segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ESTRATÉGIA? ZERO!

Temos hoje uma classe política medíocre porque os cidadãos portugueses há muito tempo desistiram de fiscalizar e sancionar a actividade dos políticos.
Não é razoável que umas eleições aconteçam sem que exista um claro programa de actuação dos vários candidatos para o mandato a que se candidatam.
Não é razoável que um político prometa uma coisa e, depois de eleito, se atreva a fazer exactamente o contrário.
Não é razoável que um político que não tenha cumprido o que se comprometeu executar em campanha, ou que tenha mesmo feito exactamente o contrário do prometido, consiga ser reeleito em eleição seguinte sem que lhe seja infligido pelos eleitores o castigo merecido!
Em Portugal temos muitos exemplos disto, só para recordar dois de Partidos diferentes, Durão Barroso e José Sócrates, ambos criticaram a carga fiscal, ambos prometeram não promover aumentos da carga fiscal, todos sabemos o que ambos acabaram por fazer!...
Isto é possível em Portugal, no governo da Nação, nos governos regionais ou nas autarquias.
Porquê?
Porque há muito tempo a esmagadora maioria do povo português desistiu de exercer o seu direito de cidadania, ou confunde esse direito com o mero acto de decidir votar ou não votar sem que o faça de forma consciente, utilizando o seu voto para castigar a incompetência ou a falta de rigor no cumprimento do prometido.
Claro que a organização política vigente em Portugal não ajuda a que tal aconteça. A ditadura das cúpulas partidárias, a impossibilidade de votar em pessoas em detrimento de partidos ou coligações, acaba por contrariar o exercício consciente da cidadania.
Os portugueses estão reféns do bloco central partidário, do bloco central dos interesses!
É fácil perceber a verdadeira dimensão do que acabo de afirmar quando fazemos o exercício de analisar de que empresas vieram os governantes dos últimos vinte e cinco anos e a que empresas foram parar depois de abandonarem o governo…
Mesmo a abertura tímida às candidaturas independentes acabam por, na esmagadora maioria dos casos, transformar-se em veículos para a eleição de ex políticos partidários que não se viram reconduzidos pelo Partido para nova candidatura. Poucos são os casos de candidaturas independentes que sejam uma emanação clara da sociedade civil a querer introduzir uma praxis política diferente.
Em Cascais, embora existam vários movimentos independentes, existe já uma candidatura independente à Câmara Municipal de Cascais.
O futuro próximo dirá se teremos no confronto eleitoral algo de novo que envolva os munícipes e se comporte de forma séria, ou se teremos apenas mais variedade de escolha para o “prato habitual”…
O PSD fez uma péssima escolha para candidato à Câmara.
Carlos Carreiras já deu mostras mais que suficientes que representa tudo de mau que a política nos trouxe nos últimos trinta anos de democracia.
Cascais, por mais notícias pagas que digam o contrário, está sem projecto, sem estratégia!
As estratégias que têm vindo a ser implementadas em Cascais nos últimos três anos nada têm a haver com Cascais, com os seus munícipes ou  com as suas empresas,  todas as estratégias, que custaram alguns milhões de euros aos bolsos dos contribuintes, têm apenas um objectivo: garantir a eleição de Carlos Carreiras para mais um mandato autárquico!
Não há uma ideia que defina aquilo que se pretende que Cascais seja nos próximos dez anos, nos próximos vinte ou nos próximos trinta!
Não há uma política para o Ambiente!
No que respeita aos Resíduos Sólidos Urbanos, a ausência de estratégia vai custar uns largos milhões de euros ao município, ou seja, aos munícipes. E esta história bem precisa de ser contada aos quatro ventos porque já se entrou na fase de “enxotar as culpas para o passado”!
