terça-feira, 15 de maio de 2012

COMEÇAR DO ZERO


A política Nacional em geral tem-me deixado algo céptico em relação ao nosso futuro como País.
Os grandes e bons políticos foram ao longo dos tempos afastando-se ou sendo afastados pelos seus pares e hoje, de uma maneira muito transversal a todos os Partidos sem excepção, há uma mediania confrangedora nos nossos políticos com uma ou outra excepção que só serve para confirmar a regra.
Se me causa preocupação e desânimo o que se passa a nível nacional, a nível local considero que a situação que se vive é não só muito preocupante como pode deixar sequelas graves na terra onde nasci – Cascais!
O facto de já ter sido autarca (embora no século passado…) e de ter assumido funções de gestão e administração em empresas municipais e intermunicipais criou em mim, embora racionalmente tente convencer-me que não sou o salvador do mundo e que não vale a pena lutar contra moinhos de vento, um sentimento muito forte que nutro por este cantinho à beira do mar, entalado entre a Sintra e Oeiras, e de que não consigo alhear-me, ou simplesmente ficar quieto, perante o que lá se passa.
Cascais, salvo a imodéstia que esta afirmação possa transparecer, também tem um bocadinho de mim e sinto, como desígnio pessoal, que tenho que, na exacta medida das minhas forças e capacidades, lutar por devolver a dignidade que Cascais e as suas gentes merecem.
Os actuais protagonistas políticos locais deixam, no campo dos princípios, muito a desejar.
Nos primórdios eram os “homens-bons” que eram chamados a desempenhar funções de gestão autárquica.
Os outros homens-bons eram muitas vezes chamados a pronunciar-se sobre temas de interesse local e regional e parecia existir uma gestão democrática ou pelo menos participada pelos líderes de opinião. O enfoque estava sempre colocado no interesse da comunidade, o interesse público.
Hoje o sistema é gerido nos antípodas desta realidade.
Actualmente a gestão em Cascais é feita não seguindo o primado do interesse da comunidade mas antes sobre a “ditadura” do marketing político eleitoral com um principal e destacado objectivo: a eleição do actual Presidente de Câmara num novo mandato de 4 anos.
Ora o interesse público não pode passar pela subjugação aos interesses individuais de uma pessoa ou de um grupo!
Os dinheiros que se estão a gastar de forma desbragada para promover o Dr. Carlos Carreiras fazem falta para resolver problemas graves na comunidade cascalense. Em tempos de parcos recursos temos que ser parcimoniosos e contidos nos gastos. Acrescento eu, seja em tempos de vacas gordas ou de vacas magras, não é aceitável que os recursos que são de todos não sejam aplicados para benefício de todos!
Esta forma de gestão em Cascais tem criado coisas manifestamente reprováveis.
A gestão hoje não espera contributos de ninguém. Os líderes de opinião locais são calados e por vezes até incomodados quando se atrevem a opinar.
Preparam-se algumas simulações de democracia, como é o triste exemplo do Orçamento Participativo, mas em que se garante sempre o controlo das opiniões.
Em muitas situações, está-se ao nível do que de pior aconteceu nos tempos da ditadura!
Não acredito, nem aceito, que a gestão da minha terra possa ser feita com base em verdades absolutas, o poder decide e os cidadãos obedecem, a opinião das pessoas não interesse!
A democracia tem que ser reinventada.
Os Partidos que souberem ler estes sinais terão a vantagem de poder continuar a participar no poder e na gestão da coisa pública.
As pessoas, os munícipes, fartos de tanto desmando e de más decisões em seu nome, estão a ficar fartas!
As associações cívicas vão ser chamadas a ter um papel preponderante na reinvenção da democracia e da participação dos munícipes nas decisões que são tomadas na gestão da sua terra.
Pessoalmente antevejo a criação de uma dinâmica de reavaliação dos processos políticos, a necessidade de democratizar o pensamento e a definição de soluções para o desenvolvimento local, quer em termos económicos, quer sociais quer mesmo ambientais!
O poder vai ter que voltar a ser exercido com as pessoas e para as pessoas.
Isto acontece, não porque se afirma anedoticamente até à exaustão que temos uma “câmara elevada às pessoas” mas porque temos que poder garantir que as pessoas passam a ter voz nas decisões, os líderes de opinião nas colectividades, nas IPSS, no comércio local, são chamados a participar no processo de  tomada de decisão e não apenas para ir cantar loas ao Presidente!
O Poder autárquico vai ter que focar de novo os seus objectivos, voltar a dar a primazia às pessoas e às intervenções a fazer no território e na organização dos espaços, para dar resposta às suas necessidades com vista a viver com qualidade em Cascais.
Os autarcas vão ter que encontrar respostas ao crescimento da qualidade social dos habitantes de Cascais, saber agilizar os investimentos e os apoios para a educação, a actividade cultural e desportiva e a criação de apoios aos mais carenciados. Mas vão ter também que encontrar soluções para revitalizar o crescimento económico do concelho, criar condições efectivas para o ressurgimento de oportunidades de emprego e ordenar o território de forma a que essas respostas surjam em condições adequadas de crescimento sem pôr em causa a sua qualidade ambiental. Também a mobilidade dentro do território de Cascais e as suas ligações com os concelhos limítrofes têm que ser revistas e melhoradas sob pena de aí residir um aspecto claramente atrofiante do desenvolvimento económico pretendido.
Ora este tipo de intervenções não se fazem por inspiração divina.
Já começamos todos a estar fartos de salvadores!
É preciso envolver as pessoas, fazê-las sentir parte da solução. Só com uma gestão participada por todos, em que a todos é permitido o contributo e a opinião se consegue efectivamente criar uma dinâmica imparável rumo ao sucesso e ao desenvolvimento harmonioso social, económico e ambiental.
Lamentavelmente, não sinto condições para que tal venha a acontecer em Cascais com os actuais protagonistas políticos, nomeadamente do PSD.
Carlos Carreiras e a sua equipa estão a comportar-se como eucaliptos, nada consegue florescer à sua volta, excepto os próprios eucaliptos!
Resta aos mais inconformados encontrar alternativas que permitam corrigir este tipo de situações.
Pela minha parte estou disponível para contribuir para mudar algo em Cascais…




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