece pouco saudável a dança de cadeiras a que assistimos. Esta tendência para o “trata de mim que a seguir trato eu de ti” tem de acabar! Não deveria ser permitido que ao fim de 3 mandatos consecutivos um autarca possa de seguida ser nomeado para uma qualquer administração de empresa municipal ou estabelecer contrato de trabalho ou de assessoria com a Câmara ou com qualquer das suas estruturas empresariais. O inverso também me parece inaceitável. Quem por nomeação tenha feito três mandatos consecutivos numa administração de uma empresa municipal não deve poder ser candidato a qualquer cargo numa autarquia.
4 – Julgo que deverá ser discutido a possibilidade de tornar obrigatório o voto. É inaceitável que menos de 50% dos eleitores se pronunciem nas eleições e o poder com maioria absoluta seja alcançado com o voto de pouco mais de 16,2% dos eleitores como aconteceu em Cascais!

E sobre isto nem vale a pena o argumento do respeito do direito democrático de cada um decidir se vota ou não. Há maior atentado à democracia que permitir que uma minoria possa impor a sua vontade à maioria?
Não somos inocentes ao ponto de acharmos que os políticos se comportariam da maneira que hoje o fazem se suspeitassem que todos os eleitores, nomeadamente os que se cansaram das suas tropelias e primam hoje pelo abandono ou o desprezo pela classe política, tivessem eles, todos, que ir participar no ato eleitoral…
Outro galo cantaria!...
Temos que nos consciencializar que viver a democracia não é apenas falar dela.
Chamar toda a gente a participar não se faz com o logro do orçamento participativo! Democracia participativa não é o resultado do voto telefónico de algumas centenas de pessoas que se congratula com a grande obra que possa ser a construção de um parque infantil para cães!
Sei que a maioria das pessoas está desencantada, farta de mentira e de oportunistas.
Sei que isso é mau para a democracia.
Mas também sei que chamar as pessoas a participar activamente nas decisões da gestão da coisa pública tem que partir da vontade dos políticos de trazer transparência a essa gestão, ter uma relação de verdade com o eleitor.
Isso não está ao alcance de todos!
Isso, não está ao alcance da actual classe política que dirige os destinos do nosso concelho.

Verdade e transparência? O que é isso para eles?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