É bom que a culpa não morra solteira e se torne claro, transparente, quem desempenhou que papeis neste enterro. Não se pode confundir o bombeiro do INEM que tentou reanimar o doente com o cangalheiro que lhe propiciou o enterro!
Não há uma política de planeamento urbano!
Esta espera pela revisão do Plano Director, o planeamento tipo ventoinha, dependente das “oportunidades” que aparecem, parecem sempre ser não um planeamento mas um oportunismo. E os benefícios da “oportunidade” nem sempre são transparentes!
Aquilo que era preciso saber, que tipo de ocupação do território se pretende, ninguém sabe, ou melhor se diga, quase ninguém…
Não há uma política de desenvolvimento económico do concelho!
Parece que estamos condenados a viver do empreendedorismo e das universidades à beira mar ou do parqueamento de paquetes.
É muito pouco, para um concelho com as pretensões de Cascais. Muito pouco mesmo!...
Por outro lado a indiferença que a Câmara apresenta relativamente ao pequeno comércio de rua é constrangedor. Parece que o único papel que o município deve desempenhar é o da extorsão, da cobrança infindável de taxas para todos os gostos, esquecendo que este comércio é (ainda…) o rendimento e o emprego para muitas famílias de munícipes!
Não há uma política de transportes e comunicações!
Não há uma ideia nem para os grandes problemas, nem para os pequenos nem para os assim assim.
A rede viária principal não parece ser uma prioridade. Cada dois mandatos vão dando à luz cerca de 1 Km o que nos leva a ter que esperar mais uns cinquenta anos a fazer fé no ritmo implementado.
Os problemas de circulação, os constrangimentos viários, estão todos por resolver. Parece que Carlos Carreiras não percorre as ruas de Cascais, a sua rede viária, não sente a prioridade de resolver convenientemente estes problemas.
Os acessos à A5 em Cascais e em Carcavelos/S. Domingos de Rana, a estrada S. Domingos de Rana – Mem Martins, o acesso a Oeiras pela estrada da Lage, a rotunda do Leclerc em S. Domingos de Rana, são exemplos de grande importância que os utentes valorizam todos os dias que lá perdem mais de uma hora das suas vidas.
É um problema para os munícipes mas, aparentemente, não o é para Carlos Carreiras!
A ausência de uma política de estacionamento ao serviço da animação do comércio é outra situação incompreensível. Parece que apenas conta a caça aos euros dos parquímetros e o exercício de bloquear carros. Como política de estacionamento é curtinho, convenhamos!...
Podíamos fazer um exercício idêntico para o Saneamento e o Abastecimento de Água, a Saúde, a Acção Social, a Educação, a Cultura, o Desporto, os Espaços Verdes, o que tornaria este texto ainda mais fastidioso e confirmava a ideia base que pretendo afirmar: Cascais não tem estratégia!
É mau para todos se as próximas eleições autárquicas não servirem para fazer a diferença.
É mau para todos e para Cascais, se voltarmos a permitir que seja eleito um executivo camarário que não tenha apresentado um programa de actuação transparente e objectivo para o seu mandato!
Podemos todos, ou pelo menos a maioria, continuar a brincar à democracia, participando alegremente na votação de projectos do orçamento participativo tipo parque infantil para cães, enquanto permanecem com aspecto terceiro mundista os arruamentos do Bairro da Cruz Vermelha ou da Adroana.
Mas eu prefiro acreditar que chegou a hora de assumirmos a responsabilidade do exercício sério e condigno da cidadania!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Problema de Moedas? Para mim são…trocos!...


Um exemplo de como se pode deitar dinheiro dos contribuintes pelo cano abaixo...
 Carlos Carreiras desancou o Secretário de Estado Carlos Moedas como nem António José Seguro foi capaz.
Como as notícias diziam logo de manhã na passada quarta-feira, Carlos Carreiras, destacado dirigente do PSD e Presidente do Instituto Sá Carneiro, considerava que “Um membro de um qualquer Governo que tem a 'inteligência' de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude - abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico”.
Parece-me pertinente fazer alguns juízos de valor sobre esta afirmação e sobre o seu autor.
Analisemos a razão do comentário. Tem Carlos Carreiras razão em estar indignado mas não pelas razões que invoca.
O político deve falar simplesmente verdade e não apenas a verdade ou a parte dela que lhe convenha.
Essa é a moda dos nossos Políticos dos últimos 20 anos, fez escola, e trouxe-nos aos momentos que vivemos…
O que deveria indignar Carlos Carreiras não é o facto de Moedas considerar o relatório do FMI bem feito, o que deveria trazer Carlos Carreiras mal disposto é a confirmação de que este Governo fez-se eleger com um Programa que não tinha  a mais pálida ideia se seria capaz de o fazer cumprir!
Apresentar-se a votos, fazendo um cenário e apontando soluções para as quais não se tem a mais pálida ideia se funcionam, se são ou não uma efectiva solução para os problemas, é trapaça!
Guterres, Durão Barroso e Sócrates fizeram-no, e eu, e muitos outros cidadãos, pareceu-nos, erradamente, que o discurso da verdade era desta…
Não foi!
Enquanto cidadão e militante social democrata, confesso a minha incomodidade.
Mas a reacção de Carlos Carreiras merece ser apreciada por outros prismas.
Mal ou bem, Carlos Carreiras alcandorou-se a um lugar importante na lógica do poder partidário no principal partido do governo. É Conselheiro Nacional e Presidente do Instituto Sá Carneiro.
Pode isso mesmo ser um perigoso sinal para a transparência e a verticalidade política do PSD mas é o que temos!
Ora, não há muito tempo, foi até grosseiro como classificou António Capucho por ter proferido algumas críticas ao governo. Num dos últimos plenários do PSD de Cascais atacou violentamente os “bloggers” que escreviam sobre a Câmara de Cascais e que são militantes do PSD, como é o meu caso, de serem invejosos e traidores por “lavarem a roupa suja” fora das instâncias partidárias.  
Esta situação encerra aqui uma espécie de democracia (bem esquisita por sinal…) em que a utilização da crítica pública só pode ser feita com legitimidade por alguns, porque para os outros já será ilegítimo…
É esta maneira de estar na política que mais me motiva a não “esfriar” a minha indignação e em usar os meios ao meu alcance para desmascarar que isto não serve para a nossa terra!
Precisamos de um líder no município que nos olhe como iguais, que não se considere acima da plebe, com direitos especiais!
Precisamos de um líder no município que nos fale verdade, que nos trate com verdade, que não esteja sistematicamente a dar o dito por não dito.
Precisamos de um líder no município que seja vertical e recto, que não ajuste a verdade como mais lhe convém.
Precisamos de um líder no município que esteja disponível para abraçar como prioridade a resolução dos pequenos problemas, aqueles que nos aborrecem diariamente, os buracos da rua que não foram rapidamente tapados, a tampa de esgoto que não foi subida depois da repavimentação da rua, os apoios financeiros que só acontecem para “algumas colectividades” sem qualquer tipo de critérios objectivos.
Precisamos de um líder no município que sinta que cada euro que gasta não é dele mas dos munícipes que representa, e como tal deve sempre escrutinar se cada euro vai cumprir a resolução das necessidades e anseios da população de Cascais.
Precisamos de um líder no município que se debruce sobre os reais problemas de Cascais e dos seus habitantes e se empenhe nas soluções adequadas  para eles em vez de se aplicar na autopromoção.
Como todos já perceberam, todos estes desejos são impossíveis de alcançar com Carlos Carreiras.
Carreiras é exactamente o oposto.
E a bem de Cascais, tem de ser travado.
Seria bom que fosse o PSD a tomar consciência deste imprescindível acto de idoneidade política mas não acredito que seja capaz…
Que seja outro, ou partido ou movimento independente, mas a seriedade e a sobriedade conseguidas em 2002 com António Capucho tem que regressar a Cascais em 2013!
Doa a quem doer!