REFLEXÕES ELEITORAIS

O ato eleitoral de 29 de setembro último não trouxe boas notícias.
Carlos Carreiras, líder da coligação Viva Cascais alcançou a maioria absoluta na Câmara Municipal de Cascais e, conforme as várias opiniões que aqui tenho expresso nos últimos meses, isso, no meu entendimento não é uma boa notícia.
Mas, em democracia a lista mais votada é a que ganha e Carlos Carreiras e a equipa que lidera estão de parabéns.
No entanto, e num preocupante crescendo, estas eleições ditaram uma abstenção absolutamente exagerada em Cascais, com 62,01% dos eleitores a não votarem!
106.988 eleitores, dos 172.537 inscritos não participaram no ato eleitoral! Isto não é uma boa notícia!
Dos 65.549 que participaram, 5.951 votaram branco ou anularam o boletim de voto. Isto também não é uma boa notícia!
Bastaram cerca de 2,7% dos eleitores para eleger cada um dos vereadores!
A democracia, em que o processo eleitoral universal é a mais sublime demonstração de que todos podem participar nas escolhas, está posta em causa.
Porquê?
Tenho uma leitura, que não é certamente unânime, mas ainda assim atrevo-me a partilhar com os leitores.
A abstenção crescente é um sintoma direto da falta de qualidade dos intervenientes na política, nomeadamente nos Partidos Políticos.
O descrédito crescente, emanado de uma classe política sem ética e com poucos hábitos de falar verdade, os escândalos sucessivos, as mentiras eleitorais que sistematicamente são debitadas como promessas que depois não são cumpridas, o manifesto desinteresse no eleitor enquanto pessoa, têm construído um exército crescente de pessoas que não acredita nos agentes políticos da atualidade.
Há quem acuse os candidatos dos Partidos Políticos de serem os grandes responsáveis pela situação a que se chegou.
É parcialmente verdade. Contudo não sejamos apressados a endossar as culpas. Todos os que se apresentaram a votos têm uma quota-parte de responsabilidade.
Eu, enquanto candidato derrotado nas eleições para a Assembleia da União de Freguesias de Carcavelos e Parede tenho também responsabilidade, ao não ter sabido passar uma mensagem que fosse capaz de fazer o eleitorado desta união de freguesias acreditar que a minha lista podia representar uma mudança nos processos e nas atitudes e era merecedora do voto da maioria dos eleitores. Falhei.
E como eu falhei também os outros candidatos falharam.
Mas a questão que se coloca é pertinente:
Todos, Partidos e Movimentos, que se interessam pelo fenómeno da Política, estão conscientes que têm que acertar o passo nesta matéria?
Julgo que a resposta a esta pergunta não é, também, uma boa notícia.
Os Partidos estão atacados de um autismo, de uma cegueira que não os deixa ver que estão a um passo do abismo e já levam o pé levantado para caminhar nessa direção!
Não se vislumbra a mais pequena intenção de corrigir esta forma de fazer política.
No dia seguinte às eleições, Carlos Carreiras veio logo zurzir os adversários, ameaçar todos os que não pensam da mesma maneira e assumem críticas públicas, iniciar processos de chantagem política, mais do mesmo!
Resta pelo menos ao Movimento SerCascais essa nobre atividade de não deixar morrer a democracia em Cascais, de continuar a lutar por trazer uma luz que se instale na consciência de cada cidadão de Cascais e os faça acreditar que vale a pena lutar pelo concelho, lutar por princípios, lutar com ética e com verdade.
Eu estou disponível por participar nesse trabalho. E vocês?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O EUCALIPTO DE CASCAIS