domingo, 2 de dezembro de 2012

DAR O DITO PELO NÃO DITO…

Na passada semana, Carlos Carreiras, em artigo de opinião publicado no Jornal i, assume uma feroz crítica ao Governo e muito especialmente ao seu muito dilecto amigo e ministro Miguel Relvas a propósito da reforma administrativa em curso.
Subscrevo e aplaudo as críticas formuladas por Carlos Carreiras.
Nem acho interessante colocar o enfoque na alteração profunda de opinião de Carlos Carreiras sobre esta matéria ao longo do último ano.
De defensor acérrimo da reforma, ao ponto de propor contra tudo e principalmente contra todos a sua aplicação em Cascais, com a redução de uma ou duas freguesias entre as seis existentes, até à recente defesa intransigente de não diminuição de freguesias e o ataque feroz à Unidade Técnica do Ministério que propõe a redução de freguesias em Cascais, Carlos Carreiras deu uma volta de 180 graus nas suas convicções expressas e assumidas.
Não me parece relevante.
Carlos Carreiras mudou de opinião.
E depois? Diz o velho ditado que só os burros não mudam de opinião, e Carlos Carreiras pode até ter muitos defeitos mas ser burro não é de certeza um deles!
Já a coerência de Carlos Carreiras, ajustar os actos às palavras, deixa muito a desejar.
Carlos Carreiras quer muito ser Presidente de Câmara de Cascais.
Para atingir esse objectivo, iniciou uma caminhada há sete anos e fez tudo o que estava ao seu alcance para tornar o objectivo realidade. Quando quase todos os passos foram dados, com nomeação deliberada pelo PSD como futuro candidato a Cascais, seria catastrófico para ele ser vitima da má imagem do Governo PSD e perder as eleições em Cascais.
Como S. Pedro com Jesus, Carlos Carreiras irá no próximo ano negar muitas mais vezes este governo.
Ora regressando à coerência de Carlos Carreiras,  o que torna o seu discurso  pífio é a constatação de que as palavras têm valor para ser aplicadas aos outros mas perdem relevância para ser aplicadas nos seus actos de gestão na Câmara de Cascais.
Carlos Carreiras apressou-se a fazer a fusão das Agências e das Empresas Municipais em Cascais mas, desse “corajoso” acto não resultou a redução nem de meio funcionário!
E se os há em demasia no universo da Câmara Municipal de Cascais…
Aquilo que deveria ser um esforço de racionalização de recursos resultou num brutal aumento de custos para mudar todo o estacionário e a imagem das novas empresas resultantes da atabalhoada fusão promovida.
Um amigo meu, jornalista, confidenciava-me ontem que era uma vergonha a Câmara de Cascais ter 40 funcionários contratados para fazer a revista que edita com periodicidade mensal para promover a imagem do actual Presidente da Câmara. Dizia mais, com 40 funcionários, há muito jornal diário que não os tem, contando com a Administração! Tem razão este meu amigo e acompanho-o na indignação. Mas, tenhamos consciência que existem 40 funcionários contratados para fazer uma revista mas a revista não é feita por esses 40 …
Neste frenesim de pagar favores com contratos de trabalho resultou muito “trabalhador indigente” em Cascais.
Acredito que entre Agências, Empresas Municipais, Assessores de Gabinetes do Presidente e de Vereadores há seguramente mais de 300 pessoas cuja produtividade é zero. Se cada um custar entre vencimentos, viaturas e telemóveis 14.000 €/ano podemos concluir que os nossos impostos estão a suportar um encargo superior a 4 milhões de euros por ano! É muito!
Mesmo com mudanças de opinião que se sintonizem com as da população, o objectivo Presidencial de Carlos Carreiras corre sério perigo.
Há quem defenda que a Política se faz com a defesa de ideias, com genuinidade e coragem de pensamento.
Os políticos de hoje, tendem a confundir isso com o dizer aquilo que a população quer ouvir. Isto não é política, é politiquice!
Carlos Carreiras com a ânsia cega de ser eleito em 2013, há muito que resvalou para a politiquice.
Tenho pena que o PSD em Cascais tenha sido tomado por politiqueiros…

domingo, 14 de outubro de 2012

“DÉJÀ VU”

Esta última semana deparei-me com notícias que me fizeram regressar doze anos atrás.

Uma primeira dando conta de alguma movimentação no Partido Socialista de Cascais pretendendo reeditar uma candidatura de José Luís Judas o que, fazendo fé numa entrevista que Judas deu a um jornal, tal estará muito longe dos seus objectivos.

Ainda bem para Cascais.

Oito anos de José Luís Judas em Cascais, já foram demais!

Mas a recordação do que foram os mandatos de Judas em Cascais e o aparecimento então de movimentos cívicos que, fora da lógica dos Partidos, lutaram por repor alguma ordem e decência no funcionamento da Câmara de Cascais e que, pela sua acção, ajudaram a criar a alternativa António Capucho, que sairia vencedora nas eleições de 2002, faz-nos ver o quanto a história se repete.

Então como hoje, tínhamos uma Câmara gerida para dentro de uma clique, de costas voltadas para os cascalenses, de costas voltadas para o eleitor.

Mas o mais ignóbil, o mais hipócrita disto tudo, é que Carlos Carreiras era um proeminente dirigente de um dos Movimentos que mais se bateu contra José Luís Judas, clamando por transparência, decência na utilização dos dinheiros públicos, que resolvesse os problemas que mais afligiam então os munícipes e que, passados doze anos, são os mesmos!

O MOVCASCAIS, assim se chamava o movimento, até uma proposta de revisão do Plano Director Municipal entregou em 2000, o que estranhamente, Carreiras em 12 anos não conseguiu fazer aprovar ou, também nesta matéria, mudou de opinião…

Tomo a liberdade de juntar o folheto para que todos possam partilhar mais este exemplo de FAZ O QUE EU DIGO MAS NÃO FAÇAS O QUE EU FAÇO!...

Do fervor de 2000 em que defendia a democracia, o respeito pela população ou a administração escrupulosa dos bens públicos fica-nos um Carlos Carreiras arrogante e agressivo, que faz prevalecer a sua vontade com a mesma força com que agride quem tenha opinião diversa, que desbarata os bens públicos em festas e fantochadas e faz tábua rasa da opinião das pessoas que administra.
 
Isto demonstra quanto é o desprezo que Carlos Carreiras tem pelo povo de Cascais. Prometeu, invocou ideais, disse de Judas o que Maomé não quis dizer do toucinho e afinal, detentor do poder, consegue fazer bem pior do que Judas, exibindo uma perigosa desconsideração pelas pessoas e pelas instituições.

É uma sensação de “Déjá Vu”.

A mesma incapacidade de perceber a vontade da população, pretendendo impor-lhe sem discussão o seu pensamento, a mesma displicência na resolução dos problemas que atormentam os Cascalenses no seu dia a dia, como a mobilidade e o trânsito, a reabilitação da economia do Concelho, ou a revisão do Plano Director Municipal espelhando um modelo de desenvolvimento para Cascais, são exemplos que se repetem e motivam o aparecimento de movimentos de génese não partidário que se substituam aos partidos na sua incapacidade de perceber que uma das virtudes da democracia é a possibilidade de cada um poder contribuir para a solução dos problemas da comunidade.

Os Partidos continuam empenhados em dizer que a culpa é dos outros, mas não têm capacidade para trabalhar com as populações as procuras das soluções, sintonizadas com a opinião efectiva da maioria dos que vivem e trabalham em Cascais.
 
Enquanto se brinca à democracia com os Orçamentos Participativos, enquanto é hipótese construir um “parque infantil para cães” antes de resolver o problema do financiamento da construção do Pavilhão de Sassoeiros onde mais de 350 jovens praticam modalidades desportivas, está tudo dito!
Mas, se as organizações políticas não querem, não podem ou não sabem envolver as pessoas na discussão e na resolução dos problemas da sua comunidade, pois que seja, de novo, a sociedade civil a fazê-lo!

Nesta linha, foi constituído um novo movimento cívico “Sentir mais Cascais” que pretende estudar e dinamizar soluções, participadas por todos, para os reais problemas de Cascais e da sua sociedade.

Deixo aqui dois votos sinceros:

Um primeiro, que a estes movimentos que surgem agora em Cascais esteja reservado o mesmo nível de sucesso que foi atingido em 2002;

Um segundo, que desta vez, aos movimentos estejam ligadas pessoas que sejam coerentes e verdadeiras, que não mudem de opinião quando e se alguma vez forem chamadas a pôr em prática aquilo porque se bateram quando participavam nos movimentos…

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AINDA HÁ ESPERANÇA?