Há alguns padrões morais que me perseguem desde a infância e que me condicionam o comportamento enquanto pessoa.
Mal ou bem os meus pais educaram-me na necessidade de respeitar os outros, não fazer aos outros o que não gosto que a mim me façam, e a viver com o que ganho com o meu trabalho, nem mais um tostão.
Uma educação com princípios morais leva-nos a fazer por vezes um exercício de auto avaliação, uma espécie de exame de consciência.
Não é fácil estarmos sempre de acordo com o que dizemos e fazemos mas também não conheço ninguém suficientemente perfeito para atirar a primeira pedra.
Quem tem estes princípios morais tem que aprender a viver com as suas fraquezas e enfrentar um processo de “melhoria contínua”…
Mas há quem não seja assim.
Essa é a conclusão que sou levado a tirar após a leitura do artigo hoje publicado no Jornal i, atribuído a Carlos Carreiras.
No artigo, com título sugestivo de “O eucalipto da Europa” discorre-se um conjunto de ideias sobre Angela Merkel nomeadamente o seu papel cinzento ou negro em relação à Europa e ao seu futuro e a importância das eleições na Alemanha.
Quanta analogia podemos nós fazer em relação a Cascais e às próximas eleições autárquicas.
Troque-se Merkel por Carreiras, Alemanha e Europa por Cascais, e temos um quadro com tantas semelhanças que assusta!
Quem consegue fazer a análise sobre os outros de forma tão assertiva é uma pena não ser capaz de na mesma medida o fazer sobre si mesmo e a sua ação!
Carlos Carreiras prepara-se para ser a Merkel de Cascais: Um forte eucalipto que irá secar tudo à sua volta.
E se lhe sobra em política falta em humanismo, se tem uma vontade imensa de se afirmar como líder incontestado, não faz o mínimo esforço de o ser pela razão optando sempre pela força.
Carreiras quer ser líder, quer ter o poder, mas não tem paciência nem perseverança para o ganhar no reconhecimento e confiança dos seus pares, usurpa-o!
Faz-me muita confusão, (ou talvez não…) que homens reconhecidos democratas de sempre, como Francisco Balsemão ou Marcelo Rebelo de Sousa, aceitem como bom este modelo de exercício de poder. Mas a vida empurra-nos a fazer coisas que no nosso perfeito juízo provavelmente não faríamos…
As próximas eleições serão capitais na definição do futuro de Cascais.
Carreiras já demonstrou em muitas situações nos últimos anos que o seu objetivo principal pouco ou nada está relacionado com Cascais e as suas gentes. O seu objetivo principal e único é a obtenção do poder. E não julguem que lhe chega ter poder, para Carreiras o poder tem que ser absoluto.
Demonstrou uma falta de respeito pela história de Cascais ao apagar a marca Estoril, um desrespeito avassalador pelo munícipe contribuinte pela forma como esbanja dinheiro em Festas e Conferências de utilidade duvidosa, o fulgor e o dinheiro gasto na “reorganização” das empresas municipais para apagar toda e qualquer marca de António Capucho, a forma despudorada como criou uma máquina dentro do universo da Câmara para trabalhar não em prol de Cascais mas em prol de Carreiras! Operadores de Câmara, aprendizes de jornalistas, uma horda de novos empregos pagos pelo erário público que não foram gerados pelas necessidades de servir os munícipes e Cascais.
Já pensaram que com menos 300 boys pendurados no orçamento, menos Festas e Conferências, muito provavelmente era possível fazer mais obra e diminuir os impostos e as taxas cobrados pelo Município, aliviando a corda que nos faz o garrote a todos em Cascais? E isso provavelmente não iria gerar mais endividamento do município?
Tenho a firme convicção que Carreiras também já pensou nisso mas está-se borrifando! A horda faz-lhe falta, são trezentos votos, e as Festas e as Conferências dão para pagar muito favor e esconder muita despesa…
Mas em democracia o povo tem o poder de através do voto poder fazer valer a sua vontade.
No entanto, o país e o município em que vivemos tem feito muito pouco para que se mantenha a vontade de participar no ato eleitoral.
A educação cívica, a utilização do poder com ética, teriam sido fundamentais para manter a chama da participação ativa das pessoas nas decisões sobre o seu futuro e na nomeação dos seus representantes. Não foi isso que tivemos, infelizmente.
Mas, entrar em negação não vai corrigir este problema. Temos que procurar usar o voto para mudar este estado de coisas. E se os políticos mentirem e nos defraudarem as espectativas temos de usar de novo o voto contra eles!

Baixar os braços significa não só deixar crescer um eucalipto em Cascais mas pior, transformar isto tudo num imenso eucaliptal!