Muito se tem escrito sobre as mais recentes medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro Ministro na passada sexta-feira, mesmo antes do jogo da selecção nacional de futebol.
Na qualidade de militante do PSD confesso-me desapontado. Muito desapontado!
Eu tenho consciência que o país andou demasiado tempo a viver acima das suas possibilidades.
Eu sei que as prioridades do país foram mais ditadas pelas necessidades de obras a executar pelos grandes empreiteiros portugueses do que com as reais necessidades de infra-estruturas. Um bom exemplo do que acabo de afirmar, por ser tão caricato, foi a anunciada 3ª auto-estrada Lisboa Porto, ideia lançada ainda por Sócrates e que foi abandonada já pelo actual governo.
Mas, como em qualquer empresa, em qualquer família, quando aparece um deficit entre o que se gasta e o que se recebe, duas medidas podem e devem ser tomadas: analisar de que forma se podem aumentar as receitas ou verificar o que se pode cortar nas despesas.
Portugal, neste particular não pode ser excepção.
Sabemos todos que o Estado é hoje muito maior do que devia, comprometeu-se a fazer e a construir infra-estruturas que em rigor o país não tem dinheiro para sustentar, criou direitos e justas expectativas ao nível da educação e da saúde que custam muito dinheiro, o número de contribuintes activos é cada vez menor em comparação com o crescente número de pensionistas, enfim o panorama não é nada animador.
Quem estava mais atento ao que se passou, especialmente nos últimos anos de governo Sócrates, (mas não só!), poderá ter pensado, como eu, que Passos Coelho poderia ser o sinal de que este país precisava para corrigir a mão e colocar-nos num caminho de progresso.
Com um discurso inicial de encolher o Estado, assumir com frontalidade que era preciso fazer sacrifícios para recuperar a economia de Portugal e uma ideia inicial de que os sacrifícios era para todos sem excepção.
As primeiras medidas da troika vieram negar este princípio, caindo em cima do trabalhador por conta de outrem, especialmente os trabalhadores do Estado.
Os Partidos da oposição, o Presidente da República e o Tribunal Constitucional insistiram na necessidade da equidade, da distribuição dos sacrifícios por todos e com especial ênfase nos que melhor podem ajudar nesta altura de dificuldades.
Mas não!
Assistimos a mais um brutal aumento de impostos nos desgraçados do costume: os trabalhadores por conta de outrem!
Enquanto militante social democrata deveria estar a usar estas linhas para convencer os meus leitores de que estas são as únicas medidas possíveis mas, porque antes de ser militante sou um homem, português, com consciência e com alguma noção do que deve ser o serviço público, só consigo dizer que estou desapontado e que o Governo actual é afinal mais do mesmo que criticámos ao Governo anterior.
Ao fim de alguns meses, onde pára a fúria reformista, as medidas de redução do Estado, as privatizações?
Baixar os custos do Estado significa despedimentos em empresas públicas, na administração pública, nas empresas municipais, nas câmaras municipais. Não o fazendo, todos vamos continuar a ser sacrificados nos nossos impostos para pagar uma máquina que funcionava melhor com menos 20 ou 25% do pessoal que tem.
São clientelas, especialmente as que vivem penduradas nos municípios. Valem votos. Tenha-se a coragem de pensar primeiro no todo, de mostrar uma ponta de respeito pelos sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses!
Mas há um tique irritante na nossa classe política actual que me provoca um profundo desprezo. Esta gentinha, depois de se apanhar no poleiro, parece que passou a fazer parte de uma casta que não está obrigada aos mesmos deveres de cidadão e que os sacrifícios exigidos aos outros não lhes devem ser aplicados.
Exemplos?
Tenho muitos.
O escândalo das pensões vitalícias dos senhores deputados. Não se percebe como homens e mulheres com quarenta anos podem ter direito a uma pensão vitalícia após 8 anos como deputados, a maioria das vezes sem terem desempenhado essas funções em exclusividade sequer. É vergonhoso que a classe política no seu todo, da esquerda à direita, não tenha ainda colocado um ponto final neste roubo autorizado!
Ex Presidentes da República com direito a pensão vitalícia, escritório, secretariado, viatura… porquê? Corta-se a eito nos rendimentos dos pensionistas, alguns deixando-os no limiar da subsistência e cria-se uma classe de pensionistas especiais de corrida? Alguns, como Mário Soares ou Jorge Sampaio, sempre a distribuir lições de democracia, não percebem o ridículo em que caiem cada vez que abrem a boca?
A vergonha a que temos assistido nos últimos meses em Cascais à forma desbragada como se utilizam os dinheiros dos nossos impostos em Festas e mais Festas e ainda mais Festas é, na conjuntura em que vivemos, um caso claro de polícia!
Os portugueses em geral e os que pagam os seus impostos em Cascais, não acham estranho que numa conjuntura de grande sacrifício, se desbarate dinheiro em espectáculos de hora e meia que custam o suficiente para alimentar muitas famílias em dificuldades?
A conclusão que consigo tirar é que afinal a classe política é a mesma, muda de rótulo mas é a mesma, indiferentemente seja do partido A, B ou C, com os mesmos tiques, com o mesmo desrespeito pelo cidadão que os elege.
A ética, a justiça, a equidade, são conceitos que fazem parte da história da democracia mas que não estão a ser praticados.
Antigamente tentava-se levar para a política os cidadãos que eram exemplo.
Hoje, tiramos dos políticos, o exemplo do que não queremos que os nossos filhos sejam!
Chamem-me tolo, mas eu ainda acredito na integridade de Passos Coelho. Temo é que se não se livrar urgentemente dos Relvas, dos Carreiras, dos Luzes que o acompanham, vai ficar na história como mais um de muitos que só se serviram, mas não serviram para nada!

domingo, 2 de setembro de 2012

EU ACREDITO...