domingo, 28 de julho de 2013

PARTIDOS, DEPENDENTES E… INDEPENDENTES …

Os Partidos há muito tempo que deixaram de ser os representantes dos eleitores na gestão da coisa pública nacional e local.
Como num filme de ficção científica em que a máquina ganha vida e vontade própria, também os Partidos passaram apenas a representar-se a si próprios, que é como quem diz, passaram apenas a representar o conjunto de pessoas que tomaram conta das estruturas partidárias, agilizando-se de lugar em lugar, ora nos governos e nas empresas públicas ora nas assessorias nas câmaras e nas empresas municipais.
O papel dos Partidos enquanto representantes da população deixou de fazer sentido.
Mas, sendo a democracia o sistema menos mau de governo, convém não perder de vista a necessidade de, em cada momento, encontrarmos a melhor forma de lhe dar saúde, frescura, vida. Este objectivo tem norteado os meus actos mais recentes.
Não pretendo afirmar-me como um exemplo, um fora de série, um iluminado, porque tal tenho a certeza de não ser. Mas todos os dias me esforço por ser coerente com as ideias que defendo, sempre com a preocupação de agir e pensar com a ética, com verdade e com seriedade.
Por isso optei por me juntar ao Movimento SerCascais.
Carlos Carreiras defendeu em artigo publicado no Jornal i que os movimentos independentes mais não são do que um conjunto de ressabiados da política que, por não terem lugares se decidiram por se encostarem a outras soluções.
Vale a pena discutir esta tese e ver até que ponto é que é verdadeira ou não passa de uma falácia.
Pode até ser verdade que em alguns casos isso se tenha verificado. Como há muitos casos, entre os quais me incluo, dos que se fartaram de ver o Partido em que militavam demonstrar um total desrespeito pelos seus militantes porque a “máquina directiva” demonstrava uma total incapacidade de perceber a opinião da maioria dos que constituem o Partido.
Afinal onde está o mal? Está nos que, sentindo que o Partido não os representa e respeita condignamente, decidiram procurar uma alternativa de afirmar os seus pontos de vista ou o problema reside efectivamente nas “pessoas” que invadiram os centros de poder partidários e apenas orientam a sua acção para ver perpetuados os seus lugares e as suas influências?
Olhemos para o caso da vizinha Sintra.
Marco Almeida é vice presidente de Fernando Seara em Sintra. A concelhia do PSD decidiu aprovar a sua candidatura à Câmara Municipal de Sintra. A Distrital, porque Marco Almeida não fez parte da facção de Miguel Pinto Luz e de Carreiras na Distrital do PSD, e porque não apoiou Pedro Passos Coelho para a presidência do PSD, foi vetado, e no seu lugar inventam Pedro Pinto que de Sintra só se deve lembrar do mítico “Maria Bolachas”. Por outro lado a mesma Distrital pretende candidatar a Lisboa Fernando Seara, o candidato que por lei já não o pode ser (mas o PSD insiste que o problema só existe se for em Sintra…) e que tem ainda como vice presidente o Dr. Marco Almeida.
Ora se o trabalho de Seara é defensável para, mesmo contra a lei, pretenderem que volte a ser candidato agora a Lisboa, Marco Almeida não serve para ser candidato a Sintra?...
Marco Almeida decide avançar com uma candidatura independente. É ele que está errado? É dele a responsabilidade de “contrariar” a vontade do Partido ou foi o Partido, a máquina partidária, o poder cego e autocrático do PSD que decidiu excluir os militantes de base desta decisão?
Carlos Carreiras, coloca um forte azedume contra os movimentos independentes porque começam a ter uma expressão que põem claramente em causa o exercício autocrático do poder após as próximas eleições e, cúmulo dos cúmulos, não são por si controláveis.
Ter um Partido em que uma boa parte dos seus militantes são neste momento dependentes da folha de ordenados da CMC ou das suas empresas municipais é fácil de controlar. Ter uma composição do executivo camarário dividido entre PSD e PS não é difícil controlar. Carreiras, nos dois últimos mandatos, colocou no bolso quer o Vereador do PCP quer parte dos vereadores do PS pelo que não lhe faltará arte e engenho para o voltar a fazer.
Mas, se se confirmar que a onda independente de Sintra (dizem as sondagens que Marco Almeida lidera as intenções de voto) se está a propagar a Cascais e Isabel Magalhães conseguir aquilo que há um ano só podia ser entendido como uma surpresa impossível em Cascais?
Os militantes do PSD mais “dependentes” estão claramente nervosos. Desconfiam que o provérbio popular “Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta” possa mesmo querer dizer que o fim do bem bom se aproxima!
Sente-se um ar libertador.
Mas o sucesso ou o insucesso de Cascais está muito dependente de a sua população acordar, perceber o que está em causa, e não deixar de ir votar, conscientemente, no próximo dia 29 de Setembro. 
O nível de abstenção vai determinar se Cascais consegue renascer das cinzas ou se vai continuar a atolar-se em Festas e em dívidas!