Há uns anos, o PSD de Cascais lançou um slogan que tinha alguma piada e tinha a capacidade de ser motor de uma certa dinâmica de vitória, envolvendo a acção de António Capucho à frente dos destinos da Câmara de Cascais – EU ACREDITO!
Ricardo Leite, então Presidente da concelhia do PSD de Cascais, não sei se foi o autor do slogan, mas é dele que guardo recordação do seu uso em todas as situações em que fazia lógica o seu uso.
Ricardo Leite é hoje deputado da nação, reconheço que na essência um bom deputado, alguém que se mostra muito interessado, especialmente na temática da saúde, que domina, mas que sente a necessidade de dar contas a quem o elegeu sobre o trabalho que desenvolve no Parlamento, a sua preocupação em contactar os eleitores e marcar presença nos mais variados locais, em suma, um deputado à maneira antiga e de que se vê muito pouco hoje em dia!
EU ACREDITO que a maneira de fazer política é só uma, com total dedicação ao interesse público, disponibilidade total para prestar contas da acção política aos eleitores, servir a comunidade sem cair na tentação de se servir!
Sem ter pretensões de conhecer de forma rigorosa a totalidade dos governantes ou dos deputados, EU ACREDITO que outros saberão ser, em funções de serviço público, merecedores de idêntico reconhecimento ao que acabo de fazer a Ricardo Leite.
Mas, infelizmente, conheço muitos deputados, governantes e autarcas que não se encaixam nesta definição, antes exibem uma despudorada utilização abusiva da sua condição de eleito, com um total desprezo por quem o elegeu!
Miguel Relvas é um caso que merece que utilizemos “dois ou três” parágrafos para analisar.
Acredito que apenas tenha aproveitado uma frincha legal para a sua licenciatura relâmpago e que na essência a legalidade não tenha saído beliscada.
Já a legitimidade, essa desvaneceu-se à velocidade da luz…
Lembro-me muito bem o quanto me custou fazer 53 cadeiras semestrais para concluir a minha licenciatura em Engenharia no Instituto Superior Técnico e por isso tenho muita dificuldade em conviver com o conceito das “Novas Oportunidades”…
Mas há um aspecto que não entendo, e esse prende-se com a moral e a ética política, que nos dias de hoje parece ser uma ciência da antiguidade grega…
Miguel Relvas ainda não percebeu o mal que está a fazer ao PSD, ao Governo e ao Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, agarrando-se ao poder e transportando para ele uma infindável fonte de anedotas e piadas?
De que espera para apresentar a demissão?
A dança de cadeiras nas próximas eleições autárquicas é outro exemplo do quanto urge o regresso da ética e da moral à política nacional.
É ver os autarcas “pseudo” vencedores chegados ao limite legal de se candidatarem no município onde foram eleitos pelo menos três mandatos a mudarem de armas e bagagens para outro, contrariando, com o beneplácito do PSD e do PS, o espírito da lei que pretendeu delimitar o número de mandatos dos Presidentes de Câmara.
É uma farsa, uma trapaça eleitoral que se prepara com o maior dos despudores!
Aborrece-me solenemente verificar que o pensamento ético que parece ter abandonando o PSD apenas se mantém ainda no CDS – PP, único Partido que demonstra sérias dúvidas à dança das cadeiras…
Daqui a minha homenagem para os Homens como Rui Rio, que chega ao fim do seu terceiro mandato de cabeça erguida e com trabalho feito sem colocar qualquer hipótese de se transferir para outro município.
Em Cascais, a ética e a moral são miragens que não se vê forma de fazer renascer sem desconstruir o actual modelo de poder.
Todos os representantes dos partidos com assento na Câmara Municipal de Cascais estão envolvidos nas teias das benesses e interesses criados por Carlos Carreiras e não se vê forma nem vontade de aparecer um movimento interno num dos Partidos que permita contrariar o caminho, perigoso, que o poder em Cascais está a trilhar.
O divórcio existente entre o poder e os eleitores é manifesto.
A existência de “filhos” e “enteados” em Cascais é tão evidente que se torna chocante!
EU ACREDITO na democracia.
Quem acredita como eu, só pode estar preocupado com os momentos que vivemos no País e em Cascais! 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CASCAIS TEM UM NOVO ESTILO!

Definitivamente Cascais tem um novo estilo.
O Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Dr. Carlos Carreiras, tem investido milhares e milhares de euros a criar esse novo estilo com o dinheiro dos contribuintes.
O virtual tomou conta do real.
A aposta na imagem, no filme, na reportagem, nos mega eventos, espectáculos para todos os gostos, tudo à escala grande, tudo com muito glamour.
Muitas Conferências, muitos Colóquios, muita mas mesmo muita publicidade e o resultado está à vista: Cascais tem um novo estilo!
Com toda esta dinâmica seria de esperar que o entusiasmo dominasse a população cascalense e contagiasse a região com um misto de inveja e admiração.
Na década de 90 Isaltino de Morais conseguiu esse efeito na região da grande Lisboa e mesmo em todo o país.
Mas não é isso que se está a passar.
Até pelo contrário.
As práticas seguidas por Carlos Carreiras e os seus colaboradores enfermam de um pecado que nem toda a gente está disposta a aceitar – a sobranceria, a soberba com que são brindados todos os que não partilham da “certeza” e da “bondade” das opções do autarca ou mesmo pontualmente possam assumir alguma crítica, mesmo que construtiva.
Seja num discurso, no Facebook ou numa reunião de Câmara, qualquer crítica, qualquer reparo, merece intervenção imediata do novel Presidente de Câmara, acalorada, contundente, com agressividade desproporcionada, a raiar o mal criado – É o novo estilo de Cascais!
Mas a comparação que atrás deixei com Isaltino de Morais tem uma diferença abissal. Isaltino granjeou o reconhecimento e o apoio dos seus munícipes com obra. Isaltino transformou o município de Oeiras num centro de excelência, procurado pelas maiores empresas para instalar ali as suas sedes. Renovou o tecido urbano, melhorou brutalmente as infra-estruturas viárias do concelho, resolveu alguns antigos problemas de mobilidade no concelho, preocupou-se com as pessoas, com os seus problemas, com as suas necessidades. E as pessoas, os seus munícipes reconheceram-lhe esse trabalho e retribuíram com o seu voto.
Em Cascais o mais próximo disto é o slogan já estafado de “Cascais elevado às pessoas”. Um mentira monumental!
Carlos Carreiras não está minimamente preocupado com os problemas dos seus munícipes. Acha até mesquinho que lhe venham falar em mobilidade e acessibilidade, em apoios às colectividades e às IPSS, na  necessidade de uma urgente revisão do PDM, ou num esforço de reabilitação do tecido económico do concelho. Resolver o problema de trânsito, dotar o interior do concelho com estradas sem buracos e com passeios, isso não dá notícia de jornal nem entrevista em Televisão!
Carlos Carreiras está mais preocupado com os donos das Harley Davidson que visitaram uma vez Cascais do que com os proprietários dos Fiat Uno que todos os dias “sobrevoam” o esburacado asfalto de algumas ruas do concelho de Cascais.
As vozes dos que já perceberam o logro em que se caiu em Cascais começam a engrossar fileiras.
Embora se viva num clima de medo de expressar opinião, (não é por acaso que algumas das vozes críticas não se lhes conhece os donos) começam a proliferar movimentos cívicos, blogues e comentários que circulam na internet, em redes que se vão ampliando de seguidores.
Ignorar os movimentos cívicos como Grupo Ser Cascais ou a Associação Cívica Sentir Mais Cascais, os blogues 
Agenda Cascais 31 
pensamentos desblogueados,  
Oeiras mais atrás, 
Estoril a 1000, 
Consciência Crítica,  
Ou Tourada Portugal,  
será um erro crasso para Carlos Carreiras e para o PSD.
Aos Movimentos Cívicos faltará certamente o dinheiro que não falta ao Presidente da Câmara de Cascais para fazer campanha mas em contrapartida sobra razão a esses mesmos movimentos.
Nas próximas eleições autárquicas vence a razão ou o dinheiro continuará a ditar a lei?